Review: The Weeknd – I Was Never There (feat. Gessaffelstein)

Lançamento: 30/03/2018
Gênero: R&B alternativo
Produtores: Gesaffelstein e Frank Dukes
Compositores: Abel Tesfaye, Mike Lévy e Adam Feeney.

Em seu novo EP, “My Dear Melancholy” (2018), o The Weeknd começou a escorregar para fora do astro que ele construiu ao longo dos seus dois últimos álbuns. Há uma maior vulnerabilidade e honestidade em torno de todas as faixas. Em “I Was Never There”, uma das canções mais interessantes, ele trouxe como convidado o DJ e produtor francês Gesaffelstein. Naturalmente, o som é incrível e mantém a inclinação sombria estabelecida desde a primeira faixa do EP. Liricamente, há uma grande repetição, conforme encontramos o cantor falando sobre um relacionamento tóxico. Apesar das limitações das letras, “I Was Never There” é a canção mais longa do registro. Isso não é um problema, dada a mudança na produção, para não mencionar a expressividade contínua da voz do Tesfaye. Esta música é um ponto de ruptura onde ele – ao atingir o fundo do poço – soa quase suicida, antes de passar para a próxima etapa do processo, a aceitação. As mudanças nas teclas e as amostras de sintetizador dão à música uma qualidade inquietante e desconfortável. Os tambores estão lentos e ameaçadores, à medida que os vocais são autênticos e dramáticos. “O que faz um homem adulto querer chorar? / O que o faz querer tirar sua vida?”, ele pergunta no início. Tudo parece muito sincero e genuíno. Inicialmente, a canção é dominada por uma sirene e posteriormente fornece linhas de baixo, lentos tambores, teclados e sintetizadores.

A sua mixagem nos faz recordar de algumas faixas do “House of Balloons” (2011). Enquanto isso, a transição para a ponte conta com uma completa mudança de ritmo. O som da sirene no início adiciona uma sensação de urgência e melhora a textura do instrumental, fazendo com que pareça menos reconfortante e mais brutal. Essa sirene, a propósito, lembra o mesmo som alto que esteve presente na música “Send It Up” do Kanye West, que Gesaffelstein também ajudou a produzir. Aqui, o francês criou um instrumental que mescla o caos com o controle, combinando perfeitamente com a profunda tristeza e a raiva insegura do The Weeknd. Incapaz de lidar com as rupturas de uma maneira saudável, o cantor ameaça seguir por caminhos autodestrutivos. A música é dramática e melancólica, mas também muito atraente. É como se ele estivesse ferido ou tenha machucado alguém, e por causa disso tudo desmoronou. “I Was Never There” é uma das músicas mais luxuosas da carreira do The Weeknd. Tudo aqui, desde a linha de baixo e os sintetizadores, está envolto de sua reverberação. A atmosfera da música é rastejante e submersa, mas é clara o suficiente para revelar os detalhes de sua honestidade. Enquanto suas faixas mais antigas se tornavam cada vez mais claustrofóbicas, “I Was Never There” começa obscura e gradualmente encontra a luz.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.