Review: The Weeknd – My Dear Melancholy, (EP) (2018)

Lançamento: 30/03/2018
Gênero: R&B alternativo, Eletrônica
Gravadora: XO / Republic Records
Produtores: The Weeknd, Frank Dukes, Cirkut, DaHeala, Gesaffelstein, Guy-Manuel de Homem-Christo, Marz, Mike Will Made It e Skrillex.

No geral, “My Dear Melancholy,” é um EP decente, sua produção está no ponto e trás uma série de gêneros e colaboradores para o cânone do The Weeknd. No entanto, não abre novos caminhos e parece um passo desnecessário para trás.

Abel Tesfaye, também conhecido como The Weeknd, é um dos artistas mais versáteis da atualidade. É por isso que muitos ficaram surpresos ao vê-lo mais apaixonado e emotivo no seu novo EP, “My Dear Melancholy”. Em vez de chamar o Daft Punk e Max Martin para produzi-lo, Abel pediu ajuda para Frank Dukes, Skrillex, Mike-Will-Made-It e Gesaffelstein. A capa sombria e escura é auto-explicativa, pois o público já sabia o que esperar antes mesmo de ouvir as canções. Depois de outro término de namoro, desta vez com Selena Gomez, o obscuro The Weeknd resolveu colocar seus pensamentos no papel. Onde “Starboy” (2016) foi sobrecarregado pela produção, “My Dear Melancholy” é honesto e confessional. Este EP é um verdadeiro mergulho nas suas raízes sombrias de R&B. Sonoramente, é um projeto escuro e atmosférico, com um ligeiro desvio dos seus hits pop. Liricamente, “My Dear Melancholy” explora um novo território temático para o cantor. Como o título sugere, as letras são pessimistas, amargas e provocam uma viagem mal-humorada. Todas as seis faixas lidam com o fim de algum romance, variando apenas na sua abordagem. Acho que a única coisa que me incomodou no EP foi sua repetitividade. Claro, “Starboy” (2016) é um disco pop/R&B com pouca substância lírica, mas com uma produção inegavelmente marcante.

“My Dear Melancholy”, por outro lado, peca pela mesma história contada e sonoridade parecida entre si. Quando você ouve “Call Out My Name” pela primeira vez, rapidamente percebe uma certa semelhança com “Earned It”. Os versos mais lentos e o refrão pesado praticamente replicam a estrutura de “Earned It”. Certamente, o andamento de “Call Out My Name” corresponde aos seus trabalhos anteriores, enquanto você pode sentir a dor e escuridão em volta do cantor. Ela possui um gancho sensual e os mesmo sintetizadores sinistros que apareceram no álbum “Beauty Behind the Madness” (2015). Os ecos, acúmulos e clímax da batida exalam a autenticidade de The Weeknd. Liricamente, o canadense se concentra nas dores e lutas que vêm através de um relacionamento. Ele canta com profundidade a fim de tentar deixar de lado um namoro do passado. Há uma frase nesta canção que gerou bastante controvérsia na mídia, pois acredita-se que é referente à cirurgia de transplante de rim da Selena Gomez. “Eu disse que não sentia nada, amor, mas eu menti / Quase cortei um pedaço de mim para a sua vida”, ele canta. Embora tenha sido a melhor amiga de Selena Gomez que tenha lhe doado um rim, a letra sugere que The Weeknd quase fez a doação. A distorção climática da canção é estabelecida particularmente pelo piano, sintetizadores e o ritmo da bateria.

