Review: The Maine – Lovely Little Lonely (2017)

Com este álbum, The Maine apresentou temas nostálgicos e mensagens universais que deixaram o ouvinte profundamente comovido e incrivelmente conectado. Eles parecem ficar melhor com a idade!

Enquanto algumas bandas lutam para permanecer no centro das atenções, The Maine evoluiu continuamente na última década. Percorrendo um longo caminho desde seu álbum de estreia, “Can’t Stop Won’t Stop” (2008), a banda já possui 12 anos de carreira. Provavelmente, os maiores avanços de sua arte surgiram entre o “Forever Halloween” (2013) e o “American Candy” (2015). Com dois álbuns que alcançaram mais alarde, o som do The Maine amadureceu e, acima de tudo, encontrou uma voz própria. Depois de passar dois anos na estrada em apoio ao “American Candy” (2015), The Maine surgiu com seu sexto álbum de estúdio, “Lovely Little Lonely”. Seu primeiro disco lançado inteiramente independente; o resultado de um novo foco da banda. É realmente interessante ouvir como o som deles evolui de álbum para álbum. Este é talvez o registro mais coeso e fluente de sua carreira. Suas transições foram tão bem trabalhadas que parece que você está ouvindo uma longa peça. “Lovely Little Lonely” exala sentimentos de nostalgia de momentos que você nem vivenciou. Da mesma forma, transmite déjà-vu de situações totalmente novas. Ele cria essa atmosfera fascinante que permite explorar emoções pessoais por meio de uma espécie de empatia pelo ouvinte. O repertório começa raso e quente, mas como uma imersão no oceano, ele puxa você para profundidades escuras e arrepiantes. As canções fluem juntas como um só corpo, ao passo que os instrumentais são pacientes e cheios de paixão. A bateria está mais metódica do que nunca, mudando constantemente de velocidade para guiá-los, enquanto as guitarras trabalham para definir o clima geral.

Neste álbum, John O’Callaghan ofereceu as letras mais pessoais de sua carreira. “Lovely Little Lonely” é cheio de letras sobre incertezas, depressão, nostalgia e amor. É de longe o lançamento mais emocionalmente pessoal do The Maine – e realmente não há uma música ruim dentro dele. Ele pode ser descrito como “perfeitamente bonito”, porque abraça a nostalgia de forma fascinante. Além disso, evoca uma tenra juventude e conta histórias do passado de forma cativante. The Maine tem um som específico que não foi esquecido neste disco. É percussivo e enérgico com uma entrega pop punk completamente honesta. Bastante coeso do início ao fim, o álbum abre com o indie rock de “Don’t Come Down”. Em ritmo acelerado e borbulhante, há riffs polidos e vocais sedutores – incluindo o deslumbramento de um pandeiro. Dividido em três seções titulares – “Lovely”, “Little” e “Lonely” – a primeira parte começa justamente com os acordes exuberantes de “Don’t Come Down”. Em suma, é uma canção edificante, animada e cheia de nostalgia. O primeiro single, “Bad Behavior”, parece ser fortemente influenciado pela banda The 1975. É atraente em conteúdo e deixa uma impressão duradoura. À medida que você ouve sua melodia, a imagem das letras toca repetidamente em sua cabeça – tão viva quanto uma lembrança. Felizmente, The Maine não hesitou em abraçar o dinamismo do pop rock; a música começa pesada graças ao choque provocado pela bateria e guitarra. Dessa vez, a banda optou por um som agitado em favor de conotações sexuais. O primeiro interlúdio, “Lovely”, possui um ritmo mais lento e incorpora sintetizadores.

