Review: Fifth Harmony – Fifth Harmony (2017)

O novo álbum do Fifth Harmony é seguro e morno demais para superar os discos anteriores, que carregavam mais peso lírico e musical. A maioria das faixas são tentativas frustradas que lhes roubam qualquer identidade.

Aparecendo pela primeira vez na segunda temporada do X-Factor americano em 2012, o Fifth Harmony já percorreu um longo caminho. Embora não tenha ganhado a competição, o grupo assinou com a gravadora de Simon Cowell. Mas no final do ano passado, Camila Cabello deixou o grupo inesperadamente. As garotas restantes, Ally Brooke, Normani Kordei, Dinah Jane e Lauren Jaregui, continuaram e prometeram lançar novas músicas. O primeiro single após a saída de Cabello foi “Down”, canção que soa como uma irmã do seu maior sucesso, “Work from Home”. Da mesma forma, o novo álbum, auto-intitulado “Fifth Harmony”, continua com o mesmo som que o grupo estabeleceu em seus dois primeiros lançamentos. Dito isto, o disco permanece em um território inteiramente familiar, compartilhando a mesma produção e entregando as mesmas coisas. Em alguns momentos, a superprodução causa uma certa confusão e torna suas vozes estranhas por causa da auto-sintonização. As letras são demasiadamente repetitivas, com cada música tocando nos mesmos temas do passado. Entre as dez faixas, “Down” é a mais radiofônica, uma vez que é suficientemente cativante. Entretanto, peca pela falta de originalidade, pois como mencionado, é muito parecida com “Work from Home”. Uma música com sintetizadores tropicais, fortes percussões e tons de dancehall.

Liricamente, fala sobre adversidades, mas a repetição do título no refrão simplesmente não chega a lugar nenhum. Fifth Harmony é bem sucedido quando lança canções cativantes como “Worth It” e “Work from Home”, por isso quiseram usar a mesma fórmula em “Down”. Ademais, o rap do Gucci Mane mata completamente a vibe da música. Em termos de som, o álbum trabalha especialmente com o pop e R&B, além de flertar com elementos tropicais, dancehall, reggae, trap e hip-hop. Em meio a músicas uptempo e baladas, elas falam principalmente sobre o amor, desgostos e emponderamento feminino. O segundo single, “He Like That”, exibe influências de reggae, elementos de R&B e hip-hop, e interpolação com “Pumps and a Bump” do Hammer. Conduzida por guitarras elétricas, percussão e baixo, foi escrita a partir da perspectiva feminina que elogia uma figura masculina. “Sauced Up” é uma canção de R&B e synth-pop melódica sobre curtir a vida noturna. Faz uso de um baixo pesado, sintetizadores e batidas influenciadas pelo trap. “Make You Mad” é liricamente mais sexual e apresenta batidas cintilantes, vocais sedutores, elementos caribenhos, tambores e linhas de sintetizador. Enquanto isso, “Deliver” mostra as garotas sobre ritmos crocantes de R&B dos anos 90 e natureza vibrante. A atmosfera soulful é reforçada por uma linha de piano, inflexões gospel e boas harmonias. Parecida com “Make You Mad”, “Lonely Night” também apresenta tons caribenhos e um sabor reggae. 

Em contrapartida, “Don’t Say You Love Me” é uma balada vulnerável e minimalista que mostra mais dos seus talentos como vocalistas. É provavelmente a melhor vitrine para os vocais, visto que é melancolicamente apoiada por uma guitarra acústica. O trap-pop “Angel”, lançado como single promocional e produzido por Skrillex e Poo Bear, fornece fortes elementos de hip-hop, linhas de baixo, doses de bateria, sintetizadores e vocais distorcidos. Uma canção incrivelmente cativante e liricamente mais madura, que fala sobre estar num relacionamento com um parceiro inconveniente. Também vale a pena mencionar “Messy”, uma balada com vocais calmantes, letras vulneráveis e tons de R&B. Sonoramente, possui uma vibe semelhante à de “Stickwitu” das Pussycat Dolls. A última faixa, “Bridges”, é liricamente convincente, uma vez que possui boas referências líricas. Alguns versos podem ser uma reação à saída de Camila Cabello do grupo: “Nós construímos pontes / Não, não iremos separar”. Enquanto o final do refrão parece ser uma referência a política de imigração de Donald Trump: “Então, nós construímos pontes / Pontes, não muros”. Com dez faixas e menos de 40 minutos de duração, “Fifth Harmony” não mostra qualquer crescimento. Pelo contrário, é um registro apagado, apressado e obsoleto. Em suma, não é um álbum que gera interesse suficiente para ouvir repetidas vezes.

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    SCORE - 53%
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Favorite Tracks:

“Down (feat. Gucci Mane)” / “Don’t Say You Love Me” / “Angel”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.