Review: The Go! Team – SEMICIRCLE (2018)

Lançamento: 19/01/2018
Gênero: Indie pop
Gravadora: Memphis Industries
Produtor: Ian Parton.

Depois de cinco álbuns de estúdio, The Go! Team optou por lançar outro passeio nostálgico inspirado nos anos 60, embora não seja sublime como o “Thunder, Lightning, Strike” (2004).

The Go! Team é uma banda inglesa composta por seis membros que combinam o indie-pop e garage-rock com o hip-hop old-school e guitarras distorcidas. Suas músicas são, na maioria das vezes, uma mistura de instrumentação ao vivo e diferentes amostras sonoras. Os vocais são interpretados principalmente por Ninja, com Angela Won-Yin Mak cantando também alguns solos. O seu quinto álbum de estúdio, “SEMICIRCLE”, apresenta uma coleção maluca e confusa. Eles continuam explorando um indie-pop selvagem e energético com amostras, recursos e diversas influências musicais. Em seu primeiro álbum em três anos, The Go! Team optou por inspirar-se no pop dos anos 60 e falar sobre a resiliência humana e esperança durante os tempos difíceis. Sobre uma instrumentação alegre e festiva, a banda não sente medo de tentar inspirar o ouvinte. “SEMICIRCLE” provoca uma audição despreocupada, mas possui alguns erros. O instrumental “Chico’s Radical Decade”, por exemplo, é boring e não adiciona nada ao álbum. Enquanto “The Scene Between” (2015) mostrava uma banda quase solo com elementos habituais, “SEMICIRCLE” une antigos e novos artefatos num som verdadeiramente comemorativo. Um disco cheio de melodias vocais, ritmos exuberantes e arranjos instrumentais.

O seu estilo de produção faz parecer que estamos ouvindo uma banda do ensino médio. Cada instrumento, seja a bateria, metais, xilofone ou flauta, mantém algum senso de profundidade. “SEMICIRCLE” é bem old-school e certamente proporciona uma escuta divertida. Porém, as faixas mais eficazes são justamente as mais contidas. A primeira faixa, “Mayday”, usa influência disco e soul sobre metais abundantes, uma enorme percussão, cantos de líderes de torcida e linhas de guitarra. É uma canção explosiva e colorida que une vocais orientais com batidas de hip-hop. Os tambores de aço de “Chain Link Fence” é o primeiro sinal de que a banda está aderindo à uma fórmula testada. Aqui, temos uma psicodelia exuberante, doces vocais e natureza melancólica. É uma peça cativante e uma das faixas mais convencionais do repertório. Na letra, Ninja repete de forma otimista: “Há algum lugar aqui para pertencer / Há algo aqui para acreditar”. “Semicircle Song”, lançada como single no ano passado, fornece uma celebração vibrante e charmosa. Usar sons infantis nem sempre funciona em benefício da banda, porém, esta música é uma jogada ousada. Ela abre com metais poderosos, antes de apresentar algo mais infantil e relaxante. The Go! Team fornece uma mistura de diferentes gêneros, além de usar palavras faladas que abordam a astrologia.

“Hey” também possui instrumentos de metal e batidas confiantes, no entanto, é um dos momentos mais chatos do álbum. Ela concentra-se menos nos vocais e foca apenas no instrumental, gritos e palavras faladas. A sétima faixa, “All the Way Live”, caminha por várias direções, conforme Ninja interage com a melodia hiperativa e linha de baixo vibrante. As guitarras são mais sujas e alguns sinos aparecem na seção intermediária. “If There’s One Thing You Should Know” atinge a mesma nota dos melhores singles da carreira do grupo, principalmente pela presença dos tambores de aço misturados lindamente com os vocais melódicos. É uma verdadeira joia do álbum! “Tangerine / Satsuma / Clementine”, por sua vez, é um pequeno interlúdio inspirado pelo pop-barroco dos anos 60 que combina guitarras grunge com batidas eletrônicas. A faixa seguinte, chamada “She’s Got Guns”, possui fortes influências de hip-hop e rap, conforme transforma-se numa música festiva com handclaps e alegres vocais. Depois da bela “Plans Are Like a Dream U Organise”, o registro encerra com “Getting Back Up”, uma faixa triunfante onde a banda renova sua energia. Em “SEMICIRCLE”, há muitas ideias e sons diferentes num mesmo lugar. Instrumentos de metal, guitarras e tambores de aço são combinados a fim de criar uma festa refrescante. Em suma, é um LP divisivo e cheio de adrenalina, que fornece uma grande carga de otimismo e positividade.

  • 63%
    SCORE - 63%
63%

Favorite Tracks:

“Mayday” / Chain Link Fence” / “If There’s One Thing You Should Know”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.