Review: Rich the Kid – The World Is Yours (2018)

Lançamento: 30/03/2018
Gênero: Hip hop, Trap
Gravadora: Interscope Records / Rich Forever
Produtores: Ben Jayne, Big White, Cassius Jay, Danny Wolf, DJ Mustard, Doughboy, FrancisGotHeat, Harry Fraud, J. Valle, KC Supreme, Metro Boomin, Mike Free, Lab Cook, LMC, Harry Fraud, Power, Resource, T-Minus, Taz Taylor, Tony Seltzer, Whatlilshoddysay, Wheezy e WondaGurl.

O rapper de Atlanta, Rich the Kid, lançou um álbum borbulhante e cativante em determinados momentos, mas dado a produção e narrativa, parece que ele ainda não chegou lá. É um registro meio sem inspiração, com recursos que não agregam tanto valor quanto o esperado.

Dimitri Leslie Roger, mais conhecido por seu nome artístico Rich the Kid, é um rapper americano de Atlanta. Em 30 de março de 2018, ele lançou o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “The World Is Yours”, via Interscope Records. O álbum conta com a participação de nomes conhecidos, como Kendrick Lamar, Lil Wayne, Khalid, Rick Ross, Swae Lee, Quavo e Offset. Para a produção, ele também recrutou produtores de alto perfil como Metro Boomin, WondaGurl, T-minus e DJ Mustard. Com uma combinação de alguns dos melhores artistas e produtores, ele falou sobre o álbum com muita confiança durante várias entrevistas. Se fosse para descrever o Rich the Kid, poderíamos dizer que ele parece um cruzamento entre o A$AP Rocky e o Lil Yachty. Ad-libs aparecem por todos os lados durante o repertório e substância lírica é algo raro de encontrar por aqui. Dinheiro, diamantes, fama e mulheres são temas recorrentes. Mas, apesar deste fato, ele possui uma grande ambição e auto-confiança. Sem dúvida, os artistas convidados foram uma grande ajuda para o rapper, tanto que se destacam. Devido a profundidade lírica inexistente, a melhor coisa que encontramos no álbum são as batidas. Graças às batidas e instrumentais, as canções possuem um maior valor de replay. Felizmente, Rich the Kid permaneceu fiel ao seu nome e mixtapes do passado.

A faixa-título, “World Is Yours”, soa como uma introdução adequada, à medida que as letras falam sobre ser um traficante que passou de falido para rico. Uma pesada e estrondosa batida dá o pontapé inicial. Rich the Kid oferece sua prudência na introdução sob uma produção misteriosa e mal-humorada. A faixa seguinte, “New Freezer”, com Kendrick Lamar, parece um pouco com “Gang Gucci” do Lil Pump. Um banger trap peculiar, onde o rapper fala sobre carros e mulheres. Esta não é uma faixa com a qual você normalmente associa o Kendrick Lamar, mas ele traz sua própria abordagem e significado. Em “No Question”, Rich the Kid apresenta novas ad-libs e divertidas letras ao lado do Future. Nas letras, ele se vangloria de sua ascensão, enquanto Future aparece sobre auto-tune e outros efeitos sonoros. O segundo single, “Plug Walk” foi a música do álbum mais bem colocada na Billboard Hot 100. Aqui, o produtor Lab Cook criou uma atmosfera para Rich ser criativo e apresentar versos com um fluxo notável. Certamente, esta faixa possui o instrumental mais memorável do repertório. Rich define uma vibração instantânea assim que pega o microfone. Em “Too Gone”, Khalid soa cativante cantando o refrão com seus vocais robustos e distintos. Embora Rich the Kid não expresse nada liricamente significativo, seus tons também se destacam.

Além disso, a batida de WondaGurl adicionou um efeito interessante à faixa. O verso de Jay Critch é o destaque de “Made It”, mesmo que Rich solte rimas ágeis que contrastam bem com o fluxo rouco do Rick Ross. “Drippin” é facilmente uma das faixas mais infecciosas do álbum, desde a produção até os vocais do Chris Brown. Sexo domina as letras dessa canção, uma vez que ela está cheia de metáforas relacionadas a isso. Mas não é algo surpreendente considerando que é uma colaboração entre Rich the Kid e Chris Brown. Diferente da faixa anterior, o rapper luta para encontrar um lugar em “Lost It”. Mais parece uma canção do Migos, visto que contém a presença de Quavo e Offset e está cheia de ad-libs de primeira linha. Em “End of Discussion”, é bom ouvir o Lil Wayne, mesmo que sua voz esteja um pouco estranha. O seu verso e agilidade são os maiores pontos de venda desta canção. Rich the Kid se esforça para descrever sua vida, mas é difícil prestar atenção ao seu última verso, uma vez que Lil Wayne rouba a cena. Soando mais focado em “Early Morning Trappin”, que apresenta o jovem Trippie Redd, seu segundo verso é um dos melhores do álbum. Um pouco peculiar, esta faixa possui uma produção inicialmente misteriosa. Uma vez que a produção se instala após o início enigmático, torna-se mais sólida e incorpora batidas de trap.

Para auxiliar Rich the Kid, Trippie Redd aproxima seu verso melodicamente, mesmo que cheio de auto-tune. Apesar de todas as falhas, rimas clichês e peculiaridades, “Early Morning Trappin” é um banger atraente. Enquanto o refrão de “Small Things” casa perfeitamente com a batida, “Listen Up” fornece um som mais sombrio. “Gargoyle”, por sua vez, possui uma produção minimalista e refrão narcótico interpretado por Swae Lee do duo Rae Sremmurd. Lançada como terceiro single, “Dead Friends” possui excelentes batidas como cortesia de DJ Mustard. Esta canção tem um gancho feroz que envolve principalmente dinheiro, mas também faz referências às mulheres. Se você ouviu o refrão, basicamente já escutou a premissa inteira da música. Para o entretenimento, “Dead Friends” cumpre seu papel, mas do ponto de vista musical não abre novos caminhos para Rich the Kid. Confiança é uma coisa importante que todo artista deveria ter. No entanto, muitos vezes alguns rappers pecam pelo excesso e este é justamente o caso de Rich the Kid. Mesmo com ótimos recursos e algumas batidas agradáveis, ele dificilmente se apresenta como um cara talentoso. As melhores coisas sobre o álbum são as ad-libs viciantes, produção e a contribuição dos artistas convidados. Felizmente, o repertório possui alguns bangers legítimos que cativam com facilidade!

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Favorite Tracks:

“New Freezer (feat. Kendrick Lamar)” / “Plug Walk” / “Dead Friends”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.