Review: Vance Joy – Nation of Two (2018)

Lançamento: 23/02/2018
Gênero: Indie folk, Indie pop, Folk rock
Gravadora: Liberation Music
Produtores: Ryan Hadlock e James Keogh.

Embora possua algumas faixas cativantes, o novo disco do australiano Vance Joy contém um quinhão de clichês e melodias demasiadamente repetitivas.

Pcantor australiano James Keogh, mais conhecido por Vance Joy, retornou em 2018 com seu segundo álbum de estúdio, “Nation of Two”. Nos últimos anos, ele chegou ao estrelato graças ao sucesso de “Riptide” e, consequentemente, do disco “Dream Your Life Away” (2014). De acordo com Vance Joy, o seu novo álbum “descreve um casal perfeitamente auto-suficiente” e, conceitualmente, se concentra nos altos e baixo do seu relacionamento. Não dá para negar que o músico sabe como escrever canções folk delicadas e com letras ocasionalmente pensativas. Entretanto, embora “Nation of Two” não seja necessariamente ruim, ele é amplamente retido pela repetição e falta de originalidade. Depois de ouvir o disco por completo, você sente falta de algo mais desafiador. A maioria das canções soam exatamente como você esperaria do Vance Joy, ou seja, uma cópia de “Riptide”. Além disso, a disparidade na qualidade das músicas é sentida nas letras clichês e reflexões sem profundidade. Devido à falta de equilíbrio inerente do repertório, é difícil imaginar este disco fazendo sucesso. Ao longo do repertório, temos várias canções que começam com uma melodia no violão antes de adicionar a bateria e o trompete. Sua voz é agradável e suave, porém, ele nem sempre é capaz de colocar emoção nas músicas.

Portanto, apesar de “Nation of Two” manter o mesmo estilo musical do seu primeiro álbum, com riffs de ukelele e violões, a produção soa datada e maçante. Aliás, até as músicas mais suaves e emotivas são vítimas de letras clichês. Embora ele seja honesto, a maior parte do álbum é mediana e não há muito o que apreciar além de canções genéricas de indie-folk. O registro abre com “Call If You Need Me”, que equilibra um ritmo de condução com vocais levemente ásperos e toques de guitarra. Essa canção prepara o palco para o restante do álbum. Infelizmente, letras como, “Eu te amo pela manhã quando o sangue corre por suas bochechas / Amor, você é a primeira e a última coisa que eu veria”, revelam um tom meio banal. O primeiro single, “Lay It on Me”, é mais otimista e cativante. O violão, a forte batida e o brilhante trompete conseguem expressar o desejo de cada palavra que o músico canta. Há muitos altos e baixo nesta canção, mas certamente é a mais irresistível do repertório. O próximo single, “We’re Going Home”, é uma faixa de rock-alternativo com apenas uma guitarra acústica tocando suavemente ao fundo. Da mesma forma que “Lay It on Me”, vai acrescentando instrumentos como bateria e trompete, e constrói um clima alegre e vibrante. O piano dá à música um novo contraste, já que as letras são espirituosas e a instrumentação é simples. A quarta faixa, “Saturday Sun”, fala sobre um amor não correspondido, mas a repetição sem sentido prejudica o seu andamento.

Nesta canção, Vance Joy traz de volta o mesmo ukelele que lhe deu fama em “Riptide”. Embora as músicas tenham uma sensação parecida, “Saturday Sun” se comporta de maneira diferente. A seção intermediária do álbum fornece faixas mais discretas como “I’m with You”. Quando Joy canta, “Minha querida, eu estou pronto para explodir em chamas por você”, ele soa convincente. Da mesma forma, “Like Gold” possui uma profundidade real, à medida que Joy transmite resignação, amargura e tristeza ao mesmo tempo. Enquanto isso, a intensidade de “Crashing Into You” é temperada por uma abordagem moderada e romântica. Dessa vez, ele incorporou uma bateria mais forte e longos trechos instrumentais. Seu único ponto negativo são às metáforas bregas e clichês, algo que ouvimos com frequência no decorrer do álbum. Inesperadamente, “Little Boy” conta a história de um garoto que sofreu um acidente. Ela se destaca por afastar-se das outras faixas do registro, além de fornecer referências nostálgicas da infância. O LP chega ao fim com “Where We Start”, uma canção que o resume adequadamente. Sua melodia de guitarra destaca a qualidade dos vocais do Vance Joy, enquanto o simples arranjo tenta resgatar a emoção das letras. Embora possua algumas faixas cativantes, apoiadas por riffs de ukelele, “Nation of Two” contém um quinhão de clichês e melodias demasiadamente repetitivas.

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Favorite Tracks:

“Lay It on Me” / “We’re Going Home” / “One of These Days”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.