Review: Taylor Swift – ME! (feat. Brendon Urie of Panic! at the Disco)

Lançamento: 26/04/2019
Gênero: Pop
Produtores: Joel Little e Taylor Swift
Compositores: Taylor Swift, Brendon Urie e Joel Little

Artistas mudam de imagem de vez em quando; foi o que Taylor Swift fez depois que deixou sua estética de princesa do country para trás. Ela se transformou e evoluiu na frente dos nossos olhos e cada um dos seus passos foi meticulosamente projetado para evocar empatia, mesmo quando sua vida privada se tornava propriedade pública. Infelizmente, apesar de todo o seu controle criativo, Swift saiu completamente dos trilhos com o “reputation” (2017); um álbum auto-obcecado e às vezes insensível, que viu suas vendas caírem de forma ligeiramente significativa. Nas semanas que antecederam o lançamento de seu novo single, “ME!”, Swift inundou seu Instagram com tons coloridos e abandonou o gótico da era “reputation” (2017). Produzido com Joel Little, conhecido por seu trabalho com Lorde e Khalid, “ME!” é um inesperado dueto com Brendon Urie do Panic! at the Disco. É uma música pop padrão com harmonias simples e letras terrivelmente clichês. Uma confecção pop chiclete destinada a atrair o maior público possível. É quase chocante que não tenha sido escrita para algum filme animado, como “Happy” do Pharrell Williams ou “CAN’T STOP THE FEELING” do Justin Timberlake. A canção começa com alguns vocais harmonizados da Taylor Swift antes de pular direto para o primeiro verso. A percussão de estilo militar tenta anteceder a possível energia do refrão, porém, as repetições líricas (“Me-e-e, ooh-ooh-ooh-ooh”) são extremamente irritantes. Liricamente,  é sobre a confiança em um relacionamento, onde seu parceiro nunca encontrará alguém como você. O ritmo otimista e os instrumentos de sopro são semelhantes a “High Hopes” do Panic! at the Disco; consequentemente a influência do Brendon Urie pode ser sentida. Ele traz uma vibe interessante durante o segundo verso, mas isso é o máximo de elogios que ele pode receber.

“Shake It Off” e “Blank Space” firmaram seu nome na cena pop depois que ela cruzou o gênero country. “ME!”, por sua vez, é uma tentativa de recuperar a magia que levou “1989” (2014) ao topo após as decepcionantes vendas dos singles do “reputation” (2017). No entanto, o sabor excessivamente açucarado dessa canção é contrabalançado pelas composições mais maduras e complexas pelas quais ela é conhecida. O som desajeitado de “ME!” bate diretamente no seu tímpano; o arranjo é sufocantemente adocicado e alegre. Aqui podemos possivelmente encontrar as letras mais fracas de sua carreira. “Eu sou única / Querido, esse é meu charme”, Swift canta no refrão, antes de fazer a adaptação menos inteligente que ela já criou: “Você é único / Querido, esse é seu charme”. Isto foi escrito pela mesma mulher que nos entregou “Dear John” e “Begin Again”? Talvez ela evitou a música country porque sabia que teria que trazer letras melhores. E mais tarde ainda temos a atrocidade da ponte onde ela diz – “Ei crianças! Soletrar é divertido!” – e depois continua afirmando que “você não pode soletrar espetacular sem mim”. Isso é ainda pior do que parece. Quando Justin Timberlake criou “CAN’T STOP THE FEELING”, ele estava escrevendo uma música para um filme infantil. Felicidade e letras superficiais era tudo o que a música pedia, e foi exatamente isso que ele entregou. Em comparação, “ME!” parece enjoativa, vazia e insidiosa. A única coisa que Swift revela com essa música é que ela realmente quer um sucesso. O vídeo começa com uma cobra se transformando em borboleta, insinuando outra mudança de imagem. Mas tudo parece um enorme passo para trás e não faz muito sentido quando colocada ao lado de suas melhores músicas. Taylor Swift é uma das maiores popstars do mundo, mas nem esse status pode salvar o quão ruim e decepcionante essa música é.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.