Review: Camila Cabello – Camila (2018)

O primeiro álbum solo da Camila Cabello é bem-sucedido e consegue mostrar todo o seu talento e carisma. Ele foi lançado na sequência do enorme sucesso da fabulosa “Havana”.

Depois de deixar o grupo Fifth Harmony em dezembro de 2016, Camila Cabello começou a preparar-se para sua carreira solo. Em meados de 2017, a cantora nascida em Cuba divulgou o seu single de estreia, “Crying in the Club”. Apesar de ser uma boa música, seu desempenho comercial foi muito abaixo do esperado. Ela falhou em atender às expectativas porque parecia que Cabello estava rastejando nota por nota. Faltava história, personalidade e carisma. Mas sem mostrar qualquer desânimo, ela resolveu lançar a maravilhosa “Havana” ao lado do rapper Young Thug. O título é uma referência a capital de Cuba e também ao local de nascimento da própria cantora. Diferentemente de “Crying in the Club”, o novo single obteve um excelente desempenho comercial, alcançando o número #1 em diversos países ao redor do mundo. Foi um acerto e tanto, pois mudou completamente o rumo de sua carreira. Aproveitando-se do impacto de “Havana”, Cabello resolveu lançar o seu álbum de estreia em janeiro de 2018. Chamado apenas de “Camila”, o álbum possui dez faixas inegavelmente pessoais que exploram temas como amor, perda, amizade, desgosto e crescimento. Inicialmente, o disco iria chamar-se “The Hurting. The Healing. The Loving”, mas teve o seu título alterado e indicou algumas mudanças no processo criativo. Faixas promocionais lançadas anteriormente, como “Crying in the Club”, “I Have Questions” e “OMG” não foram incluídas no álbum.

“Camila” é um registro elegante, refrescante e principalmente pop, com elementos de música latina, reggaeton, R&B e hip-hop. O talento para o dramático sempre foi uma de suas maiores forças. E muitas vezes a intensidade emocional de seu canto compensa o volume e a densidade de sua voz. “Never Be the Same”, por exemplo, inicia o álbum da melhor maneira possível. Uma balada simplista, doce e reflexiva de pop e R&B que nos atinge logo na primeira escuta. Começando com um falsete familiar, esta canção experimenta uma mistura de sons e letras que aparecem com frequência no decorrer do repertório. Sua vibe é bastante diferente de “Havana”, mas é tão boa e emocionante quanto. O refrão possui notas altas, tambores expansivos, efeitos ecoados e mostra com propriedade a potência do seu alcance vocal ilimitado. Sua interpretação está incrivelmente sentimental, emocional e apaixonada. “E eu sou uma idiota apaixonada pelo jeito que você se move amor / E eu poderia tentar fugir, mas seria inútil / Você é culpado / Apenas uma dose de você e eu soube que eu nunca, nunca mais seria a mesma”, ela canta no refrão. A produção de “Never Be the Same” é mais acentuada do que “Havana”, mas não soa exagerada. Uma música que nos mostra um lado completamente diferente da Camila Cabello como artista. Em vários momentos, ela usa o registro mais alto de sua voz e nos atinge com notas perfeitas. “Assim como nicotina, heroína, morfina / De repente, sou uma viciada e você é tudo o que preciso”, ela canta apaixonadamente no pré-refrão. A própria cantora descreveu “Never Be the Same” como a melhor coisa que ela escreveu até agora.

