Review: Harry Styles – Harry Styles (2017)

“Harry Styles” funciona extremamente bem como um álbum pop moderno e uma extensão da marca do One Direction; suas performances vocais são invariavelmente as melhores partes das músicas.

Desde a formação do One Direction, ficou evidente que Harry Styles se tornaria uma estrela. Por isso que quando o grupo decidiu fazer uma pausa, todos estavam ansiosos por seu trabalho solo. Muitos se perguntavam: qual seria o som do Harry Styles? Zayn Malik seguiu pelo R&B alternativo, Niall Horan está explorando o folk-pop, Louis Tomlinson se juntou com Steve Aoki no EDM e, dado o seu primeiro single, Liam Payne pretende usar influências de hip-hop. Mas e o Harry Styles? Inesperadamente, o cantor de 23 anos resolveu seguir por um som rock com grandes influências dos anos 70. Pouco mais de 1 ano depois de se separar do One Direction, ele lançou o seu auto-intitulado álbum. Os fãs do One Direction devem ter se surpreendido com “Harry Styles”, pois possui um conteúdo mais grave e profundo do que o esperado. Styles emerge em um som mais melancólico, proporcionando um olhar muito mais íntimo de si mesmo. Seu vocal barítono e os falsetes permanecem intactos e amadurecidos. Sons semelhantes e letras emocionais foram unidos a fim de criar um projeto coeso. Você consegue viajar no tempo através de faixas levemente inspiradas por artistas como Beatles, Rolling Stones, David Bowie e Oasis. Ao longo do álbum, encontramos uma escrita envolvente e produção graciosa. Styles conseguiu criar um repertório bonito e exuberante.

Não é um álbum inovador por qualquer meio e muito menso perfeito, mas um empreendimento muito interessante. Semelhante ao Justin Timberlake, que abraçou o R&B após sair do *NSYNC, sua estreia parece autêntica e credível. No passado, vimos grandes grupos ser divididos e seus membros prosseguindo em carreira solo. Alguns foram bem, como Geri Halliwell e Melanie C, e outros extremamente bem sucedidos, como Robbie Williams e Timberlake. Gary Barlow conseguiu, inesperadamente, se sair melhor do que o esperado, mas outros como Victoria Beckham, não se saíram tão bem. Felizmente, Harry Styles tem tudo para ser bem sucedido em carreira solo. Entre as falhas do álbum, podemos destacar o fato dele não ser um escritor experiente, mesmo que mostre um talento considerável para tal função. Suas letras são susceptíveis a cair em clichês, especialmente quando ele está cantando sobre alguma relação amorosa. Ainda bem que ele colaborou com produtores e escritores habilitados que puderam auxiliá-lo. “Harry Styles” não adere a nenhum gênero específico, mas no geral explora um interessante soft rock e britpop. O primeiro single, “Sign of the Times”, é um pop rock e soft rock onde encontramos Harry Styles em sua zona de conforto. O som genuíno e a entrega sincera soam bastante naturais. A envolvente produção, orientada pela guitarra, leva os vocais para novas alturas.

No decorrer de 5 minutos, Styles reflete sobre a vida e um relacionamento que pode chegar ao fim. “Atravessando pela atmosfera / E as coisas estão bem legais daqui / Lembre-se que tudo ficará bem / Podemos nos encontrar de novo em algum lugar / Em algum lugar longe daqui”, ele canta de forma otimista. Oferecendo um desempenho vocal convincente e emocionalmente excitante, “Sign of the Times” é uma balada muito complexa e madura. Sua intensidade interligada com o seu piano deliberadamente lento, emite uma tristeza eminente. As notas altas e a emoção vocal são muito eficazes. Uma balada de piano emocional que gera um clímax espetacular e faz Harry Styles assumir suas influências rock dos anos 70. A faixa de abertura, “Meet Me in the Hallway”, sugere um relacionamento difícil, mas com esperanças otimistas. Uma canção baseada na guitarra que fala sobre lidar com a rejeição. A guitarra acústica e os ecos vocais preparam uma introdução poderosa para o registro. Diferente das faixas que tornou Harry famoso como parte do One Direction, as letras e a instrumentação nos transmitem uma melancolia inegável. A diversão começa com “Carolina”, um sulco tropical com boas batidas e algumas frases poéticas. É uma canção otimista que fornece melodias agradáveis e refrão cativante. Como o título sugere, ela foi provavelmente escrita para sua ex-affair Caroline Flack.

O segundo single, “Two Ghosts”, é um reflexivo e sensível folk rock com algumas influências de country. Possui uma vibração descontraída e um refrão instantâneo. Sua atmosfera levemente ensolarada desliza sobre licks de guitarra e doces vocais – uma canção incontestavelmente elegante. “Sweet Creature” é um folk acústico igualmente adorável. Ele possui um som semelhante ao de “Two Ghosts”, e mostra adequadamente seus amadurecidos vocais. Embora tematicamente parecida com algumas músicas do One Direction, ela possui um riff de guitarra dobrável que me lembrou a linda “Blackbird” dos Beatles. Em seguida, “Only Angel” surge com um sulco arrogante reminiscente dos Rolling Stones. Inevitavelmente, o riff crocante de guitarra nos faz lembrar de algumas músicas dos Stone e o estilo de Mick Jagger. Sem dúvida, a obsessão pelo líder dos Stones está em plena exibição aqui. A angustiante “Kiwi” possui um espírito e atitude punk, acompanhada de uma pegada hard rock. Seu trabalho na guitarra realmente exala um som punk, assim como os gemidos vocais do Styles. “Ever Since New York”, por sua vez, pode ser considerada um dos maiores destaques. A repetição da frase, “tell me something I don’t already know”, é linda e muito cativante. Uma canção provocativa, sombria, melancólica e profundidade lírica. Tanto vocalmente como liricamente, é uma música surpreendentemente convincente.

Em seguida, “Woman” abre com uma discussão pré-gravada que diz: “Devíamos apenas procurar comédias românticas no Netflix e ver o que encontramos?”. Essa balada adota um piano, guitarras e vocais mais acentuados, enquanto “From the Dining Table” é dolorosamente triste e outro exemplo da mudança estilística do álbum. Com vocais em camadas, guitarra levemente rasgada e linda seção de cordas, Styles se mostra completamente romântico. Por fim, ele termina o álbum com a seguinte frase: “A propósito, até mesmo meu telefone sente falta das suas ligações”. No geral, “Harry Styles” é um álbum de estreia diversificado com sons modernos e ótimas influências de rock clássico. Ele mostra como um disco de rock dos anos 70 soaria se fosse lançado nos anos 2010. É difícil ignorar as influências dos Rolling Stones, Oasis e David Bowie nesse álbum. Mas enquanto qualquer esforço para se tornar o próximo Bowie ou Mick Jagger está longe do alcance de qualquer artista, Harry merece aplausos pelo trabalho apresentado. Ele conseguiu fazer uma rápida mudança de som, ao sair de uma boyband popular e transformar-se num cantor e compositor maduro. Styles nos mostrou que ele é capaz de fazer um trabalho solo convincente. Ele está um pouco mais velho e certamente mais experiente. E acima de tudo, é um artista em plena evolução. “Harry Styles” não é de forma alguma inovador, mas é um material adorável de um artista que tem tudo para ser mais promissor no futuro. Ele só precisa de mais experiência e tempo para crescer.

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Favorite Tracks:

“Sign of the Times” / “Two Ghosts” / “Ever Since New York”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.