Review: Ed Sheeran – ÷ (2017)

Na melhor das hipóteses, é uma coleção de músicas que soará melhor em uma arena lotada. Ed Sheeran usa seu tom meloso em excesso, juntamente com uma confiança brega.

Depois de concluir a turnê do seu segundo álbum, com três noites lotadas no Wembley em Londres, Ed Sheeran entrou em um hiato. Durante esse tempo, ele escreveu alguns singles de sucesso para outros artistas, incluindo “Love Yourself” (Justin Bieber) e “Cold Water” (Major Lazer). Depois de descansar em 2016, Sheeran retornou com um novo álbum em 2017. Ele começou a divulgação do “÷” lançando dois singles ao mesmo tempo, “Castle on the Hill” e “Shape of You”. Ambas canções conseguiram um enorme sucesso comercial. “Shape of You”, particularmente, alcançou o #1 lugar em inúmeros países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Em sua semana de lançamento, “Divide” colocou todas as dezesseis faixas no top 20 do principal chart do Reino Unido – ele já fez história com esse álbum. Ficou claro que desde o lançamento de “Shape of You” e “Castle on the Hill”, esse disco seria um novo capítulo para o músico britânico. Seu som é fresco o suficiente para cativar a massa. No “Divide”, ele foi auxiliado por produtores familiares, como Benny Blanco e Johnny McDaid, além de Labrinth e Steve Mac. A primeira faixa, “Eraser”, possui fortes influências de hip-hop acústico. Inicialmente, ela começa com palavras faladas e o clássico violão do cantor. Embora seja melodicamente desinteressante, possui um refrão bastante forte e atraente. “Castle on the Hill” é um número folk-pop com letras extremamente visuais e nostálgicas. Basicamente, Sheeran prega uma homenagem para sua cidade natal, Framlingham. Uma canção dolorosa e particularmente uma das melhores do álbum.

O fluxo rítmico de “Castle on the Hill” é conduzido por guitarras em ascensão e vocais um pouco emotivos. O álbum segue pela intimidade downtempo de “Dive”, uma linda balada com sonoridade familiar, melodias bluesy, influência soul e notas de guitarra. Embora não seja liricamente forte, possui uma das melhores performances vocais do LP – uma canção para aqueles que o amor não foi correspondido. Ed co-escreveu o smash-hit “Shape of You” com Jonny McDaid e Steve Mac, enquanto fala sobre um romance promissor. Musicalmente, é uma canção pop com influências de dancehall e tropical house. Ela possui um looping de guitarra hipnotizante e uma percussão que lembra “Cheap Trills” da Sia. Resumidamente, é divertida e especificamente trabalhada para as rádios. Depois da vibração arrogante de “Shape of You” o álbum dissipa numa canção simples e lenta chamada “Perfect”. Forte candidata como favorita dos fãs, essa música parece ser reminiscente de “Thinking Out Loud”. Um número encantador, composto por cordas românticas, coro gospel e vocais expressivos. Indo direto para o número #1 dos charts da Irlanda após o lançamento do álbum, “Galway Girl” apresenta influências irlandesas, sonoridade folk e elementos de hip-hop. Apesar de ser enjoativa, possui um violino divertido e algumas letras cativantes. Uma música que realmente mostra o amor do Ed Sheeran pela cultura da Irlanda. “Happier”, por sua vez, é uma canção triste e auto-reflexiva que expressa as emoções de ver uma ex-namorada nos braços de outro. Co-escrita por Ryan Tedder da banda OneRepublic, é uma das poucas que consegue recriar a vulnerabilidade que fez Ed Sheeran ficar famoso. Em seguida, um ritmo mais rápido e uma batida contundente apresenta “New Man”.

Um esforço de R&B com temas semelhantes ao da faixa anterior, mas com estilo completamente diferente. “Hearts Don’t Break Around Here” é outra faixa dedicada a namorada do Ed Sheeran – uma canção que poderia facilmente fazer parte do seu álbum de estreia. Possui uma melodia acústica que fornece o cenário ideal para as metáforas do britânico. Para mim, uma das músicas mais interessantes do álbum é o folk-pop “What Do I Know?”. Uma ruptura com temas de amor e perda, e uma peça que lembra o estilo do Jack Johnson. Liricamente, Sheeran brinca com a ideia de que a música e o amor podem mudar o mundo, de uma maneira que a religião e política nunca conseguiriam. Com sua guitarra, elementos de R&B e ritmo repetitivo, ele conseguiu criar uma das faixas mais cativantes do repertório. O blue-eyed soul “How Would You Feel (Paean)” possui melodias de piano e ritmo um completamente sucinto, tranquilo e confortável. O suave piano se mistura com a guitarra e proporciona outra ode para a namorada do Ed Sheeran. Uma canção de amor que ainda contém um expressivo solo de guitarra. Assim como “Perfect”, é outra que nos faz lembrar de “Thinking Out Loud”. Encerrando o álbum temos “Supermarket Flowers”, uma homenagem emocional dedicada a sua falecida avó. Aqui, Sheeran usa um singelo piano para prestar a devido tributo. “Divide” é o registro mais ambicioso e variado do Ed Sheeran até à data. Entretanto, não deixa de ser também o material mais calculado e pré-fabricado. Possui um repertório alegre, brincalhão, apaixonado e romântico, mas não assume quaisquer risco. Embora seja um esforço hábil e bem executado, muitas vezes se sente confuso e incompleto. Por esses motivos, ficou claro que o único objetivo por trás dele é alcançar o sucesso comercial.

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    SCORE - 64%
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Favorite Tracks:

“Castle on the Hill” / “Shape of You” / “How Would You Feel (Paean)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.