Review: Bon Iver – 22, A Million (2016)

“22, A Million” soa apenas como ele mesmo. Um disco maravilhoso que combina formas díspares – dentro e fora, acústico e digital, passado e futuro. É realmente impressionante, valeu a pena esperar.

Bon Iver é uma criação do cantor, compositor e multi-instrumentista americano Justin Vernon. Sua banda é atualmente formada por ele, Sean Carey, Matthew McCaughan, Michael Lewis e Andrew Fitzpatrick. Há nove anos, Vernon isolou-se por quatro meses em uma cabana de Dunn County, Wisconsin, e retornou com o incrível “For Emma, Forever Ago” (2008) – uma coleção de belas baladas acústicas. Com “22, A Million”, ele retoma as rédeas depois de cinco anos de ausência. Seu último disco, “Bon Iver” (2011), foi extremamente aclamado pela crítica, uma vez que esticou os limites da música folk e trouxe um tenor expansivo para um gênero tipicamente despojado. É um verdadeiro clássico moderno. Desde então, a banda entrou em hiato e lutou contra rumores de uma possível separação. Felizmente, Bon Iver está de volta com um novo projeto de dez faixas que soa surpreendentemente inovador e fresco. Todo o registro está cheio de efeitos excêntricos e títulos quase impronunciáveis. Mas a partir do momento que você começa a escutá-lo e deixa os sons incomuns te dominarem, você será capaz de reconhecer os talentos musicais do Bon Iver. O álbum noa leva para uma verdadeira viagem sonora, com melodias incrivelmente relaxantes e batidas eletrônicas arrojadas. Instrumentalmente, “22, A Million” é divergente de seus antecessores, embora nunca desvia-se da forma tonal estabelecida pela banda. Como esperado, as baladas ganham um tom mais sombrio. “Pode estar quase no fim”, Vernon canta na faixa de abertura. Em “22 (OVER S∞∞N)”, quase não escutamos sua bela voz natural.

Ele a distorce com efeitos eletrônicos e canta em falsete, enfatizando ainda mais às mágoas das letras. Esse profundo tom de lamento é um tanto quanto pesado, mas igualmente belo. Uma introdução única e emocionante com loops vocais e guitarras elétricas acentuadas por metais flutuantes. “10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄” é um dos momentos mais emocionantes e percussivos do disco. As letras emergem através do caos – fragmentadas pela poderosa modulação instrumental – enquanto trompas mantém a paisagem sonora. “715 – CRΣΣKS” é um número acapela completamente despojado – os vocais são multiplicados a fim de criar harmonias robóticas. Ela retrata a paranoia enquanto o auto-tune é utilizado para eliminar os instrumentos e retratar a sensação de isolamento. “33 “GOD””, “29 #Strafford APTS”, “666 ʇ” e “____45_____”, por outro lado, ilustram a auto-descoberta do Justin Vernon e pagam tributos às suas raízes folclóricas. “33 “GOD”” é a canção mais animada do repertório – guiada por ondas melódicas, teclados e percussões. Os rápidos e complexos tambores chegam a causar uma erupção sonora. O teclado relativamente simples parece um pouco estranho, mas não prejudica o fluxo. “29 #Strafford APTS” retrocede as coisas com sua guitarra acústica familiar reminiscente do “Bon Iver” (2011). “666 ʇ”, por sua vez, é uma das canções mais convencionais do LP. Ela apresenta apenas um timbre de sintetizador distante embaixo de uma guitarra delicadamente arrancada do “For Emma, Forever Ago” (2008). Em seguida, “21 M♢♢N WATER” surge através da intemporalidade atmosférica.

Todos seus componentes são dispersos, à medida que surge um aumento de intensidade. Os vocais, o ritmo meditativo, as cordas e o saxofone ficam foram de controle, conforme o caos das letras tomam conta. O álbum flui através da variedade de estilo, tom e instrumentação. O uso dominante do saxofone em “8 (circle)” e os acordes de piano que carregam “00000 Million”, exemplificam a grande musicalidade da banda. “8 (circle)”, particularmente, sente-se como o verdadeiro clímax do disco. Os vibrantes vocais, que surgem como zumbidos pensativos, as linhas de sintetizador e a percussão, são surpreendentes. O saxofone, juntamente com os vocais, trabalham lado a lado para criar um clímax verdadeiramente épico. Em apenas 34 minutos, “22, A Million” conta histórias magistrais e inspiradoras, bem como apresenta uma sonoridade excepcionalmente estranha. A produção, muitas vezes desarticulada, oferece momentos deslumbrantes. Bela textura de instrumentos de metais, pianos frequentes e sintetizadores nebulosos permeiam por todo o registro. Os poucos momentos da guitarra acústica e do banjo nos lembram do seu som familiar. A mudança de estilo nos últimos oito anos é quase irreconhecível, pois Justin Vernon e companhia expandiram sua paleta sonora e criaram outro vasto e perfeito álbum. Os momentos em que o Bon Iver compromete-se com sua nova estética eletrônica, as amostras e modulações definem o tom das músicas. Na produção, Vernon mostrou o quanto é ousado e expressivo. “22, A Million” é uma obra-prima e um projeto magistral criado por um visionário artístico.

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    SCORE - 90%
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Favorite Tracks:

“33 “GOD”” / “29 #Strafford APTS” / “8 (circle)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.