Resenha: Chris Brown – Heartbreak on a Full Moon

Lançamento: 31/10/2017
Gênero: R&B, Pop, Dance
Gravadora: RCA Records
Produtores: A1, ADP, Amadeus, Ayo, BHam, Boi-1da, Cam Wallace, Cardiak, Cratos, D.A. Doman, Danja, Deko, Don Jarvis, Daecolm Holland, Dre Moon, EY, Foreign Teck, Hitmaka, ISM, J-Bo, J-Louis, Keyz, Milk+Sizz, Nikhil, Nija, OG Parker, OZ, P2J, Pip Kembo, Qkauztion, Richie Souf, Scott Storch, Scribz, Sean Momberger, Sevn Thomas, Smash David, Soundz, Syk Sense, Tariq Beats, The Martianz, Txpski, Vontae Thomas e Xeryus G.

O mais recente disco do Chris Brown, intitulado “Heartbreak on a Full Moon”, é um ambicioso projeto com inexplicáveis 45 faixas. O álbum apresenta uma variedade de convidados, incluindo Jhené Aiko, R. Kelly, Gucci Mane, Usher, Future e Young Thug, e diferentes estilos musicais. Chris Brown evitou um conceito pré-concebido e simplesmente compilou diversas faixas no decorrer de 2 horas e 40 minutos. Lançado inicialmente no Halloween, “Heartbreak on a Full Moon” é um disco duplo com uma variedade de músicas para os seus fãs desfrutarem. O problema é que Brown não ofereceu nada de novo, apenas quarenta músicas onde ele fala exaustivamente sobre sexo, drogas e festas. Certamente, nem todo mundo vai ter a paciência de ouvir um álbum com tantas faixas. O primeiro disco é uma mistura familiar e temperamental, onde o cantor aborda letras auto-referenciadas com um grande excesso de confiança. “Everybody Knows”, por exemplo, o vê exalando sua misoginia já conhecida: “Antes de mim, você não era importante / Agora você age como se você ganhasse / Vá e sorria para a câmera / Espero que essa merda tenha valido a pena”. Enquanto isso, a segunda parte do álbum possui uma sensação mais escura e sombria, com faixas que mostram um lado mais emocional.

Apesar da presença de algumas canções decentes, “Heartbreak on a Full Moon” não faz jus ao seu enorme e exaustivo comprimento. Portanto, além dos fãs mais árduos, dificilmente alguém vai ter paciência para ouvir esse disco por completo. É um projeto grande até mesmo para os artistas mais inspirados, o que não é o caso de Chris Brown. Ao longo do repertório, a produção é lisa, moderna e bem-sucedida. Entretanto, isso não significa que seja um álbum distinto, diferente ou sólido. Como já mencionado, o principal problema com este disco é o exagerado comprimento. Dito isto, sua duração tende a ampliar e criar outros problemas. Em vez de sentir-se como um álbum duplo, “Heartbreak on a Full Moon” parece uma enorme playlist criada por Chris Brown. Uma playlist que peca pela total falta de coesão e consistência. Basicamente, ao longo do repertório, ele oferece mais do mesmo. Liricamente, Brown continua sendo uma pessoa muito mais fácil de odiar do que amar. Ele não faz qualquer conexão pessoal com o ouvinte, apenas fala sobre sexo de forma vazia, superficial e esquecível. Não importa se a produção é bem-sucedida, “Heartbreak on a Full Moon” é extremamente familiar, previsível e invariável. Enquanto o estigma do incidente entre ele e Rihanna ainda o persegue, Chris Brown continua exalando uma personalidade irritante.

Em “Juicy Booty” ele resolveu colaborar com R. Kelly, outra estrela de R&B que teve suas próprias controvérsias. Esta canção, com vocais da sensual Jhené Aiko, faz interpolações com “Juicy” de The Notorious B.I.G., e possui amostras de “California Love” de 2Pac. É um número cativante que encontra dois artistas polêmicos unindo forças para criar um dos poucos momentos realmente interessantes do álbum. O primeiro single, “Grass Ain’t Greener”, produzido por Nikhil, é uma faixa mid-tempo de R&B-alternativo com influências de trap e letras que tentam fazer uma mesclagem de paixão e romance. “Você não é mais a garota que costumava ser / Você diz que está cansada, que vai seguir em frente / Esse não é o mundo que costumava ser / Parece que você venceu, parece que você venceu / Cansado de deixar mensagens no seu celular / Mas você nunca se importou com nenhuma delas / Garota, você tinha alguém que realmente se importava / Como você estragou isso, garota, não é justo”, ele canta no primeiro verso. Além de “Juicy Booty” e “Grass Ain’t Greener”, aparentemente os destaques do disco são o dancehall “Questions”, o pop-rap “Party” (com Gucci Mane e Usher), e as faixas trap “Pills & Automobiles” (com Yo Gotti, A Boogie wit da Hoodie e Kodak Black), “High End” (com Future e Young Thug) e “Only 4 Me” (com Ty Dolla $ign e Verse Simmonds).

Favorite Tracks: “Juicy Booty (feat. Jhené Aiko & R. Kelly)”, “Questions”, “Pills & Automobiles (feat. Yo Gotti, A Boogie Wit da Hoodie & Kodak Black)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.