Review: Rich Brian – Amen

Lançamento: 02/02/2018
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: 88rising / Empire Distribution
Produtores: Rich Brian, Channel Tre, Cubeatz, Frans Mernick, J Hill, Joshua Crosby, OZ, Rogét Chahayed e Wesley Singerman.

Brian Imanuel, conhecido profissionalmente como Rich Brian, é um rapper indonésio de apenas 18 anos. Ele é mais conhecido pelo viral “Dat $tick”, lançado em fevereiro de 2016. Inicialmente, Imanuel era chamado de Rich Chigga e postava vídeos no aplicativo Viner, onde conseguiu transformar o single “Dat $tick” num viral. Ele cresceu na Indonésia e aprendeu inglês através de vídeos de rappers como Macklemore, Drake e 2 Chainz. Lançado sob o apelido de Rich Chigga, o vídeo de “Dat $tick” apresentava Imanuel despejando garrafas de bebida alcoólica e usando a palavra “ni**a” de forma confortável. Foi a partir daí que derivou o seu antigo nome artístico, uma mistura de chinês com ofensa racial. Afinal, Brian Imanuel não é negro e estava tentando abraçar a cultura do hip-hop zombando dela, fazendo rap sobre matar policias enquanto pronunciava a palavra “ni**a” indevidamente. Felizmente, ele decidiu abandonar o controverso apelido de “Rich Chigga”, em favor de se chamar Rich Brian, e pediu desculpas no Twitter pela imaturidade: “Eu era ingênuo e cometi um erro”.

Ele era um rapper que fazia comédia, porém, aprendeu a produzir sua própria música e passou a levar o hip-hop a sério no seu primeiro álbum de estúdio, “Amen”. O LP possui quatorze faixas, incluindo os singles “Glow Like Dat”, “Attention”, que apresenta Offset, e “See Me”. Rich Brian produziu o álbum praticamente sozinho e, consequentemente, conseguiu criar uma coleção coesa. Durante uma entrevista, ele chegou a afirmar que Tyler, the Creator foi uma de suas maiores inspirações para o álbum. Como já mencionado, Brian surgiu na extinta plataforma Vine, por isso a comédia esteve presente em sua vida. Mas agora ele está tentando ser levado a sério como rapper. Uma das primeiras coisas perceptíveis no álbum é o som característico, encharcado por chimbais, trompetes, guitarra e piano elétrico. Mesmo sendo tão jovem e um garoto de classe média de Jacarta, Indonésia, podemos concluir que Rich Brian já chegou longe. Mais impressionante do que isso, é ele aprender inglês assistindo videoclipes no YouTube e poder rivalizar com rappers mais experientes. Além disso, seu sotaque aumenta o charme da sua voz, em vez de ser um obstáculo.

Mas, embora tenha amadurecido, o seu primeiro álbum contém muito problemas. Infelizmente, boa parte das faixas são muito similares para se destacarem. Outro problema vem do seu fluxo, pois não é flexível e peca drasticamente pela falta de variação. A breve primeira faixa, “Amen”, é apresentada rapidamente com rimas ágeis e uma voz grave e profunda. A produção é orgânica e esquelética com a maior atenção voltada para o próprio Rich Brian. “Cold” ostenta um pano de fundo mais pronunciado e exuberante, enquanto “Occupied” possui uma abordagem mais obstinada. A produção é minimalista, harmonicamente simples e possui xilofones em sua composição. O banger “Introvert”, com Joji, mergulha mais fundo no isolamento das letras. Aqui, podemos notar que Rich Brian é um produtor muitas vezes talentoso. Enquanto o teclado e os vocais de Joji introduzem uma vibe narcótica, Brian foca nas rimas rápidas: “Eu só quero saber porque eu estou me sentindo tão solitário à noite (…) / Sim, há buraco na minha alma, não sei como preenchê-lo / Não posso deixar ninguém entrar, esperando que eles entendam”.

Em “Attention”, com suporte de Offset, Brian recua para clichês fáceis e letras embaraçosas. Mesmo cuspindo sobre um pano de fundo malicioso, ele parece no piloto automático. A sexta faixa, “Glow Like Dat”, mostra o rapper lidando com o seu primeiro desgosto amoroso. Ele fala sobre uma garota que conheceu na internet e decidiu terminar o namoro depois de apenas dois meses. Lançada em agosto de 2017, “Glow Like Dat” possui uma produção muito mais gentil e suave. Depois de entregar frases mais aleatórias durante “Trespass”, Brian fala sobre sua vida e carreira em “Flight”. É uma canção meio clichê, porém, muito mais honesta e pessoal do que boa parte do álbum. Através de faixas como “See Me”, onde ele diz ser o “MC Hammer da Indonésia”, e “Kitty”, que fala sobre conhecer uma garota para perder a virgindade, Brian consegue ser liricamente inconveniente. Sonoramente, “See Me” nos faz recordar de Lil Peep, pois combina uma estética sombria e emo com batidas de trap. “Kitty”, por sua vez, mostra o seu talento cômico, mas de forma desajeitada e desconfortável.

“Ficando bem molhada, suando correndo pelo pescoço / E a gatinha tão fofa, eu quero mantê-la como um animal de estimação / Ela é tão limpa cara, que o bichano cheira como casca de melada / Finalmente, ficando difícil, então você sabe o que acontecerá depois”, ele diz no segundo verso. As letras são muito sexuais, mas não são engraçadas ou inteligentes o suficiente para compensar o constrangimento que elas causam. “Little Prince”, com NIKI, possui uma abordagem mais equilibrada, sedutora e expressiva, enquanto “Chaos” é uma faixa trap estonteante. “Sim, feliz aniversário para mim / Eu tenho 18 anos agora / E as mulheres podem legalmente fazer sexo comigo”, ele diz aqui. De forma curta e direta, Rich Brian celebra sua masculinidade por causa da idade recém-atingida. A última faixa, “Arizona”, conclui o registro com vocais muito interessantes de August 08. A produção também está no ponto, à medida que possui piano e uma distinta programação de bateria. Tudo somado, Rich Brian infelizmente não conseguiu entregar um álbum sólido e completamente promissor. Mesmo que ele tenha conseguido criar um repertório por conta própria, não dá para fechar os olhos diante dos seus problemas e falhas.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.