Review: The 1975 – People

Faz menos de 1 ano que The 1975 lançou o álbum “A Brief Inquiry into Online Relationships” (2018), elogiado pela crítica, mas o quarteto de Manchester já está de volta. Há um mês, eles provocaram o lançamento do “Notes on a Conditional Form” com uma faixa homônima de 5 minutos – uma tendência que os fãs já estão familiarizados – que prega ações para a atual emergência climática da sociedade. No entanto, era apenas um discurso proferido pela ativista climática Greta Thunberg. Seu novo single, “People” – a primeira música oficial do seu próximo álbum – vê Matt Healy fazendo praticamente de tudo. Uma música punk hardcore. Reserve um minuto para sua mente aceitar isso. Um hino alto e cheio de raiva sobre a natureza preguiçosa e desagradável da sociedade moderna que não está ciente dos problemas ao redor do mundo. Ao ouvi-lo pela primeira vez, há um fator de choque definitivo; com certeza terá opositores. Longe estão os doces e melosos vocais de marca registrada do The 1975, em vez disso seu canto foi substituído por riffs fortemente distorcidos e rosnados guturais. Começando com um alerta literal, sua raiva descreve como uma geração quer “foder o Barack Obama” enquanto vive “em uma sauna com maconha legalizada”. “Acorde, acorde, acorde! / É segunda-feira de manhã e só temos mais alguns”, Healy diz na introdução. Parece mais um intenso grito da banda Underøath do que do vocalista que uma vez cantou “Chocolate” e “Someboy Else”.

Tudo sujo e desordenado, impulsionado por tambores rápidos e guitarras retorcidas. Mas se “The 1975” foi um apelo por mudança, então esta é a sua resposta: não há como ficar calmo agora. “People” é um ato completo de sabotagem e rebelião. Um empurrão para os pessimistas e para os críticos que os rejeitam. O momento mais pesado e conflituoso que a banda já apresentou até agora. Nele, The 1975 finalmente abraçou seu amor por bandas americanas de hardcore e punk rock. É realmente eletrizante! O grito da abertura esmaga de frente a complacência daqueles que esperavam por algo comum. A banda mudou sua fórmula sonora tão drasticamente que exige atenção. Como um meio de destilar sua revolta, faz sentido que The 1975 tenha escolhido reforçar seu som com o dance-punk. Por um longo tempo no final dos anos 70 e 80, o punk foi o som da rebeldia. Para ser justo, não é para qualquer ouvinte – mas é admirável ver uma banda empurrando seus limites, mas preservando seu status quo. Liricamente, Matty também se enfurece contra a cultura do streaming: “Nós estamos aterrorizados e precisamos parar de assistir essa merda toda da cama”. Ele disse que a música foi escrita no dia em que divulgaram a lei anti-aborto no Alabama. O vídeo, por sua vez, tem uma borda de nu metal, com Healy balançando o cabelo comprido de forma completamente enlouquecida. A banda se apresenta em uma caixa com luzes, palavras e imagens que mudam de parede, enquanto a câmera se move caoticamente ao redor deles.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.