Review: Toni Braxton – Sex & Cigarettes (2018)

Lançamento: 23/03/2018
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Def Jam Recordings
Produtores: Toni Braxton, Paul Boutin, Frederik Ball, Antonio Dixon, Dapo Torimiro, Babyface, Stuart Crichton, Pierre Medor e Tricky Stewart.

Recentemente, Toni Braxton anunciou seu noivado com o rapper e produtor Birdman, um novo contrato com a Def Jam Recordings e a estreia da sexta temporada do “Braxton Family Values”. Ela está com várias novidades em sua vida profissional e pessoal. O seu novo álbum, o primeiro solo em oito anos, foi lançado em 23 de março de 2018. É como ler um diário pessoal de uma mulher que foi dolorosamente desprezada por alguém que ela pensava ser seu verdadeiro amor. “Sex & Cigarettes” lida com questões que envolvem um relacionamento amoroso, como traição, raiva, frustração e desgosto. Através das oito faixas do álbum, vemos Braxton tentando avaliar o que deu errado em sua vida amorosa, enquanto tentava consertar as coisas. Quase todo o repertório é formado por lentas canções de R&B e soul. Braxton fez sua carreira cantando baladas poderosas como “Un-Break My Heart” e, provavelmente, você conhece muitas delas. Portanto, neste novo álbum ela mostra o que sabe fazer de melhor. “Sex & Cigarettes” representa o primeiro álbum completo da cantora desde o seu dueto vencedor do Grammy com o colaborador de longa data Babyface.

Devo ressaltar que Toni Braxton soa muito bem nessas canções encharcadas de tristeza e lágrimas. Os arranjos não são exigentes, o repertório é doce e percorre apenas 30 minutos de duração. Certamente não é fácil ser uma artista de R&B em 2018 e, com três singles lançados anteriormente, os fãs experimentaram mais de um terço do álbum antes da sua divulgação. Apesar de ter anunciado seu noivado com o magnata Birdman, o álbum consiste inteiramente na melancolia. Desgostos românticos percorrem o “Sex & Cigarettes”, enquanto a cantora extrai dor e mágoa das letras. Para ser franco, não há nada fora do comum neste registro. No entanto, existem algumas faixas com ganchos melódicos, letras angustiadas e vocais enfumaçados que se unem perfeitamente bem. O primeiro single, “Deadwood”, é um número de R&B e soul acústico com uma leve pitada de country. A melodia balança suavemente, enquanto há um desafio silencioso para as letras, conforme Braxton afirma, “você me derrubou, mas eu não sai”. Sob toques de violão, percussão e riff de teclado, ela canta de forma robusta à medida que lindas cordas oscilam ao fundo.

Uma canção refinada que não ressuscita “Un-Break My Heart”, mas serve como lembrete do grande talento da Toni Braxton. “Deadwood” começa o álbum com um certo otimismo, algo que logo se dissipa. Mesmo aos 50 anos, Braxton permanece fiel a si mesma e não perde a batida em “Sex & Cigarettes”. Durante os versos, ela utiliza o seu registro mais baixo, o mesmo esfumaçado que compôs “Un-Break My Heart”. Mais tarde, depois de passar pelo pré-refrão, ela ascende o seu vocal mais agressivo no refrão. Sob acordes de piano, alguns sintetizadores e eventuais cordas, Braxton canta letras como: “Você me deixa louca, louca / Eu juro que você age como você me odeia, me odeia / Como você pode me dizer que eu te amo / Então faz as coisas que você faz? / Pelo menos tente e minta para mim, minta para mim / Em vez disso você vem direto para a nossa cama / Cheirando a sexo e cigarros”. É uma peça altamente eficaz e bem produzida que ilustra perfeitamente as emoções da cantora. Ela consegue transmitir repugnância e decepção pelo fato do seu parceiro não fazer qualquer esforço para esconder sua infidelidade.

Em “Long as I Live”, sua voz está ainda mais bela e cativante. Braxton soa tão refinada e vibrante quanto no passado. Sua voz sempre foi seu maior ponto de venda e ela demonstra isso perfeitamente bem neste álbum. Além de um elegante arranjo eletrônico, “Long as I Live” apresenta letras familiares sobre uma notável melodia. O refrão é absolutamente fantástico e, somando isso à grandeza dos vocais, Braxton conseguiu criar uma canção de R&B contemporâneo incrivelmente sólida. “FOH”, que significa Fuck Outta Here, possui inesperadamente cinco escritores e quatro produtores. Uma balada de piano padrão que traz os veteranos Babyface e Darryl Simmons na produção. Apesar da linguagem um pouco desnecessária, o rico tom vocal de Braxton ainda surpreende. Com 2 minutos e 47 segundos, é a música mais curta do álbum, mas uma das que causam maior impacto. Mantendo a consistência, “Sorry” se afasta das letras explícitas da faixa anterior e entra num território mais emotivo. Uma forte balada de R&B onde Toni Braxton ainda reside na zona de conforto. Entre os principais elementos, encontramos uma produção contemporânea e igualmente vintage, vocais de baixo registro, batidas de tambores e belas cordas orquestrais.

“My Heart”, com Colbie Caillat, é uma canção simplesmente deslumbrante. Mais uma vez, o trabalho de produção é simples e fornece toques de guitarra, piano e algumas cordas. Mas Braxton compensa com uma composição honesta e outra boa performance vocal. Em comparação com “My Heart”, a próxima faixa, intitulada “Coping”, soa um pouco mais moderna. Um número contemporâneo o suficiente, mas que não compromete o público mais velho de Braxton. No “Sex & Cigarettes” apenas uma faixa soa datada e é justamente a última delas, “Missin'”. Uma canção que entrega melodias familiares e uma produção que domina grande parte das músicas urbanas de hoje. Toni Braxton não tem nada a provar, mas “Missin” pecou pela influência dance e tropical. Em uma época em que álbuns mais longos retornaram, dada a dominação do streaming, Toni Braxton preferiu criar um disco com apenas 30 minutos de duração. Enquanto “Sex & Cigarettes” é curto, praticamente todas as faixas são consistentes. Ela pode não ter se reinventado, mas conseguiu fazer um retorno triunfante e extremamente envolvente.

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Favorite Tracks:

“Deadwood” / “Sex & Cigarettes” / “Long as I Live”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.