Depois de mostrar equilíbrio e contenção no primeiro verso, o refrão cresce ao incorporar alguns vocais distorcidos. Ele canta suavemente ao longo de toda música, conforme os sombrios riffs do piano batem de forma instável. A construção dessa música e os vocais de The Weeknd são dramáticos e obscuros, assim como todo o EP. Embora não seja uma canção inovadora, “Call Out My Name” o vê retornando às suas raízes. A segunda faixa, “Try Me”, segue por uma narrativa que estamos acostumado a ouvir do The Weeknd. Aqui, ele tenta convencer uma mulher a deixar seu namorado e voltar com ele. Produzida por Mike Will Made It, Marz, Frank Dukes e DaHeala, esta faixa cria um tom assombroso. Até os vocais parecem estar sentados na escuridão, tanto que lembra o álbum “Kiss Land” (2013). Embora “Try Me” consiga fornecer a mesma dinâmica de “Call Out My Name” e atingir os padrões esperados para o Abel, ela cresce de forma indefinida e não excede às expectativas. Em seguida, o cantor faz referências sutis às suas relações com Bella Hadid e Selena Gomez na faixa “Wasted Time”. Uma canção que mantém o clima noturno do EP, mas com a incorporação de elementos de dubstep. Aqui, ele admite que perdeu tempo com alguém, em vez de estar com a mulher que é apaixonado. “Tempos desperdiçados que eu gastei com outra pessoa / Ela não era nem metade de você”, ele canta no primeiro verso. É diferente e intrigante ouvir Abel cantar com tal remorso.

Por não ser super-produzida, esta faixa acabou sendo uma das melhores do EP. As batidas incomuns continuam fluindo, enquanto sua interpretação transporta a música para uma atmosfera desorientada. Nas próximas duas faixas, The Weeknd se juntou com o francês Gesaffelstein, responsável por “Black Skinhead” e “Send It Up” do Kanye West. Na primeira delas, “I Was Never There”, os tambores estão lentos e ameaçadores, à medida que os vocais são autênticos e dramáticos. “O que faz um homem adulto querer chorar? / O que o faz querer tirar sua vida?”, ele pergunta no início. Tudo parece muito sincero e genuíno. Inicialmente, a faixa é dominada por uma sirene e, posteriormente, fornece sons texturizados, linhas de baixo, teclados e sintetizadores. A sua mixagem nos faz recordar de algumas faixas do “House of Balloons” (2011). Enquanto isso, a transição para a ponte conta com uma completa mudança de ritmo. “Hurt You”, por sua vez, vê o The Weeknd demonstrando ainda mais suas habilidades de canto. O artista adverte uma mulher para manter distância, já que ele não está verdadeiramente apaixonado por ela. Ele começa a música dizendo que os relacionamentos são seus inimigos: “E agora eu sei que relacionamento é meu inimigo / Então fique longe de mim / Estou te avisando”. Embora as letras sejam tristes e inebriantes, “Hurt You” é a música mais agitada do EP. O lirismo visual dá à música uma sensação real de profundidade, conforme ele pratica o seu lado mais vulnerável.

Enquanto o refrão é repetitivo e cantado em falsetes, sua produção está mais próxima do “Starboy” (2016). Em “Privilege”, a música mais despojada do repertório, The Weeknd faz referências à drogas e bebida. “Mas eu vou beber a dor, vou voltar aos meus velhos hábitos / E eu tenho duas pílulas vermelhas para afastar as azuis”, ele canta. Uma canção elegante onde sua voz e o piano são o foco principal. Ela se constrói de forma dramática ao lidar com o fim de um relacionamento, porém, a maneira como a instrumentação foi mixada, tornou o minuto final muito estranho e vazio. Ao contrário de “Starboy” (2016), “My Dear Melancholy” não é composto por uma ampla paleta de sons e estilos. Musicalmente, é um material mais coeso. Há vulnerabilidade e sinceridade nas músicas, enquanto ele sai do centro das atenções e revela algo verdadeiramente pessoal. Todas as músicas são bem produzidas, à medida que o tom e humor permanecem consistentes o tempo todo. Mas, embora possa ser considerado um retorno ao seu antigo estilo, não é comparável aos misteriosos “House of Balloons” (2011) e “Echoes of Silence” (2011). Desta vez, ele falhou ao tentar capturar a excitação e entusiasmo do ouvinte. Ironicamente, “My Dear Melancholy”, é provavelmente o seu registro menos ambicioso. Aliás, a vírgula no final do título sugere que uma segunda parte pode ser lançada em breve. Vamos aguardar!

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Favorite Tracks:

“Call Out My Name” / “Wasted Times” / “I Was Never There (feat. Gesaffelstein)”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.