Review: The Japanese House – Good at Feeling (2019)

Lançamento: 01/03/2019
Gênero: Indie pop, Pop alternativo, Experimental, Art pop, Folktronica
Gravadora: Dirty Hit
Produtores: The Japanese House, George Daniel e BJ Burton

Em seu primeiro álbum, Amber Bain oferece uma autoconsciência remanescente e faz a transformação de uma estranha hesitante para uma improvável popstar.

Nós tendemos a lembrar de grandes eventos da nossa vida. Formaturas, casamentos, mágoas e dias perfeitos cercados de amigos costumam se destacar. Esses grandes eventos não existem no vazio, no entanto. Nós não nos lembramos claramente das horas de estudo antes das provas, dos fortes laços de amizade que se acumulam, ou do gradual desmoronamento na base de um relacionamento. Talvez seja melhor nos concentrarmos mais em alguns desses momentos. Há lições que precisam ser aprendidas e emoções intensas que devem ser sentidas nesses pequenos momentos. Amber Bain, sob seu disfarce musical de The Japanese House, desviou os olhos da monumentalidade para o silêncio. O seu álbum de estreia, “Good at Falling”, é um projeto preocupado com os pequenos momentos da vida – as áreas onde os grandes momentos começam a tomar forma. O resultado é um álbum cheio de maravilhas musicais e um olhar intenso e inflexível na carreira de Bain. Embora seu crescimento pessoal sejam o foco principal do registro, é impossível ignorar sua evolução como produtora. “Good at Falling” é um álbum impecavelmente construído e foi inteiramente escrito e co-produzido por Bain. Desde o início de “Went to Meet Her (intro)” até o final de “I Saw You in a Dream”, ela utiliza todos os truques e ideias que concebeu como The Japanese House. Além das percussões e sintetizadores obscuros, sua voz vibra maravilhosamente através de filtros eletrônicos na citada “Went to Meet Her (intro)”.

Cordas e sinos misturam-se em momentos mais calmos no single “Lilo”. Enquanto isso, acordes de piano são colocados ao lado de sintetizadores ainda mais sinistros, que você pode imaginar uma carta de amor para a cena eletrônica dos anos 80 em “Everybody Hates Me”. Bain nunca foi uma pessoa que se esquiva de qualquer impulso musical, fazendo com que todos esses instrumentos e ideias funcionem juntos e equilibrem-se automaticamente. É um feito verdadeiramente impressionante. “Good at Falling” possui uma execução realmente brilhante e equilibrada, tanto que nenhuma faixa se eleva acima das outras. Isso pode soar como crítica, mas não é. O álbum inteiro parece uma entidade viva, evoluindo gradualmente nos sentimentos e sons. Desta forma, a música reflete nas batidas emocionais que Bain preparou meticulosamente. Há muita emoção na minúcia da vida cotidiana e ela mergulha nesses detalhes à vontade. “Everybody Hates Me” parece ser sobre um grande momento em que as coisas mudam e esses pensamentos de dúvida aparecem na sua cabeça – mas não é assim que esses pensamentos funcionam na vida real. Mesmo a paz genuína encontrada fugazmente em “Lilo”, estimulada por um momento específico na vida de Bain, evoca uma reflexão mais calma sobre a vida como um todo. Em nenhum lugar isso é mais aparente do que nas faixas “Maybe You’re the Reason” e “We Talk All the Time”. O primeiro encontra Bain procurando por propósito, mas falhando. Não há grandes revelações e ela permanece apática na maior parte do tempo.

“E eu acho que estou morrendo / Porque isso não pode estar vivo / Eu deveria estar procurando algum tipo de significado? A apatia é um sentimento engraçado”, ela canta. Aqui, ela destaca outra verdade sobre as partes mundanas da vida: até mesmo a apatia, é uma emoção em particular. Isso se estende a “We Talk All the Time”, uma sentença de morte em um relacionamento que apenas desaparece. Não há nenhuma explosão dramática nas teclas cintilantes, apenas a lenta desintegração causada pelo tempo que passa. “Nós não fodemos mais / Mas conversamos o tempo todo, então está tudo bem”, esse parece ser o clímax emocional da música. Se a falta de grandes batidas parece frustrante, é porque pode ser. Bain não está interessada em fornecer resoluções no “Good at Falling”. Não é que o álbum seja indiferente, porque não é. “You Seemed So Happy” está cheio de tristeza e “f a r a w a y” possui uma grande conexão emocional. O problema é que muitas vezes não há uma recompensa por essas emoções. Essa verdade pode fazer com que “Good at Falling” seja uma peça de arte desafiadora para envolver sua mente, enquanto a execução e as verdades encontradas dentro dela valem o desafio. The Japanese House é o canal de Amber Bain para o mundo. Através de sua música ela adquiriu sabedoria e a transformou em algo que todos nós podemos refletir. De muitas maneiras, “Good at Falling” é construído especificamente para ocupar aqueles momentos silenciosos em nossas vidas. Nem todo momento é grande. The Japanese House nos mostra que esses momentos não precisam ser grandes para serem importantes.

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    SCORE - 75%
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Favorite Tracks:

“Went to Meet Her (intro)” / “Maybe You’re the Reason” / “We Talk All the Time”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.