Review: Ty Segall – Freedom’s Goblin (2018)

Lançamento: 26/01/2018
Gênero: Garage rock, Rock psicodélico, Indie rock
Gravadora: Drag City
Produtores: Ty Segall e Steve Albini.

Ty Segall nunca fez um disco verdadeiramente ruim, e isso permanece intacto com o Freedom’s Goblin. Um registro que celebra a liberdade que ele esculpiu para si mesmo.

Desde 2008, Ty Segall já lançou um total de nove álbuns de estúdio. Isso significa que ele lança praticamente um disco diferente por ano. E, além disso, também possui uma série de EPs e um registro em homenagem a Marc Bolan em sua discografia. Consequentemente, podemos concluir que Ty Segall é muito ativo e não para de criar música um momento sequer. Em sua carreira, ele já explorou diferentes gêneros musicais, como o garage-rock, surf-rock, punk-rock, rock-psicodélico, glam-rock, indie-rock e o folk-rock. Segall foi capaz de trabalhar uma infinidade de influências, muitas das quais não fazem sentido quando estão juntas. As expectativas para o seu nono álbum de estúdio, intitulado “Freedom’s Goblin”, eram relativamente altas, dada a qualidade dos singles lançados inicialmente. Como maior parte da carreira solo de Segall, este registro não pode ser definido com a devida clareza. Há uma enorme quantidade de canções por aqui, portanto, pode demorar um pouco para ele ser explorado completamente. Em incríveis dezenove faixas, algumas delas com mais de seis minutos de duração, “Freedom’s Goblin” foi gravado em cinco estúdios e organizado por Steve Albini, F. Bermudez, Boo Mitchell e pelo próprio Ty Segall. No geral, ele impôs uma série de combinações pouco convencionais e uma infinidade de instrumentos e estilos num só lugar. “Fanny Dog”, a primeira faixa do repertório, é polvilhada com sintetizador Rhodes, guitarra elétrica e uma seção de trompas. Liricamente, é sobre o cachorro de Ty Segall, por isso é uma canção tão efervescente e interessante.

A consideravelmente mais sombria “Rain”, é uma música guiada pela melancolia, mas que termina com uma nota esperançosa. Uma grande balada de piano com tambores ameaçadores, sons orquestrais e preenchimentos mais pesados. Aqui, os vocais estão frios, machucados e emocionalmente mais distantes. A faixa seguinte, “Every 1’s a Winner”, é uma boa reinterpretação do hit de 1978 da banda britânica Hot Chocolate, com duas guitarras distorcidas em primeira plano. Uma obscura e cativante canção de rock clássico de ritmo acelerado e vocais em falsete. Enquanto a energética “When Mommy Kills You” fornece um conteúdo mais livre e vibrante, “Meaning” é um furioso banger de punk-rock. Um faixa cheia de distorções e sensibilidade lo-fi com auxílio da esposa de Segall nos vocais. Ela abre com bateria e ruídos de guitarra antes de mudar completamente de forma. Os chamativos vocais de Denée, esposa de Ty Segall, ajuda a transformá-la num verdadeiro hino feminista. Mais tarde “Cry Cry Cry” é apresentada com adequados violões de aço, harmonias cintilantes e elementos de música country. “Shoot You Up”, por sua vez, é uma faixa mais previsível com acordes violentos, vocais arrastados e riffs xaroposos. Mas, embora seja previsível, é uma faixa um tanto infecciosa e, provavelmente, deve ter agradado os fãs old-school. “You Say All the Nice Things” oferece uma melodia de baixo, à medida que a guitarra aparece em conjunto. Mais uma vez, os sinceros vocais de Ty Segall conseguem acentuar a melancolia das letras. “Você realmente quer estar comigo? / E você realmente quer ficar comigo?”, ele questiona.

A sensibilidade pop das composições de Segall é algo aparente em quase todas as músicas do repertório. As camadas vocais, o violão e a guitarra são perfeitamente balanceados com distorções e experimentações. Essa qualidade é muito óbvia em faixas como “My Lady’s on Fire”, “The Last Waltz” e “5ft Tall”. Aliás, essas três músicas me fizeram lembrar dos Beatles, seja pela inflexão vocal de Segall ou a maneira como elas são apresentadas. “She” é outra faixa pesada com sensação lo-fi embalada pela energia frenética dos instrumentos. Pesada em sua instrumentação e leve nos vocais, “She” é polvilhada com as raízes de heavy-metal de Ty Segall. Antes do final do álbum, “Talkin 3” fornece uma experimentação com saxofone que, consequentemente, permanece durante a soberba “The Main Pretender”Por ser tão simples, “I’m Free” acaba tornando-se imensamente agradável. Ela lembra o fantástico “Rubber Soul” (1965) dos Beatles, com uma progressão de acordes espelhada em “You Won’t See Me”. Também é a única faixa do álbum em que Ty Segall realiza todas as notas. Por fim, o disco termina apropriadamente com “And, Goodnight”, uma jam de 12 minutos de duração onde a banda do cantor dá o melhor de si. É uma bela canção de despedida do álbum, mesmo com o seu enorme tempo de execução. Honestamente, este registro possui uma mistura que no papel não deveria funcionar. Entretanto, é um projeto genial e muito interessante. “Freedom’s Goblin” mostra a maturidade de Segall como escritor e músico, além de sua vontade de impulsionar seus próprios limites artísticos. Além de apresentar uma vasta influência de icônicas bandas de rock, “Freedom’s Goblin” é um disco cheio de vitalidade e profundidade.

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Favorite Tracks:

“My Lady’s on Fire” / “I’m Free” / “5ft Tall”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.