Review: U2 – Songs of Experience (2017)

Lançamento: 01/12/2017
Gênero: Pop Rock
Gravadora: Interscope Records / Island Records
Produtores: Jacknife Lee, Ryan Tedder, Steve Lillywhite, Andy Barlow, Jolyon Thomas, Brent Kutzle, Paul Epworth, Danger Mouse e Declan Gaffney.

Lançado em 01 de dezembro de 2017, “Songs of Experience” é um complemento para o disco anterior do U2, “Songs of Innocence” (2014). Mas, enquanto o antecessor explorou a adolescência da banda durante os anos 70, “Songs of Experience” é tematicamente uma coleção de cartas escritas pelo vocalista Bono Vox. Em comparação com o lançamento gratuito do “Songs of Innocence” (2014) na iTunes Store, a promoção deste novo álbum foi bem mais discreta. Portanto, “Songs of Experience” foi divulgado de forma padrão sem qualquer truque ou grande jogada de marketing. U2 é um quarteto irlandês que sempre usou seu coração nos projetos que criou e já possui uma carreira de quase 40 anos. Eles tinham uma forte seriedade na década de 80, que foi misturada com uma certa arrogância na década de 90 e esperança no começo dos anos 2000. Entretanto, a partir dessa década os fãs e críticos tiveram problemas para lidar com o novo U2.

Depois de terminar a extremamente bem-sucedida “U2 360° Tour” em 2011, que serviu para promover o álbum “No Line on the Horizon” (2009), a banda teve dificuldades para se impor na década de 2010. Musicalmente, a banda definitivamente precisa de algo novo, entretanto, com exceção das referências contemporâneas eles parecem presos no passado. Embora esteja repleto de sinceridade e consciência social, “Songs of Experience” mostra que o U2 perdeu o senso de criatividade. Eles estão muito longe da banda que eram antigamente. Com 51 minutos de duração e treze faixas, o álbum sacrifica qualquer coesão sonora e trabalha em cima de ideias aleatórias. A seleção de produtores certamente não colaborou para criar algo coeso. Entre os nomes por trás dos bastidores, temos Ryan Tedder da banda OneRepublic, Paul Epworth, Danger Mouse e Jacknife Lee. Dito isto, o álbum começa de forma promissora com a experimental “Love Is All We Have Left” e a excitante “Lights of Home”.

Entretanto, para ser franco, a maior parte do registro soa inacabada. Dada a produção questionável, que inclui letras clichês sobre o atual clima político, isto não é surpreendente. Inspirada pelo recente contado de Bono com a mortalidade, “Lights of Home” fornece guitarras distorcidas de The Edge, fortes tambores de Larry Mullen Jr. e vocais de apoio do trio HAIM. “Não deveria estar aqui porque eu deveria estar morto / Posso ver as luzes na minha frente / Eu acredito que os meus melhores dias estão à frente”, Bono canta na introdução. Co-escrita por Alana Haim, Danielle Haim, Este Haim e Ariel Rechtshaid, “Lights of Home” é facilmente uma das melhores faixas do álbum. O primeiro single do disco, “You’re the Best Thing About Me”, é um faixa pop-rock aparentemente inspirada pelo comentário que o jornalista irlandês Eamon Dunphy fez para Bono (“a melhor coisa sobre você é sua esposa”). O refrão é adequadamente contagiante, entusiasmado e contém a vitalidade dos primeiros trabalhos da banda.

Embora utilize uma fórmula previsível, poderia ser tocada ao lado de hits antigos como “Beautiful Day” e “Vertigo”. As letras do segundo single do álbum, “Get Out of Your Own Way”, por sua vez, são dirigidas às filhas de Bono. Desta vez, a banda tentou agitar as coisas com uma batida eletrônica e versos de Kendrick Lamar. A canção abre de forma misteriosa e, posteriormente, é acompanhada por guitarras acústicas. O refrão é simples, cativante, possui adequados vocais de fundo e uma enorme sensibilidade pop. Kendrick Lamar fornece uma boa adição após o refrão inspirador. Esta é a segunda vez que Lamar e U2 trabalham juntos, uma vez que os irlandeses fizeram uma participação no álbum “DAMN.” (2017). As duas linhas iniciais de Lamar durante “American Soul” fazem parte, na verdade, do final de “Get Out of Your Own Way”. Apesar de ser pouco convincente, é uma canção com guitarras distorcidas e tratamento de produção mais rígido.

A próxima faixa, “Summer Love”, possui um senso sonoro mais despreocupado, guitarras acústicas e inclui vocais de apoio de Lady Gaga. “Red Flag Day”, por outro lado, é um número embaraçoso com elementos de reggae e letras sobre a crise dos refugiados. Enquanto isso, “The Showman (Little More Better)” fornece uma melodia pop acústica e muito animada. Desta vez, a banda foi auxiliada por uma seção de metais, entretanto, não dá para negar que, sonoramente, é uma canção constrangedora e inacabada. Um dos pouco destaques do repertório é “The Little Things That Give You Away”, que finalmente mostra o U2 com total controle sobre o som e as letras. É uma canção igualmente bonita, discreta e emocional que, surpreendentemente, me fez recordar de álbuns como “The Unforgettable Fire” (1984) e “The Joshua Tree” (1987). Enquanto “Landlady” possui uma bateria boring e faz um pedido de desculpas à esposa de Bono, “The Blackout” é impulsionada pelos sons de guitarra da era “Achtung Baby” (1991).

Esta faixa chama atenção justamente por causa da guitarra e o peso da percussão, pois as letras são muito superficiais. O pulso eletrônico e o gancho melódico também podem despertar atenção por causa da sensibilidade pop. U2 encerra o disco com o clímax discreto da guitarra de “13 (There Is a Light)”, enquanto liricamente toca no mesmo terreno de “Song for Someone”, faixa do álbum anterior. Mesmo com a intenção de capturar o atual clima político, as letras do “Songs of Experience” são o maior erro do álbum. É perceptível que a banda se esforçou para criar este LP, no entanto, eles não tem nada de novo a dizer, além de reproduzir o discurso de outras pessoas. Não é um fracasso, o único problema é que a banda tentou dizer muito, porém, acabou não dizendo nada demais. O resultado final mostrou que a ambição do grupo não combina mais com sua capacidade artística. Dito isto, “Songs of Innocence” foi provavelmente o primeiro álbum do U2 que não obteve qualquer entusiasmo em cima do seu lançamento.

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Favorite Tracks:

“Love Is All We Have Left” / “Lights of Home” / “The Little Things That Give You Away”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.