Review: Ariana Grande – Dangerous Woman (2016)

Mesmo que os resultados sejam desiguais às vezes, Ariana Grande encontrou a mulher perigosa dentro de si e a libertou. É impressionante o quão ela habita o ambiente emocional de cada música, mesmo quando uma contradiz diretamente a outra.

Com o “Yours Truly” (2013), Ariana Grande fez uma transição bem sucedida de estrela de comédia teen para cantora respeitável. Musicalmente, ela está no seu melhor momento. Dois anos depois do lançamento do “My Everything” (2014) – que a colocou nos holofotes do mainstream – Grande sentiu-se confortável para compartilhar seu terceiro álbum de estúdio. Intitulado “Dangerous Woman”, ele conta com onze faixas na versão padrão e participações de Nicki Minaj, Lil Wayne, Macy Gray e Future. Originalmente chamado “Moonlight”, é um álbum pop e R&B com influências de dance-pop e house. Liricamente, Grande fala principalmente sobre amor e sexo de forma mais madura que nos álbuns anteriores. Ela serviu como produtora executiva ao lado de nomes como Max Martin, Ilya Salmanzadeh, Savan Kotecha e Peter Svensson. Ariana Grande pode ter sido prematuramente comparada com Mariah Carey, mas não dá para negar que ela é vocalmente talentosa. Seu alcance vocal, frequente uso do registro superior e o excesso de confiança nos melismas, permitiram tal comparação. “Dangerous Woman” é outra forte evidência do seu talento, pois é embalado por um som refinado, produção competente e perfeitos vocais. Apesar de não focar em um único gênero, criou bases para ela crescer como artista. Com 23 anos, ela é uma mulher mais madura e, como o título sugere, também perigosa. Após a ligeira falha de promoção com “Focus”, Grande trouxe um álbum que substitui sua inocente imagem por algo mais sensual e confiante.

É um álbum que mostra sua capacidade para tecer sobre diferentes gêneros sem perder a coesão. A primeira faixa, “Moonlight”, nos faz lembrar instantaneamente de “Honeymoon Avenue” – graças ao tom delicado e encantador. Uma das canções mais suaves, elegantes e românticas do repertório. Possui vibrações de doo-wop, cordas de violino, harpas e belíssimos vocais. Ela encaixa-se perfeitamente como a ponte entre o “My Everything” (2014) e o “Dangerous Woman”. Liricamente, define os sentimentos que vêm com o primeiro amor. A produção proporciona o cenário ideal para sua performance vocal apaixonada. A faixa-título foi lançada como primeiro single em março de 2016, conforme apresenta a nova imagem da Ariana Grande. Produzida por Max Martin, é uma canção midtempo de pop e R&B com um sensual solo de guitarra na ponte. Em suas letras, Grande aborda sua auto-confiança. “Algo em você / Faz eu me sentir uma mulher perigosa / Me leva a fazer coisas que eu não deveria”, ela canta no refrão. É uma música louvável guiada por um desempenho vocal sedutor e uma agradável linha de guitarra elétrica. Lançada como single promocional, “Be Alright” é um deep house descontraído e contagiante. Também possui influências de R&B e dance-pop, além de uma produção minimalista com notas de xilofone, batidas saltitantes e vocais sussurrados. Uma música sutil e aprazível, onde Ariana Grande apresenta o estado mais amadurecido de sua euforia. Em seu conteúdo lírico, a encontramos despreocupada e otimista.

Durante o primeiro verso ela canta: “Mas a luz do dia está tão perto / Portanto, não se preocupe com nada”. Ela está bastante confiante em seu relacionamento e tenta tranquilizar seu amante durante o refrão: “Querido, você só precisa se decidir / Que tudo vai ficar bem”. A quarta faixa, “Into You”, é um dance-pop com fortes elementos de EDM que salta em cima de poderosas batidas e pulsantes sintetizadores. Um número vintage e sensual com letras sugestivas onde ela atinge outro nível de emoção. Grande emite uma sensualidade sem precedentes. Liricamente, ela se apresenta de forma sexy, a fim de chamar atenção de um garoto. “Estou muito a fim de você, mal consigo respirar”, ela canta inicialmente. A música começa calma, mas com a chegada do estrondoso refrão, transforma-se completamente. “Menos conversa e um pouco mais de toques ao meu corpo / Pois estou muito a fim de você”, ela canta no refrão. Curiosamente, essa parte da música parece fazer referências à “A Little Less Conversation” (Elvis Presley) e “Touch My Body” (Mariah Carey). “Into You” é apaixonante e mostra uma boa parcela da sensualidade que você pode encontrar no álbum. Grande canaliza uma confiança preenchida por prazer e necessidade. Ademais, há uma quantidade certeira de batidas de EDM no refrão, algo que o torna matador e igualmente cativante. Em “Side to Side”, temos a participação da Nicki Minaj – uma canção tingida de reggae que canaliza suas influências caribenhas. É uma oferta hipnótica e envolvente que serve para mostrar o quanto ela é versátil.

