Review: Tinashe – Joyride (2018)

Lançamento: 13/04/2018
Gênero: R&B alternativo
Gravadora: RCA Records
Produtores: Tinashe, Trevor Jerideau, Mike Nazzaro, Ali Nazzaro, Floyd “A1” Bentley, Allen Ritter, BLWYRMND, Brilliance, Dre Moon, Felix Snow, Hitmaka, Mario Luciano, J. White, Joel Compass, Reckless, Ritz Reynolds, Soundz, StarGate, T-Minus e Wavy.

Nada aqui irá conseguir a popularidade de “2 On”, mas os destaques são preenchidos com detalhes ricos e refrões sedutores. Provavelmente, o seu único problema é a falta de ambição e coesão.

Onovo álbum da Tinashe, intitulado “Joyride”, foi afeado por vários contratempos. Ele foi anunciado pela primeira vez em 2015, depois adiado para os anos de 2016 e 2017. Por fim, só foi lançado oficialmente em abril de 2018, depois que Tinashe compartilhou alguns singles. Já fazem quatro anos desde que ela lançou o maravilhoso “Aquarius” (2014), mas ainda parece que Tinashe é nova na indústria da música. No final de 2016, ela lançou a mixtape “Nightride”, um projeto mais experimental e brilhante, onde teve total liberdade artística. “Aquarius” (2014) conseguiu apresentar um R&B alternativo muito cativante, mas será se “Joyride” é tão bom assim? Tinashe ficou mais conhecida por faixas como “2 On” e “All Hands On Deck”, enquanto a mixtape “Nightride” (2016) capitalizou seu talento de forma sensual e eletrizante. “Joyride” cai em algum lugar entre esses dois projetos, porém, falta a coesão e ambição de ambos. De certa forma, é compreensível que o “Joyride” não seja coeso, uma vez que ele foi constantemente modificado ao longo do seu período de gravação. Há três interlúdios espalhados pelo repertório, “Keep Your Eyes on the Road”, “Ain’t Good for Ya” e “Go Easy on Me”. O primeiro abre o álbum de forma misteriosa, mas não faz nada além de preparar o ouvinte para a próxima faixa. “Joyride” é uma das músicas mais antigas e uma das razões pelo atraso do álbum. Inicialmente, seria incluída no “Anti” (2016) da Rihanna, mas ela rejeitou e a devolveu para Tinashe.

É propositalmente uma faixa enganadora para aquelas que a seguem. Por causa da semelhança com o estilo musical da Rihanna, se encaixaria perfeitamente em um álbum como “Rated R” (2009) ou “Anti” (2016). A produção distorcida é grande e os vocais ligeiramente robóticos. É uma música que cresce em você a cada escuta e fornece uma vibração diferenciada. Há um tambor pesado que atua como uma espinha dorsal. Ele está presente na maior parte do tempo. É uma música com uma produção experimental e interessantes camadas vocais que lhe dão um pouco de profundidade. O electro-R&B “No Drama”, com participação de Offset, foi produzida pelo duo StarGate. Ela segue por uma veia similar, mas a presença do Offset introduz um pouco de arrogância. Seu som urbano contemporâneo é complementado por batidas de trap, um baixo pesado e leves sintetizadores. Assim como grande parte do álbum, “He Don’t Want It” não tem profundidade lírica. Mas mesmo assim, Tinashe oferece alguns dos seus melhores vocais e exibe um lindo registro superior. Infelizmente, ela não consegue impressionar na faixa “Ooh La La”. Ela desacelerou o ritmo e optou por uma premissa muito básica. As molas da cama rangendo são irritantes e desnecessárias para se dizer o mínimo e, no geral, parece uma reimaginação frustrante de “Dilemma” (Nelly e Kelly Rowland). Desde o início, “Me So Bad” fornece um R&B enigmático e orientado para o pop.