Nessas faixas instrumentais podemos sentir novamente a influência do The 1975. O ritmo fornece um estado sonhador e lúcido devido ao tom mais leve e arejado. De certa forma, “Lovely” serve como transição para “Black Butterflies and Déjà Vu” – se você não estiver prestando atenção, pode pensar que trata-se de uma música só. Com um fluxo e refluxo nervoso, você não pode deixar de ficar hipnotizado com a quarta faixa. Lançada como segundo single, esta canção é provavelmente a mais rápida do repertório – embora ainda se sinta controlada. Esta mudança é o núcleo da composição honesta de John O’Callaghan. Ouvi-lo dizer que está “esperando pelas palavras certas” é um soco no estômago. Quando a ponte constrói o maior refrão, você não pode deixar de sentir suas emoções. Uma das minhas músicas favoritas, “Taxi”, é provavelmente uma das mais suaves. Inicialmente, eu achava que era uma canção alegre, dado o som do violão e cenas de amor evocadas pelas letras. Mas depois de assistir o videoclipe, eu percebi que estava definitivamente errado. Essa faixa apresenta guitarras acústicas de timbre claro e percussão mais reservada. Sua dinâmica constrói gradualmente a progressão até atingir o refrão final. Outra faixa coberta de nostalgia e saudades do passado. A segunda metade do álbum nos leva para “Do You Remember? (The Other Half of 23)”, um número cativante realçado por belas harmonias e riffs dinâmicos. Dado o título, você pode dizer que se trata de relembrar a vida como um jovem desobediente. No entanto, há um modo de traduzir esse tema de uma maneira totalmente diferente.

As guitarras são brilhantes – especialmente os riffs em staccato – enquanto a bateria é esporádica e imaculada. Liricamente, é uma apreciação nostálgica do que te levou ao presente. Enquanto “Lovely” era marcado por um rock alternativo e pop rock em suas três músicas não instrumentais, a próxima parte, “Little”, foca no lado indie rock da banda. As notas que ressoam em “The Sound of Reverie” são sutis, mas igualmente potentes. Uma canção sobre sonhar acordado e ser um jovem ingênuo novamente. “Dezessete anos, mas ainda somos jovens / Então dance comigo puramente / E siga infinitamente / O som da fantasia”, O’Callaghan canta. “Lost in Nostalgia” vem a seguir; ouvir esta música é o mesmo que escutar um sonho, que é apropriado para uma música sobre tentar não se deixar levar pela nostalgia do passado. Uma canção mais sombria e delicada; e faz todo sentido ser assim. Rica em profundidade, “Lost in Nostalgia” termina cedo demais. O álbum segue por uma direção mais descontraída quando se trata de “I Only Wanna Talk to You”, faixa com letras sinceras e sons acústicos por toda parte. Seu lirismo é universal o suficiente para atender às necessidades de qualquer pessoa – e triste para levá-lo às lágrimas. Entre as inflexões vocais do John O’Callaghan e as mensagens confessionais, é difícil não ficar sobrecarregado. Considerando que este álbum foi tão envolvido com passado e presente, “I Only Wanna Talk to You” brinca com a incerteza do futuro e o medo existencial que isso pode trazer. As linhas de guitarra que ecoam pelo espaço da música e a bateria lhe dão uma sensação triste e melancólica. O último interlúdio, “Lonely”, é exatamente o que seu título quer dizer.

O interlúdio mais lento e longo, também é o mais emocionante. Com vocais melodiosos e sons ambientais, a faixa transmite sentimentos intensos. “Lovely Little Lonely” chega ao fim com “How Do You Feel?”, talvez a faixa mais dramática do repertório. Essa canção nos lembra que não há problema em sentir tristeza, dor, amor e felicidade. Essas emoções são o que nos fazem humanos. “Profundamente deprimido e com o coração partido / Eu gostaria que soubesse que garotos também choram”, John O’Callaghan canta nas primeiras linhas. Debaixo das guitarras, baixo e bateria, há uma letra de destaque. “Você está livre ou está sofrendo? / Você está livre ou está sendo usado? / Como você se sente?”, ele pergunta. É profundamente comovente terminar o álbum com perguntas como essas. “How Do You Feel?” é um número melódico e poderoso que funciona em toda sua glória por causa do que vem antes dela. A construção dos sons e temas sobre o passado, presente e futuro culmina com este final recheado de introspecção e honestidade. Apesar de ser um lançamento pop rock padrão, “Lovely Little Lonely” tem o suficiente para diferenciá-lo do restante de sua discografia. Ele fornece uma mensagem esperançosa e vital, depois de encontrar maneiras de reconhecer o arrependimento e o desejo. As progressões e os vocais cheios de emoção ajudaram a criar um registro cativante – levando o The Maine para longe de sua adolescência e em direção a um som mais desenvolvido. Com este álbum, eles apresentaram temas nostálgicos e mensagens universais que deixaram os ouvintes profundamente comovidos e incrivelmente conectados. The Maine parece ficar melhor com a idade!

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    SCORE - 72%
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Favorite Tracks:

“Don’t Come Down” / “Bad Behavior” / “Black Butterflies and Déjà Vu”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.