Aparentemente, Grande tenta esconder uma relação passional com um garoto rebelde. Os vocais estão no ponto e a letra é um tanto quanto sugestiva: “Eu estive aqui toda a noite / Eu estive aqui o dia todo / E garoto, você me deixou querendo mais”. “Let Me Love You”, com Lil Wayne, surge através de uma vibração slow jam e produção sedutora. Uma canção de R&B escura, abafada e sexy com algumas batidas de trap em seu interior. Ariana Grande conta que acabou de terminar com um garoto, e agora está à procura de um novo amor: “Acabei de terminar com meu ex-namorado / Agora estou aqui solteira, não sei o que acontece agora / Mas nem estou preocupada, vou ficar na boa e relaxar / E eu sei que eles virão”. Aparentemente recuperada do seu rompimento, ela está dedicada a ficar com o próximo cara que chamar sua atenção. Com o apoio de uma batida sedutora, acordes de piano, baixo profundo e lenta progressão, Grande mostra mais dos seus vocais sussurrados. Mesmo sendo um recurso desnecessário, Lil Wayne combinou com a atmosfera da música. “Greedy” é excepcionalmente cativante e uma das melhores faixas do álbum. Um número disco-pop brilhante com inspiração R&B, funk e jazz, e um sulco incrivelmente contagiante. É uma combinação sólida de novos e antigos sons, com um dos melhores momentos vocais do álbum. Seu alcance vocal está impressionante e atinge notas altas de forma muito efetiva, mesmo com as mudanças de tempo inesperadas.

Enquanto é uma canção uptempo, “Greedy” é potencializada por excelentes batidas, baixo intenso e instrumentos de metais. Dessa vez, Grande está completamente obcecada pelo amor de um garoto – ela quer mais e mais dele. “Eu não estou falando de dinheiro / Eu só sou fisicamente obcecada / E eu sou gananciosa / Você sabe que eu sou gananciosa por amor”, ela canta. A colaboração com Macy Gray em “Leave Me Lonely” pode ter sido inesperada, mas suas vozes funcionaram surpreendentemente bem juntas. Uma bela e sensual canção sobre a solidão e os perigos do amor – um tema maduro recém-descoberto por Ariana Grande. Com seu tom rouco e completamente sexy, Macy Gray abre a canção cantando: “Amor perigoso / Você não é bom pra mim, querido”. Sua contribuição soulful é um dos principais destaques da faixa. Uma balada simplista e obscura com produção inspirada na década de 60. Mais tarde, Grande canta corajosamente: “Então, quando você sair por aquela porta / Não volte nunca mais”. Apesar de ser repetitiva e sem qualquer complexidade lírica, “Everyday” é uma das faixas mais cativantes do repertório. Sua progressão realmente lhe permite brilhar, uma vez que possui um grande charme. A música em si acaba sendo mais explícita e sexual do que deveria. Future fornece um verso de rap e injeta um tom agressivo durante o repetitivo refrão – enquanto há batidas de trap e sintetizadores no meio do caminho. “Toda vez que estou sozinha / Não consigo evitar de pensar em você”, Grande canta na primeira linha.

A melodia é incrivelmente fabulosa, ao passo que a produção é dividida entre o electropop, R&B e hip-hop. “Bad Decisions” é outra canção extremamente cativante – uma oferta sólida de R&B e hip-hop que tenta resumir toda a premissa do álbum e possui vibrações que lembram o “My Everything” (2014). O lirismo atrevido a encontra cantando sobre suas más decisões. Além das batidas em potencial, alguns licks de guitarra auxiliam os vocais. Aqui, encontramos linhas como: “Já viu uma princesa se tornar uma vadia má?”. Não é uma música com apelo para single, mas deve se tornar uma das preferidas dos fãs. “Thinking Bout You” é uma balada arejada com natureza inevitavelmente sensível. Ela permite Ariana Grande mostrar mais dos seus vocais conforme o álbum chega ao fim. Um número melancólico, mas ao mesmo tempo belo e eufórico. “Eu não tenho você aqui comigo / Mas ao menos te tenho nas minhas lembranças”, ela anseia. “Dangerous Woman” exibe sua versatilidade enquanto caminha por diferentes gêneros como o soul, reggae, funk, disco, house e jazz. Com este álbum, Ariana Grande nos deu a oportunidade de conhecer o seu lado mais sensual, maduro e honesto. Aparentemente, ela trabalhou para melhorar sua dicção e a forma como canta, uma vez que está muito mais agradável. “Dangerous Woman” pode ter sofrido alguns contratempos durante seus estágios iniciais, uma vez que “Focus” não está na tracklist. Felizmente Ariana Grande e seus produtores reuniram uma coleção consistente e entregaram algumas das melhores músicas de sua carreira.

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Favorite Tracks:

“Dangerous Woman” / “Into You” / “Greedy”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.