Review: Carly Rae Jepsen – E•MO•TION: Side B (2016)

Grande parte do “E•MO•TION: Side B” tem um potencial único, graças ao brilho e glamour exalados pela composição interminável de sintetizadores, acessórios oitentistas e electropop moderno.

Duas semanas atrás fomos surpreendidos por um novo material da Carly Rae Jepsen, intitulado “E•MO•TION: Side B”. O lado B do “E•MO•TION” (2015) foi anunciado justamente no primeiro aniversário do álbum. Um EP que apresenta canções inéditas de um dos discos mais aclamados de 2015. Obviamente, o som do lado B continua na mesma veia do álbum, onde sintetizadores e a vibe disco-funky dominam a paisagem sonora. Portanto, “E•MO•TION: Side B” é uma continuação do material original. De acordo com Carly Rae Jepsen, ela lançou este EP para presentear os fãs que a apoiaram durante sua turnê. Ela descreveu as faixas como “músicas extras” criadas durante o processo criativo do “E•MO•TION” (2015). É tão estranho que um dos melhores álbuns pop de 2015 tenha tido um desempenho comercial tão baixo. “E•MO•TION” (2015) foi certamente uma das ofertas mais interessantes e criativas do ano passado. Carly Rae Jepsen pode ser conhecida como a cantora de “Call Me Maybe”, mas sua inovação foi o melhor êxito que ela conseguiu até o momento. Assim como o lado A, “Side B” está repleto de sintetizadores pulsantes, percussão magistral, influências da década de 80 e um mar de nostalgia. As letras são, mais uma vez, uma mistura de amor, medo e felicidade. “E•MO•TION: Side B” começa exatamente onde o álbum original parou. “First Time” é um número synth-funk com forte inspiração oitentista e melodia infecciosa. A dificuldade em controlar suas emoções, depois de ter seu coração partido, é um destaque nessa canção.  No entanto, dado o conteúdo lírico sombrio, sua abordagem é mais otimista que o esperado.

A produção borbulhante de “First Time” apresenta vocais inesperadamente alegres e sintetizadores em sua borda. Ao longo do álbum, a inspiração oitentista prevalece, conforme Jepsen canta sobre sintetizadores e sons clássicos que, muitas vezes, são misturados à batidas de disco e funk. Essa combinação faz ela soar moderna e nostálgica na mesma proporção. Com uma introdução mais escura, a emocionante “Higher” é um dos melhores momentos do EP. É a única faixa do repertório que não foi co-escrita pela Carly Rae Jepsen. Produzida por Greg Kurstin, é um synth-pop vintage quase reminiscente de Ariel Pink e Toro y Moi. Mais uma vez, o contraste entre os instrumentos e letras adicionam camadas maravilhosas à música. “Você me leva mais alto do que o resto / Todos os outros vem em segundo / Você tirou uma joia dessa bagunça / Eu era tão cínica antes, eu confesso”, ela admite tentando lidar com novos sentimentos. Em “The One”, ela rejeita o conceito de um amor verdadeiro, em meio a letras mais aguçadas. Novamente, ela soa nostálgica graças a produção inspirada nos anos 80. Na superfície não há nada de poderoso sobre sua voz, mas ela destaca-se pela composição global. Igualmente à “First Time”, os fãs tiveram oportunidade de ouvir “Fever” um tempo atrás. A canção havia sido incluída no “Emotion Remixed +” – álbum lançado exclusivamente no Japão em março desse ano. Apesar de ser uma peça mais discreta, é uma balada liricamente e musicalmente encantadora que apresenta sentimentos unilaterais depois de uma separação“Então eu roubei sua bicicleta / E pedalei a noite toda”, ela canta no mágico pré-refrão.

“Body Language”, por sua vez, possui letras carregadas de ansiedade – uma canção sobre a necessidade de ficar com alguém. Como boa parte do EP, ela também possui influências dance do final dos anos 80. Esse toque dá uma sensação brilhante para grande parte da música. “Cry” é inegavelmente um dos momentos mais encantadores do álbum. Uma balada midtempo temperamental, escura e carregada de melancolia. As letras falam sobre um parceiro que está distante e não pode passar uma noite com você. A nebulosa instrumentação é carregada por brilhantes sintetizadores e um bassline poderoso. Simplista em termos de composição, essa balada reminiscente emite vocais carregados de emoções. “Store”, por sua vez, possui letras divertidas que ilustram o fim de uma relação amorosa. Sua premissa é um pouco infantil e o refrão repetitivo e desprovido de conteúdo. No entanto, embora o refrão deixe a desejar, os versos são incrivelmente melódicos e cativantes. O EP fecha com a mágica “Roses”, canção sobre a decisão de não reatar um relacionamento amoroso. Ela apresenta diferentes métodos vocais, desde sussurros sensuais até uma natureza mais melancólica no refrão. “E•MO•TION: Side B” é a prova do talento da Carly Rae Jepsen, independentemente do seu sucesso nos charts musicais. Ela supostamente escreveu mais de duzentas canções para o seu terceiro álbum, por isso resolveu divulgar mais oito delas para o público. Apesar de todas as faixas conter um pano musicalmente semelhante, o registro não é repetitivo. Percorrendo um caminho inspirado na música oitentista, o EP apresenta canções tão grandes quanto as que fizeram parte do álbum.

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Favorite Tracks:

“Higher” / “Fever” / “Cry”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.