Review: Tom Walker – What a Time to Be Alive (2019)

Lançamento: 01/03/2019
Gênero: Indie pop
Gravadora: Relentless Records
Produtores: Mike Spencer, Jim Abbiss, Steve Mac, Hight, Jonathan Quarmby, Rudimental, Jesse Shatkin, JAE5 e Mark Ralph

“What a Time to Be Alive” poderia ter sido um álbum mais interessante se tivesse mais personalidade – nada foi criado ao acaso.

Em seu álbum de estréia, “What a Time to Be Alive”, Tom Walker assume um som pop que é tão sem graça como era no início dos anos 2000. Os temas abordados não são amplos, principalmente quando fala sobre problemas de relacionamento – com apenas uma música sendo reservada para comentar sobre um amigo que luta contra o abuso de drogas. O repertório tem praticamente a paisagem sonora e as letras de um álbum da Imagine Dragons. Dito isto, Walker também lembra o estilo rude de cantores como Rag’n’Bone Man, Nathaniel Rateliff e George Ezra – embora pareça o Sam Smith ou o líder da Lukas Graham quando canta baladas. Suas composições – e a produção do disco – cuidadosamente trilha um caminho em algum lugar entre o soul, folk, blues, reggae, rock e o gospel – sem nunca abraçar completamente qualquer um deles. Ainda assim, nessa variedade de sons em que alguém poderia se perder, sua personalidade continua sendo cativante. Moderno e barbudo, ele emergiu do anonimato com seu vocal único em uma demo intitulada “Just You and I” – que também é a décima primeira faixa do LP. Por trás desse compositor escocês, há um produtor premiado que transforma tudo em ouro. Steve Mac fez um nome para si mesmo produzindo faixas para Westlife, Leona Lewis e Susan Boyle. Foi ele que assinou, escreveu e produziu “Shape of You” do Ed Sheeran, um dos maiores hits do século.

A guitarra percussiva, característica do Steve Mac, toca sobre batidas de hip-hop e cadências vocais influenciadas pelo rap. Mas qual é o verdadeiro motivo do sucesso do Tom Walker? Bem, tudo depende da qualidade de sua voz. É um instrumento supremo e inegavelmente poderoso do seu ofício como cantor. “Leave a Light On”, que tem em média meio milhão de reproduções no Spotify por dia, é uma música esculpida para fazer a vida parecer cinematográfica. Uma balada eletrônica que o ajudou a levar para casa o BRIT Awards de “Melhor Revelação”. Em “Blessings”, temos um bom compositor trabalhando. Ele conseguiu inserir seriedade dentro de algo que possivelmente colocará um sorriso no seu rosto: “Contando nossas bênçãos, mas não nos leva muito tempo / Porque nossas vidas não são como um filme, ou uma música da Katy Perry”. E ele fez isso sem diminuir a emoção ou o humor da música. Nas mãos de outra pessoa ou com a batida errada, essa canção seria completamente arruinada. Em vez disso, é um dos poucos destaques de um álbum cheio fillers. Dentro da seção intermediária, ele se esforça para encontrar o ritmo. Em “Now You’re Gone”, ele parece que vêm trabalhando com Zara Larsson há anos. É indiscutível que há química e um certo potencial nesta faixa de R&B. A questão é que promete uma coisa que não consegue cumprir – o falsete questionável e a repetição quebra qualquer clima emocional.

A voz do Tom Walker se move sem esforço através de “Angels” – ele é um artista naturalmente emotivo, e derrama isso sobre esta canção que também trata-se do número de abertura. Liricamente, é sobre a crença de que trabalhadores devem receber mais amor, respeito e atenção social. Enquanto isso, “The Show” fala sobre esperar em uma longa fila para um show literal. Ela possui um ar old-school e fortes semelhanças com o material do Ed Sheeran, por isso a falta de personalidade. “Not Giving In” segue um padrão semelhante, embora apresente alguns dos seus melhores vocais. Dito isto, um dos principais problemas com o registro é a falta de autenticidade e originalidade. “Cry Out” ressoa sobre a banda Arctic Monkeys, ao passo que “How Can You Sleep at Night?” faz uso de guitarras que ecoam o U2. Em outros lugares, “My Way” é carregada por um sintetizador colorido emprestado de algum álbum da Imagine Dragons e “Fade Away” é acendida por uma falida orquestração cinematográfica. “Dominoes”, por sua vez, é severamente cansativa e só é salva pela habilidade vocal em exibição. Parece que até o final do álbum, Tom Walker ficou completamente sem ideias. Enquanto “What a Time to Be Alive” tem alguns destaques, é uma resposta estereotipada ao sucesso de “Leave a Light On”. O cara tem talento e consegue elevar seu vocal até mesmo nos piores momentos. No entanto, ele deveria manter suas raízes e seguir seu próprio conselho: faça do seu próprio jeito, não do jeito dos outros.

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Favorite Tracks:

“Leave a Light On” / “Blessings” / “Just You and I”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.