Review: Drake – More Life (2017)

Quanto mais vozes ele deixa entrar em cena, mais ricos são os resultados. “More Life” explode com uma energia completamente exuberante – é tão confiante, relaxado e atraente.

Drake mudou as coisas em seu último lançamento, “More Life”, pois em vez de se referir a ele como um álbum, o rapper o chama de “playlist”. Alguns artistas chamam seus álbuns de mixtapes, mas “playlist” é realmente inovador. Por ser uma lista de reprodução voltada para os serviços de streaming, seu repertório com vinte e duas músicas é justificável. Mesmo os fãs mais árduos do Drake, provavelmente estão fadados depois de ouvir tantos temas repetidos. Entre eles, incluem o de ser o maior rapper vivo, relacionamentos com namoradas, amigos e dinheiro. Infelizmente, os temas não aspiram a mesma inovação da designação “playlist”, mas ainda assim, nas mãos de Drake são músicas que tornam-se criativas e extremamente atraentes. No interior do álbum, temos uma enorme lista de produtores, escritores e colaboradores, entre eles Kanye West, 2 Chainz, Travi$ Scott, Young Thug e PARTYNEXTDOOR. “More Life” é um projeto dinâmico e surpreendentemente eclético. Drake tornou-se um artista que trabalha como cantor e rapper, que sempre oferece melodias contagiosas e fluxos cativantes. Sua grande versatilidade como vocalista permite que ele execute com eficiência vários estilos musicais. Seja no rap, R&B ou dancehall, ele consegue dar o seu melhor no “More Life”. A irresistibilidade do conteúdo deve-se em grande parte à qualidade de suas composições. O produtor executivo e colaborador de longa data, Noah “40” Shebib, entrega um som característico da OVO Sound.

Enquanto isso, Boi-1da, T-Minus e Nineteen85 são outros grandes e usuais produtores que estão na operação do “More Life”. Então, seja você ou não um fanático por Drake, esse projeto certamente vale a pena a sua atenção. A playlist abre com “Free Smoke” e “No Long Talk”, com Giggs, que parecem retiradas diretamente das mixtapes “What a Time to Be Alive” e “If You’re Reading This It’s Too Late”. No “More Life” temos várias diss-tracks, como a própria “Free Smoke” – direcionada ao Kid Cudi. Além de Cudi, o canadense também ataca brutalmente Tory Lanez em “Do Not Disturb” e Meek Mill em “Can’t Have Everything”. Outras canções como “Get It Together”, “Madiba Riddim” e “Blem” são mais mundanas e englobam influências jamaicanas, como o dancehall. “Passionfruit”, por sua vez, já é uma das melhores músicas do catálogo do rapper. Uma faixa construída sobre um pano de fundo que combina o dancehall e tropical house com o pop e R&B. Uma das faixas mais fortes e doces encontradas no “More Life”. Sua instrumentação é composta por tambores suaves e alguns tons de trap, conforme Drake lida com as mágoas de um relacionamento a longa distância. O conteúdo lírico é simples, mas muito profundo. Ele define com maturidade os eventuais problemas encontrados em um namoro a distância. Letras como, “Apaixonado por milhas de distância / Passivo com as coisas que você diz / Passando em minhas velhas maneiras”, são inteligente e admiráveis. Dessa vez, os tambores são macios, melódicos e emparelhados com um tom sensual.

“Passionfruit” é semelhante à “Hotline Bling” e “One Dance”, mas com uma maior carga de vulnerabilidade. A sensação tropical, batida descontraída e brisa refrescante dessa música são realmente adoráveis. Esses pontos definem com propriedade o grande interesse do Drake pelo dancehall. Ademais, o canadense sabe cantar e possui uma grande pureza em sua voz. “More Life” também possui um rap clássico, cheio de rimas e combinação de fluxos, como “Gyalchester”, “KMT” e “Lose You”. Uma das vantagens do Drake é de sempre obter bons recursos para seus projetos. Quavo e Travi$ Scott, por exemplo, fazem aparições em “Portland”, canção de hip-hop e trap produzida por Murda Beatz e Cubeatz. Uma música que fala sobre o caminho ao estrelato e a originalidade que os três possuem. Em “4422”, a frágil voz do britânico Sampha é uma verdadeira fonte de emoção. Ele lamenta a longa distância entre ele e uma garota de sua cidade natal. Sampha faz isso com ajuda de um piano ofensivo e amplas batidas eletrônicas. Uma grande parte do sucesso do Drake pode ser creditada à sua acessibilidade, versatilidade e crescimento musical. Além da flexibilidade e número de colaboradores desse projeto, o que faz ele ser tão bom é a forma como flui. As vinte e duas faixas presentes poderiam passar despercebidas se estivessem nas mãos de outro artista. Mas a popularidade, criatividade e vontade do Drake empurram elas para outros limites. “More Life” é outro projeto incrível e de grande qualidade do rapper mais popular da atualidade.

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    SCORE - 78%
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Favorite Tracks:

“Passionfruit” / “Teenage Fever” / “Fake Love”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.