Review: Tame Impala – Borderline

Tame Impala, o amado projeto de Kevin Parker, lançou mais um single esta semana. “Borderline” foi divulgada ontem – 12 de abril de 2019 – depois de estrear no Saturday Night Live na semana anterior. Essa canção apresenta uma nova profundidade na assinatura atmosférica do Tame Impala e talvez até indique uma nova maturidade sonora. O que não quer dizer que seu som tenha sido atrofiado com o tempo: a sensibilidade alucinatória da banda permanece intacta, encabeçada pelos vocais do Parker e pela produção obsessivamente restrita. A música do Tame Impala foi feita para dias ensolarados e o novo single não é diferente. Enquanto Parker poderia ter atenuado a psicodelia dos últimos singles do Tame Impala, o ritmo brilhante permanece intacto. Polvilhada com linhas de baixo e batidas de bongô, a faixa também apresenta uma mistura espessa de sintetizadores. Outro destaque é a voz do Kevin Parker – fresca e emotiva, capaz de transmitir emoções completamente reais. “Eu serei conhecido e amado? / Há alguém que eu confie?”, ele pergunta no refrão, enquanto salta habilidosamente entre notas altas e baixas como numa conversa consigo mesmo. Isso dá à música um sentimento de saudade, ansiando por essas perguntas serem respondidas em uma espiral de grossos sintetizadores. As letras também são cheias de incerteza, com a ponte consistindo inteiramente de frases intimistas: “Mais próximo, próximo o suficiente / Eu sou um perdedor, perdendo / Libertar-se, deve ser difícil”.

O verso cobre um terreno familiar para o Tame Impala: a insegurança de Parker é predominante durante a maior parte de seu trabalho, desde seus primeiros dias como músico em Perth, Austrália. Seus trabalhos iniciais inspiraram-se fortemente nos Beatles, e ele mostra respeito ao guitarrista George Harrison quando canta: “Grite para o que está feito / Descanse em paz, aí vem o Sol / Aí vem o Sol / Fui um pouco longe, fui um pouco longe / Desta vez, com algo”. Aparentemente, ele está se referindo a duas músicas escritas por Harrison: “Here Comes the Sun” e “Something”. “Borderline” começa onde a disco-music de “Patience” parou, e continua implementando sua entrega psicodélica e sonhadora. Ele cria visualmente uma viagem sem a influência de substâncias e você flutua nesse estado expressivo de sua mente. Mas “Borderline” ainda está um pouco longe do rock psicodélico de seus dois primeiros álbuns e do synth-pop cintilante do “Currents” (2015). Bateria, piano elétrico e baixo borbulham sob um som que fica em algum lugar entre o chamber-pop e o funk. Quando Parker infunde uma claridade sonora em uma música sobre o fim de um relacionamento, ele flutua sobre uma tristeza impulsionada pelo renovado senso de cura do Tame Impala. Tematicamente, Parker sempre dançou com ambiguidade e a incerteza paralisante do que está por vi. “Patience” buscou uma compreensão da passagem do tempo e um equilíbrio com essa incerteza, mas “Borderline” leva esse medo ainda mais longe. É uma mudança estimulante que só torna a perspectiva de seu novo álbum mais atraente.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.