Review: Sigrid – Sucker Punch (2019)

Lançamento: 08/03/2019
Gênero: Pop, Electropop, Synth-pop
Gravadora: Island Records
Produtores: Martin Sjølie, Odd Martin Shalnes, Oscar Holter, Askjell Solstrand, Patrik Berger e Martin Stilling

Aqui temos a história de uma jovem cantora lutando contra os compositores sexistas de sua grande gravadora e os padrões de beleza do pop moderno. O cauteloso “Sucker Punch” poderia ter mais desse espírito revolucionário.

Embora “Sucker Punch” seja o primeiro álbum de estúdio da Sigrid Solbakk Raabe, ela existe na cena musical há alguns anos. A cantora e compositora norueguesa rapidamente ganhou popularidade na Escandinávia e, depois de lançar seu primeiro single, “Don’t Kill My Vibe”, ganhou espaço no Glastonbury e Coachella – se apresentando no tradicional show do Prêmio Nobel da Paz e ganhando o BBC Sound de 2018. No entanto, levou alguns anos para ela aprimorar seu som e se sentir confortável para lançar o “Sucker Punch”. Desde o início, Sigrid tem sido admirada por suas habilidades de composição, personalidade genuína e, o mais importante, suas músicas incrivelmente cativantes. Graças a essa mistura, sua arte evoluiu em um ritmo acelerado e, agora que “Sucker Punch” finalmente foi divulgado, não é uma grande surpresa em termos de som; um punhado de músicas que foram lançadas anteriormente nos EPs “Don’t Kill My Vibe” (2017) e “Raw” (2018). O “Sucker Punch” é um álbum jovem e repleto de emoções contraditórias que vão desde a paixão extática, de músicas como “Mine Right Now”, até o ressentimento de números otimistas como “Don’t Feel Like Crying”. Sobre uma linha de piano em expansão, essa última faixa apresenta a positividade nos momentos mais difícies.

A miríade de sentimentos intensos e as várias experiências que Sigrid coloca em suas canções é bastante impressionante. Isso faz do “Sucker Punch” um álbum divertido e envolvente, no qual cada música tem sua própria história para contar. É uma coleção repleta de faixas bem escritas e melodias perfeitas, interpretadas por uma das artistas menos pretensiosos da geração. Não há nada sobre ela que anseie por atenção desnecessária ou que faça você pensar que qualquer uma das doze faixas não veio diretamente dela – é uma sensação refrescante e quase de alívio. Ela é honesta e franca com suas palavras, embora não exale tanta profundidade lírica. Sigrid é perfeitamente capaz de admitir que se sente estúpida e confusa em “Basic”, mas também capaz de encontrar coragem e sabedoria para encarar “todos os problemas que dançamos” na mais doce canção do álbum, a maliciosamente política “Level Up”. Enquanto isso, a faixa-título é um power-pop alimentado por um refrão magnético e uma melodia contagiante. “In Vein”, por sua vez, desencadeia uma força emocional através de uma vibe folk, ao passo que “Business Dinners” aborda a parte executiva que os músicos enfrentam: “Você só quer que eu seja / Fotos, números, figuras, sim / Mais profunda, mais inteligente / E eu só vou tentar ser eu”. Aqui, ela expõe a maneira como o controle das gravadoras e as expectativas de lucratividade podem corroer a criatividade do artista.

Entre “Sight of You”, uma faixa dedicada às pessoas que fazem seu coração florescer, e “Don’t Kill My Vibe”, um pop básico que diz para todo mundo se perder, realmente parece que ela é capaz de cantar sobre tudo. O álbum fecha com duas músicas muito diferentes uma da outra, o electropop “Never Mine” e a dolorosa balada de piano “Dynamite”. Ambos são cativantes em seus próprios termos, hipnotizando através de batidas ousadas ou de arranjo emotivos e despojados. Mais importante, elas deixaram Sigrid terminar o álbum mostrando que ela pode ser ousada e cheia de energia, mas também vulnerável e gentil – qualidades que fazem dela uma das artistas emergentes mais empolgantes do momento. Com este álbum, há comparações óbvias que poderiam ser feitas com a Robyn, ou até com os gostos de Lorde e HAIM. O repertório diminui sua força no meio do caminho; há algumas faixas que não saem das fórmulas pop testadas e comprovadas, e nem conseguem causar uma boa impressão dentro dessa estrutura. Mas a sabedoria e a clareza de Sigrid ainda conseguem surpreender. “Sucker Punch” é um álbum confeccionado com confiança que fornece uma trilha sonora otimista para a vida moderna, e embora não seja perfeito e completamente eficiente, é altamente provável que seja o primeiro passo da Sigrid para o estrelato.

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.