Best New Music: Elza Soares – Banho

Lançamento: 18/05/2018
Gênero: Samba Rock
Produtor: Guilherme Kastrup
Compositores: Tulipa Ruiz e Elza da Conceição Soares.

Em 1999, Elza Soares foi nomeada a cantora brasileira do milênio pela BBC Radio, um título que não foi dado à toa. Ela é uma lenda do samba e, mesmo com 81 anos de idade, ainda possui uma voz imaculada. No álbum “A Mulher do Fim do Mundo” (2016), ela se reinventou e entregou um dos melhores discos da sua carreira. Neste projeto, ela viajou por ruídos angustiantes e ritmos afro-brasileiros, além de ser surpreendentemente influenciada pelo punk-rock. Um disco socialmente engajado e conduzido por uma instrumentação experimental. Depois do enorme sucesso crítico de “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), Elza Soares retornou em 2018 com um novo disco. Mais uma vez, a cantora foi acompanhada pelo produtor Guilherme Kastrup e os músicos Romulo Fróes, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci. “Deus é Mulher” (2018) é um registro que exalta com propriedade o poder feminino. Como a própria Elza disse, esse “novo trabalho sugere o nascimento de uma nova era, conduzida pela energia feminina”. Provavelmente, a faixa de maior destaque deste novo álbum é “Banho”, canção escrita por Tulipa Ruiz.

Considerando o nome do álbum, a contribuição da Tulipa parece essencial para abordar o tema subjacente de todo repertório. Esta faixa possui uma atitude poderosa, conforme os vocais estão melhores do que nunca. Aqui, a diva brasileira foi acompanhada pela explosiva percussão do Ilu Obá de Min, um coletivo paulista formado apenas por mulheres negras. Foi uma escolha perfeita, uma vez que todas as músicas do álbum celebram o poder feminino. Mesmo aos 81 anos, Elza não tem medo de falar sobre sexo e orgasmo. “Misturo sólidos com os meus líquidos / Dissolvo pranto com a minha baba / Quando tá seco logo umedeço / Eu não obedeço porque sou molhada”, ela canta aqui. “Banho” é uma faixa explícita e vulnerável, ao passo que Elza Soares está igualmente sofisticada e raivosa. “Enxáguo a nascente e lavo a porra toda / Pra maresia combinar com o meu rio, viu / Minha lagoa engolindo a sua boca / Eu vou pingar em quem até já me cuspiu, viu”, ela canta sob um cativante coral feminino. Enquanto isso, ao lado da percussão estrondosa, a linha de guitarra permanece refinada e os sintetizadores arrebatadores. É incrível como Elza Soares continua evoluindo mesmo depois de décadas!

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.