Review: Rich Brian – Amen (2018)

É legal ver um jovem de Jacarta fazendo rap, além disso “Amen” é um álbum divertido. Porém, faltam alguns aspectos primordiais para ser considerado um projeto bem-sucedido.

Brian Imanuel, conhecido profissionalmente como Rich Brian, é um rapper indonésio de apenas 18 anos. Lançado em fevereiro de 2016, ele é mais conhecido pelo viral “Dat $tick”. Inicialmente, Imanuel era chamado de Rich Chigga e postava vídeos no aplicativo Vine. Ele cresceu na Indonésia e aprendeu inglês através de vídeos de rappers como Macklemore, Drake e 2 Chainz. Lançado sob o apelido de Rich Chigga, o vídeo de “Dat $tick” apresentava Imanuel despejando garrafas de bebida alcoólica e usando a palavra “nigga” de forma confortável. Foi a partir daí que derivou o seu antigo nome artístico, uma mistura de chinês com ofensa racial. Afinal, Brian Imanuel não é negro e estava tentando abraçar a cultura do hip-hop zombando dela, fazendo rap sobre matar policias e pronunciando a palavra “nigga” indevidamente. Felizmente, ele decidiu abandonar o controverso apelido de Rich Chigga, em favor de se chamar Rich Brian. “Eu era ingênuo e cometi um erro”, ele disse no Twitter pedindo desculpas pela imaturidade. Ele era um rapper que fazia comédia, mas aprendeu a produzir sua própria música e passou a levar o hip-hop a sério no seu primeiro álbum de estúdio. “Amen” possui quatorze faixas, incluindo os singles “Glow Like Dat”, “Attention” e “See Me”. Rich Brian produziu o álbum praticamente sozinho e, consequentemente, conseguiu criar uma coleção coesa.

Durante uma entrevista, ele afirmou que Tyler, the Creator foi uma das maiores inspirações do álbum. Como já mencionado, Brian surgiu na extinta plataforma Vine, por isso a comédia esteve presente em sua vida. Mas agora ele está tentando ser levado a sério como rapper. Uma das primeiras coisas perceptíveis é o som característico, encharcado por chimbais, trompetes, guitarra e piano elétrico. Mesmo sendo tão jovem e um garoto de classe média de Jacarta, podemos concluir que Rich Brian já chegou longe. Mais impressionante do que isso, é ele aprender inglês assistindo videoclipes no YouTube e poder rivalizar com rappers mais experientes. Além disso, seu sotaque aumenta o charme de sua voz, em vez de ser um obstáculo. Mas embora tenha amadurecido, o seu primeiro álbum contém muito problemas. Infelizmente, boa parte das faixas são muito similares para se destacarem. Outro problema vem do seu fluxo, pois não é flexível e peca drasticamente pela falta de variação. A breve primeira faixa é apresentada rapidamente com rimas ágeis e uma voz grave e profunda. A produção é orgânica e esquelética com a maior atenção voltada para o próprio Brian. “Cold” ostenta um pano de fundo mais pronunciado e exuberante, enquanto “Occupied” possui uma abordagem mais obstinada.

A produção é minimalista, harmonicamente simples e possui xilofones em sua composição. O banger “Introvert” mergulha mais fundo no isolamento das letras. Aqui podemos notar que Rich Brian é um produtor muitas vezes talentoso. Enquanto o teclado e os vocais de Joji introduzem uma vibe narcótica, Brian foca nas rimas rápidas: “Eu só quero saber porque eu estou me sentindo tão solitário à noite / Sim, há buraco na minha alma, não sei como preenchê-lo / Não posso deixar ninguém entrar, esperando que elas entendam”. Em “Attention”, com suporte de Offset, Brian recua para clichês fáceis e letras embaraçosas. Mesmo cuspindo sobre um pano de fundo malicioso, ele parece no piloto automático. “Glow Like Dat” o vê lidando com o seu primeiro desgosto amoroso. Ele fala sobre uma garota que conheceu na internet e decidiu terminar o namoro depois de apenas dois meses. Lançada em agosto de 2017, “Glow Like Dat” possui uma produção muito mais gentil e suave. Depois de entregar frases mais aleatórias em “Trespass”, Brian fala sobre sua vida e carreira em “Flight”. Uma canção meio clichê, mas muito mais honesta e pessoal do que boa parte do álbum. Através de faixas como “See Me”, onde ele diz ser o “MC Hammer da Indonésia”, e “Kitty”, que fala sobre conhecer uma garota para perder a virgindade, Brian consegue ser liricamente inconveniente.

Sonoramente, “See Me” nos faz recordar de Lil Peep, pois combina uma estética emo com batidas de trap. “Kitty”, por sua vez, mostra o seu talento cômico, mas de forma desajeitada e desconfortável. “Ficando bem molhada, suando correndo pelo pescoço / E a gatinha tão fofa, eu quero mantê-la como um animal de estimação / Ela é tão limpa cara, que o bichano cheira como casca de melada, ele diz no segundo verso. As letras são muito sexuais, mas não são engraçadas ou inteligentes o suficiente para compensar o constrangimento que elas causam. “Little Prince” possui uma abordagem mais equilibrada, sedutora e expressiva, enquanto “Chaos” é uma faixa trap estonteante. “Sim, feliz aniversário para mim / Eu tenho 18 anos agora / E as mulheres podem legalmente fazer sexo comigo”, ele diz aqui. De forma curta e direta, Rich Brian celebra sua masculinidade por causa da idade recém-atingida. A última faixa, “Arizona”, conclui o registro com vocais interessantes de August 08. A produção está no ponto, à medida que possui piano e uma distinta programação de bateria. Tudo somado, Rich Brian infelizmente não conseguiu entregar um álbum sólido e completamente promissor. Mesmo que ele tenha conseguido criar um repertório por conta própria, não dá para fechar os olhos diante dos seus problemas e falhas.

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Favorite Tracks:

“Introvert (feat. Joji)” / “See Me” / “Little Prince (feat. NIKI)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.