Review: Tory Lanez – MEMORIES DON’T DIE (2018)

Lançamento: 02/03/2018
Gênero: Hip-Hop, R&B, Dancehall
Gravadora: Mad Love / Interscope
Produtores: Play Picasso, Tory Lanez, AraabMuzik, Benny Blanco, BobbyMadeTheBeat, C-Sick, Cashmere Cat, Christian Lou, Dr. Zeuz, EC Fresco, Happy Perez, Lavish, Mansa, Nick Fouryn, OG Parker, Sean Myer, Sergio R., Smash David e SkipOnDaBeat.

Dois anos depois de lançar o seu álbum de estréia, “I Told You” (2016), Tory Lanez divulgou o seu segundo material. Em “MEMORIES DON’T DIE”, ele apresenta artistas como Future, 50 Cent, Fabolous e Wiz Khalifa. Além disso, sua equipe é composta por produtores como Play Picasso, C-Sick, OG Parker, AraabMUZIK, Nick Fouryn e Smash David. O jovem de 25 anos é conhecido por sua mistura de vários estilos e sons. Quando não está fazendo R&B, ele está produzindo hip-hop ou dancehall. No decorrer de dezoito faixas, ele apresenta rimas, jogos de palavras, duplos sentidos e muitas metáforas. O problema é que “MEMORIES DON’T DIE” é um registro recheado de imitações de outros artistas contemporâneos. E parece que o nome de Tory Lanez está sempre envolvido em alguma controvérsia. Desde acusações de roubo de batidas até sua suposta birra com o Drake. Este álbum soa mais polido em comparação ao seu antecessor, à medida que Tory Lanez flexionou mais uma vez sua versatilidade em favor de gêneros como R&B, trap, hip-hop, dancehall e até mesmo o pop. Ele é um cara talentoso, o problema é que não possui tanta criatividade. Ele é cantor e rapper, mas não consegue criar algo até ver alguém fazer isso.

Dessa forma, embora este disco possua músicas cativantes, não abre novos caminhos para ele. “Luv” e “Say It” são faixas muito infecciosas, mas seu álbuns completos são confusos, esquecíveis e cheios de preenchimentos desnecessários. E “MEMORIES DON’T DIE” encontrou uma maneira de correr menos riscos do que seu antecessor. Se Tory Lanez precisa de alguma coisa para apimentar o seu catálogo, isso seria a experimentação sonora e lírica. Desde as batidas pesadas em “B.B.W.W x Fake Show”, até os sons de dancehall de “4 Me” e “Skrt Skrt”, há um pouco de cada gênero neste álbum. “4 Me”, em particular, possui um gancho de R&B e incorpora uma instrumentação mais eletrônica. A produção é flexível, porém, não é isenta de grandes falhas. As faixas mais esquisitas são justamente as menos impressionantes. As músicas de hip-hop/rap são interessantes, no entanto, quando ele está cantando parece que está lutando para alcançar um padrão liricamente aceitável. O registro abre com “Memories”, uma apresentação quase imperceptível de 28 segundos do produtor Play Picasso, que antecede a faixa “Old Friends x New Foes”Esta canção de duas camadas, co-produzida por Lavish, apresenta um R&B mais ambiental, antes de fornecer uma pesada batida de hip-hop.

O primeiro single, “Shooters”, é uma das faixas mais cativantes. A melodia trap e os metais dão ao cantor um gancho mais pop orientado e radio-friendly. O terceiro single, “Real Thing”, com o rapper Future, fala sobre ter um relacionamento honesto que não depende do seu sucesso. “B.I.D”, abreviação para “Bust It Down”, é uma faixa trap produzida por OG Parker e Smash David, mais conhecido por singles como “Bounce Back” (Big Sean) e “Pills & Automobiles” (Chris Brown). “48 Floors” apresenta um suave rap do Mansa, um artista de 22 anos que estreou em 2016 com o single “Uncomfortable”. “Pieces”, com 50 Cent, conta a história de uma mulher do Brooklyn que foi estuprada por seu tio. Liricamente e inesperadamente, é uma peça mais substancial, honesta e convincente. “MEMORIES DON’T DIE” chega próximo do fim com mais uma canção de duas partes, intitulada “Happiness x Tell Me”. Uma música com quase 8 minutos de duração contada pelos olhos do próprio Tory Lanez. Através de uma narração de palavras faladas, ele pinta uma imagem para os ouvintes sobre a morte de sua mãe. Artistas como Tory Lanez possuem algumas canções de sucesso, porém, nem sempre eles conseguem reverter isso em criatividade. Este álbum, em particular, é tão mediano quanto o seu antecessor.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.