Nos levando para uma direção musical diferente, Cabello nos seduz facilmente com sua entrega ligeiramente vulnerável. Juntamente com os tambores e o baixo, os sons eletrônicos ficaram perfeitamente casados com os seus impressionantes falsetes. “All These Years” é um número de R&B sobre o amor e a luxúria. Outra balada agradável com ótimos efeitos tridimensionais sobre sua voz. Desta vez, a produção possui apenas toques de violão e vocais vulneráveis. “Pois depois de todos esses anos / Eu ainda sinto tudo quando você está por perto / E foi apenas um “olá” rápido / E você já tinha que partir / E você provavelmente nunca saberá / Que você é o único / Para mim depois de todos esses anos”, ela canta no refrão exalando um senso de maturidade. A partir daqui, o álbum continua crescendo à medida que sons latinos invadem “She Loves Control”. Uma música edificante com linhas de baixo mais elevadas, fortes tambores, toques de salsa, guitarras de estilo flamenco e letras como: “Cresci no Sul de Miami / Eu estava lá quando você me encontrou”O conhecido huge hit “Havana” é relativamente descontraído, sensual, misterioso e cheio de promessas. Liricamente, Camila Cabello presta devidas homenagens à sua herança cubana. Apesar de algumas letras não possuírem um excelente artefato criativo, o refrão e o conceito por trás compensam isso. Os versos do convidado Young Thug esfriam um pouco a intensidade da música, mas isto não apaga sua qualidade. As habilidades vocais da Camila realmente aumentam a singularidade e o aspecto cultural da canção.

“Havana”, o seu local de nascimento, tem uma conexão profunda com ela e o amor que a mesma deixou para trás em sua terra natal. Podemos notar isso quando ela canta de forma cativante: “Metade do meu coração está em Havana”. Esse verso permite que ela exiba uma visão mais pessoal, pois é uma música latina que fala um pouco sobre sua história de vida. É refrescante saber que mesmo sendo tão jovem, ela conseguiu escrever e executar algo tão maduro. Da mesma forma que “She Loves Control” e “Havana”, “Inside Out” também possui influências latinas. Cordas de piano e bateria de aço exalam uma sensação reggae, enquanto as letras estão cheia de sentimentos românticos. “Consequences” é absolutamente emocional e provavelmente a música mais reveladora do álbum. Uma balada de piano extremamente pessoal que discute alguns problemas frágeis. “Perdi um pouco de peso porque não estava comendo”, ela canta ao descrever um período ruim de sua vida. “Real Friends”, por sua vez, é uma canção acústica conduzida apenas por uma guitarra. A sensação tropical e o sabor latino mais uma vez estão presentes. Liricamente, é uma canção honesta e reflexiva que aborda sua própria solidão. “Eu estou à procura de alguns amigos de verdade / Me pergunto onde eles estão escondidos / Toda vez que me abro para alguém / É quando descubro se eles valem a pena”, ela canta no refrão. “Something’s Gotta Give” possui um pouco de empoderamento por trás, pois ela canta sobre questões que as mulheres enfrentam.

Uma balada de piano sombria que soa tão convincente e reveladora quanto “Consequences”. Em seguida, ela fornece mais vibrações latinas durante o refrão de “In the Dark”. Uma canção que combina cativantes melodias com ótimas batidas e atraentes ganchos vocais. Tematicamente, Camila vagueia por toda a música apresentando seus pensamentos mais internos. A última faixa, “Into It”, mostra um lado mais sexy, confiante e determinado sobre o amor. Uma música pop sedutora, descontraída, espumosa e liricamente sensual, com belos vocais em falsete e forte produção eletrônica. Letras como – “Eu vejo uma cama king-size no canto, nós deveríamos estar nela / Todas as coisas que eu quero fazer com você são infinitas / Quero dizer, se você tá dentro, eu tô dentro” – representam o melhor de sua atitude irreverente e brincalhona. “Camila” é um álbum consistente, pessoal e muito coeso. Com este registro, ela provou que pode colher ótimos frutos em sua recente carreira solo. Camila Cabello e o seu time de produtores utilizaram técnicas de produção modernas, mas não de forma exagerada. A produção é relativamente modesta e orgânica, um ponto positivo para alguém tão jovem como ela. Certamente, “Camila” é uma estreia muito forte para uma artista que foi duramente criticada após deixar o grupo Fifth Harmony. Embora não seja absolutamente perfeito, é um álbum com um par de faixas carismáticas. Portanto, merece a atenção de qualquer ouvinte de música pop.

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Favorite Tracks:

“All These Years” / “Havana (feat. Young Thug)” / “Into It”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.