Sua batida é muito cativante, mas o refrão é um pouco decepcionante. Ty Dolla $ign e French Montana apresentaram versos que dão à música um pequeno raio de esperança, mas o maior problema com ela é o refrão. Liricamente, é uma canção repleta de insinuações sexuais. Simplificando, Tinashe encoraja o sexo durante o refrão de forma bem repetitiva. Embora o seu registro superior seja adorável, “Me So Bad” é uma faixa muito superficial. “Stuck with Me”, por outro lado, apresenta um som eletrônico e prova que Tinashe é capaz de criar bons refrões. A produção é simplista e sutil, mas extremamente cativante. Auxiliada por Yukimi Nagano da banda Little Dragon, os vocais de Tinashe estão lisos e agradáveis. É uma faixa melodramática e auto-depreciativa, mas uma das mais satisfatórias do repertório. Possui uma vibe de hip-hop e uma boa variação instrumental que facilita sua escuta. Em “Salt”, ouvimos Tinashe realmente mostrar suas habilidades vocais, cantando em seu registro mais baixo e, gradualmente, subindo para o nível superior. Ela é capaz de capturar uma bela paisagem soulful com notas baixas que deslizam perfeitamente pela produção. Soundz conseguiu fazer um ótimo trabalho ao criar um pano de fundo verdadeiramente sombrio e emocional para Tinashe. “Salt” soa mais madura do que outras músicas do álbum e possui uma vulnerabilidade que não está presente nas demais.

O segundo single, “Faded Love”, é uma colaboração com o rapper Future. Ele e Tinashe já haviam colaborado anteriormente na perfeita “How Many Times”, faixa do seu primeiro álbum de estúdio. Este single parece mais promissor do que “No Drama”, além de ser tão hipnótico quanto. É uma linda canção que beneficia-se dos vocais de Tinashe e produção infundida do StarGate. Suavizada através do trabalho vocal, linhas de baixo e melodia cativante, “Faded Love” inicia tranquilamente. Mesmo que adote uma abordagem mais sutil e não provoque qualquer evolução, Tinashe consegue encantar. É uma faixa de R&B down-tempo, noturna e sensual com as maiores inflexões vocais da cantora. Liricamente, “Faded Love” a vê tentando conectar-se com um pretendente: “Não, não me diga seu nome / Não, não preciso do seu número salvo no meu telefone / Apenas me siga, me siga, me siga / Me siga pra casa / Quero tirar meus anéis na minha cama / Me deixe te pegar sozinho / Apenas me siga, me siga, me siga / Me siga pra casa”. O lirismo é clichê, porém, consegue ser eficaz. Tinashe não está interessada em um compromisso, apenas quer relaxar e curtir a noite ao lado de alguém. O refrão é bastante simples, porém, não deixa de ser atraente e pegajoso. Quanto ao Future, ele apresenta um verso melódico e cheio de auto-tune. Ele certamente não possui uma presença tão marcante ou necessária, entretanto, consegue encaixar-se à vibração de “Faded Love”.

No geral, este single é uma peça agradável e infecciosa. Pode não ser inovadora, mas preenche o requisito e atinge o objetivo. O pré-refrão de “No Contest” define o ritmo para o resto da música. Em certo ponto, ela soa similar ao single “Superlove”, porém, de alguma forma fica aquém do potencial da Tinashe. As mudanças de ritmo é um ponto positivo e mostra um pouco da criatividade do seu produtor. A última faixa, “Fires and Flames”, é uma fusão de destreza vocal e suaves teclas de piano. Enquanto não é a música mais excitante, fornece outra performance vocal de alto nível. Eu não esperava uma música tão despojada e requintada como essa. Ela conclui o álbum de forma moderadamente ritmada que funciona muito bem. Não há distorções ou sons experimentais, apenas a voz e o piano. Provavelmente, o maior problema com o “Joyride” é a falta de direção. É um registro decente, mas meio desarticulado e parcialmente coeso. Mas, embora ela não tenha se reinventado, “Joyride” é um álbum contemporâneo agradável. Quando não está escondida atrás de vários efeitos, ela prova que tem boas costeletas vocais. A produção e a síntese dos seus vocais são as características mais marcantes do registro. Pode não corresponder às expectativas do seu álbum de estreia, mas possui bons momentos. Em última análise, ressalto que “Joyride” é uma coleção irregular com alguns buracos no caminho que o impede de ser um ótimo álbum.

  • 68%
    SCORE - 68%
68%

Favorite Tracks:

“Stuck with Me (feat. Little Dragon)” / “Salt” / “Faded Love”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.