Review: Ruth Lorenzo – Loveaholic (2018)

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: Pop
Gravadora: Raspberry Records
Produtores: Red Triangle.

Em seu novo álbum, a cantora espanhola Ruth Lorenzo resolveu combinar o pop com a sutileza de gêneros como o blues e soul, e apesar de eventuais falhas, tudo soa natural e bem-sucedido.

Ruth Lorenzo é uma cantora espanhola mais conhecida por chegar ao quinto lugar da quinta temporada do programa britânico The X-Factor. Na ocasião, a grande vencedora do programa foi Alexandra Burke, mas outros artistas também ficam conhecidos como JLS e Diana Vickers. Mais tarde, Ruth Lorenzo representou a Espanha no Eurovision Song Contest 2014 com a música “Dance in the Rain”. Seu álbum de estreia, “Planeta Azul” (2014), foi lançado no mesmo ano e gerou alguns singles de sucesso na Espanha, como a própria “Dance in the Rain” e “Gigantes”. O seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Loveaholic”, mostra uma Ruth com mais energia e autenticidade. Desde a primeira faixa, o registro fornece uma atmosfera intensa cercada pela personalidade da cantora. Doze músicas compõem esse novo disco e, como o próprio nome sugere, é uma boa jornada através do amor. Mas nem tudo é especificamente sobre romances, uma vez que “Loveaholic” também explora relacionamentos significativos e momentos importantes que marcaram sua vida. Apresentando um som mais radio-friendly, todas as doze faixas são enfeitadas pelo estilo próprio de Lorenzo. Seus vocais, mais rudes e crus, fluem com puro prazer à medida que o álbum se desenrola. Mas para este novo registro, ela também explorou gêneros como o rock, R&B e soul de uma forma selvagem e emocionante.

Dois anos e várias sessões de gravação levaram a mais de setenta músicas criadas, mas apenas doze fizeram parte do pacote final. Ruth gravou em Los Angeles, Estocolmo, Londres e Barcelona, e diferente do seu registro anterior, “Loveaholic” é principalmente cantado em inglês. Como um todo, ele prova o quando Ruth Lorenzo é versátil e talentosa. “Bring Back the New” e “Good Girls Don’t Lie” são a abertura perfeita para este álbum. Não apenas apresenta sua nova direção musical, mas também nos mostra sua melhor entrega vocal. “Bring Back the New” é a forma que Lorenzo encontrou para se libertar das cadeias do passado e começar algo novo. As letras são profundas e os vocais extremamente consistentes. Sonoramente, é uma canção meio sombria que pisa longe do território convencional do álbum “Planeta Azul” (2014). Sob influências de pop-rock, Ruth canta sobre uma grande produção e boa tessitura instrumental. “Good Girls Don’t Lie”, por sua vez, não é surpresa que tenha sido escolhida como primeiro single. É uma música pop moderna com um toque ritmicamente emocional, piano e melodias que lhe dão uma energia extra. Uma alegoria que apoia a liberdade e o amor próprio. “The First Man” conta a dor da infância da cantora e o abandono do seu pai. Uma balada dolorosa e inspiradora que mostra um pouco mais da crueza deste álbum. Certamente, é uma das faixas mais pessoais e honestas do repertório.

Embora seja mais teatral, “Ride” é outra faixa emocional que conta uma história. Essa foi a primeira canção que ela escreveu para o “Loveaholic”. Uma ode à liberdade com uma boa base instrumental e belos vocais. A faixa-título, “Loveaholic”, é uma peça elegante e jazzística com grande influência de R&B e soul. Vocalmente é uma das melhores canções do registro. Como você pode notar no conteúdo lírico, o vício em amar é a parte crítica do trabalho da Ruth Lorenzo. Em seguida, “My Last Song” permite que ela coloque seu coração a frente enquanto seus vocais brilham. Outra faixa honesta que começa com teclas de piano, mas depois fornece seção rítmica e guitarras acústicas. É uma nota de agradecimento a todos os seus fãs por incentivá-la a nunca desistir de sua carreira e sonhos. Em “Bodies”, Ruth experimenta um som pop-rock genérico parecido com o da banda Imagine Dragons. Isso é uma grande surpresa, já que não é parecida com nada que ouvimos nas faixas anteriores. No conteúdo lírico encontramos linhas como, “Somos soldados em uma guerra que não pode ser vencida”. Dedicada ao desgosto amoroso, “Moscas Muertas” é a primeira das duas faixas em espanhol. Uma balada despojada e conduzida pelo violão que aborda um relacionamento que ela teve durante sua passagem por Londres. A próxima faixa, “Freaks”, possui fortes influências dos anos 80, além de uma batida groovy e linha de baixo funky.

Uma canção que te convida para dançar, enquanto mostra um lado mais sensual e versátil da Ruth Lorenzo. Inspirada por artistas como Prince e George Michael, é certamente uma das faixas mais alegres de sua carreira. Em seguida, a cantora adiciona um toque de flamenco na faixa “Spanish Guitar”. Um número ritmicamente cativante com boas reviravoltas vocais. É, particularmente, uma homenagem sensual às suas raízes latinas acompanhada por guitarras espanholas e trompetes. Enquanto a música é cantada principalmente em inglês, há fortes influências latinas contidas no seu interior. “Another Day” é uma colaboração com um dos ídolos da cantora, o guitarrista Jeff Beck. Um número despojado inicialmente conduzido pelo piano, onde Beck impressiona com suas habilidades na guitarra. A última faixa é “Amanhecer”, uma balada sombria, melancólica e mal-humorada cantada em espanhol e vocalmente influenciada pela ópera. “Loveaholic” é o álbum mais íntimo e pessoal de Ruth Lorenzo até à data. Aqui, ela se afastou da pressão exercida por gravadoras e contratos a fim de criar um repertório mais autêntico. Embora não seja uma grande mudança para ela, é uma experiência totalmente nova para o ouvinte. A cantora resolveu combinar uma sonoridade pop com a sutileza de gêneros como o blues e soul, além do R&B, funk e pop-rock. Apesar de eventuais falhas, tudo soa natural e bem-sucedido.

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Favorite Tracks:

“Bring Back the New” / “Loveaholic” / “My Last Song”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.