Review: Rouge – Dona da Minha Vida

Lançamento: 31/08/2018
Gênero: Pop, R&B
Produtores: Pedro Dash e Marcelinho Ferraz
Compositores: Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins, Lu Andrade, Jão, Karen Rodriguez, Joey Mattos, Lucas Nage, Marcelinho Ferraz, Mr. Paradise, Pedro Dash e Pedro Tofani.

Esse ano está sendo muito especial para o grupo Rouge – elas voltaram à ativa depois de um longo hiato. Em 31 de agosto de 2018, Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade lançaram um novo single especialmente para os fãs. “Dona da Minha Vida” foi escrita pelo experiente quinteto, juntamente com um time de compositores que inclui o cantor Jão e a dupla Head Media (Pedro Dash e Marcelinho Ferraz), que também produziu a canção. O videoclipe, muito bem dirigido pela dupla Os Primos, é emponderador e mostra várias pessoas que sofreram algum tipo de discriminação ou violência. Através do vídeo, o Rouge demonstra apoio à pessoas que já foram vítimas de transfobia, homofobia, gordofobia e misoginia. Além de aparecer num belo arranha-céu, o grupo uniu várias pessoas de diferentes etnias e orientações sexuais para fazer parte do videoclipe. Muitos homens e mulheres sofrem preconceito e desprezo diariamente apenas por serem quem são. São pessoas que passam por lutas pessoais, e tentam conquistar seu espaço em uma sociedade hostil e preconceituosa. Lançar uma música como essa, foi a forma que o Rouge encontrou para mostrar sua empatia e solidariedade. Mas também trata-se de uma canção que elas mesmas podem se identificar. Afinal, são mulheres bem-sucedidas que, provavelmente, já foram vítimas de alguma depreciação, objetificação ou hostilidade do privilégio masculino. Dito isto, desde o título empoderador, “Dona da Minha Vida” é uma música que fornece uma mensagem sobre força e superação. Liricamente, o quinteto entrega letras confiantes e aborda temas como empoderamento, feminismo e relacionamento abusivo.

“Não pense que eu vou ficar vivendo no passado / Cansei, você nunca vai mudar, sempre tão complicado”, Karin Hils canta na introdução, após alguns elementos de reggae. É uma das músicas mais maduras e prudentes que o Rouge já lançou. Uma faixa pop com influências de R&B e inesperadas batidas de trap. Instrumentos como piano, baixo, sintetizadores e guitarras pontuam a música e dão um ar mais autêntico. “Eu vou viver todos os sonhos que tirou de mim / Tudo que você disse que eu não sou”, Li Martins canta, enquanto direciona seu comentário para o ex-marido. É surpreendente o quanto “Dona da Minha Vida” se afasta dos singles mais dançantes do Rouge. “Olha que ironia / Tudo que eu tinha era seu falso amor / Bye bye, siga / Num caminho onde eu não tô / E agora eu vou”, Fantine Thó canta no envolvente pré-refrão. Mas, quando você menos espera, o Rouge fornece um grandioso refrão formado por um forte coro. Os incríveis e cativantes “oooh ooooh oooh” grudam na cabeça te motivam a cantar junto. Enquanto Lu Andrade interpreta o refrão, Aline Wirley entrega um dos melhores versos da música: “Admito, tantas vezes me senti inferior a você / Mas quanto mais você implora e chora assim / Me lembro do meu poder”. A maior falha da música é a parte que cita o Instagram (“E para de me stalkear no Instagram”). A inclusão dessa frase foi totalmente desnecessária, porque derrubou o clima sério da escrita. Entretanto, não é algo que apaga a qualidade da música como um todo. Os vocais estão no ponto e impressionam pela dinâmica – a Lu Andrade e a Fantine ainda têm a oportunidade de mostrar seu alcance vocal próximo do final da música. “Dona da Minha Vida” já pode ser considerada uma das melhores músicas da carreira do Rouge. É provocante, sedutora e amadurecida!

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.