Review: Rae Sremmurd – SR3MM (2018)

Lançamento: 04/05/2018
Gênero: Hip hop, Trap, Pop
Gravadora: Ear Drummer Records / Interscope Records
Produtores: 30 Roc, Chopsquad DJ, D-Jay Sremm, Diego Avé, J-Bo, Jean-Marie Hovart, Kent Lucciano, Mally Mall, Marz, Metro Boomin, Mike Will Made It, MP808, Pluss, Swae Lee e TM88.

O “SR3MM” acabou tornando-se a declaração pessoal mais clara do Rae Sremmurd até o momento. Sua música se tornou mais exuberante e suas cadências mais complexas. O formato triplo permitiu uma visão distinta das duas partes que formam o duo.

O“SR3MM” é o terceiro álbum de estúdio da dupla americana Rae Sremmurd. Trata-se de um projeto triplo que também inclui os álbuns solo de cada um dos membros, “Swaecation” do Swae Lee e “Jxmtro” do Slim Jxmmi. O álbum conta com participações especiais de Juicy J, Travi$ Scott, Future, Pharrell Williams, Young Thug e The Weeknd. Os primeiros hits do Rae Sremmurd foram vistos como completamente empolgantes e cativantes. Depois de “No Flex Zone” e “No Type”, o consenso era de que eles nunca seriam capazes de superar ambos hits. Instantaneamente, os críticos começaram a especular que tratava-se de quinze minutos de fama. No entanto, eles lançaram seu primeiro álbum de estúdio, “SremmLife” (2015) e, um ano depois, explodiram ainda mais com a excelente “Black Beatles” do álbum “SremmLife 2” (2016). Posteriormente, eles resolveram ir além das expectativas dos fãs e lançaram esse projeto ambicioso formado por três discos. Cada um dos álbuns possui nove faixas e a produção executiva do Mike Will Made It. Como um duo, Rae Sremmurd está melhor do que nunca. Esse audacioso esforço triplo é o seu melhor trabalho até agora, e os solidifica como estrelas do pop-rap. O bom de vê-los lançando discos solo é que podermos ter certeza do que ambos são capazes de fazerem sozinhos. Mas um álbum triplo parece, fundamentalmente, uma escolha estranha para o Rae Sremmurd.

Historicamente, eles têm como alvo os clubes de strip-tease e as rádios. Então, o que acontece quando dois rappers que fazem músicas propositalmente pouco ambiciosas resolvem ampliar seus escopos? A maior surpresa deste projeto é o Slim Jxmmi, que se transforma em uma inesperada estrela ao longo do curso do “SR3MM” e do seu respectivo disco solo. Jxmmi não tem a sensibilidade melódica ou as aspirações de R&B do Swae Lee. Em vez disso, seu maior patrimônio é o carisma e esforço. Ele faz rap com tanta força, enfatizando cada sílaba, que surpreende de uma forma impressionante. E, enquanto ele normalmente não fica responsável pelos refrões nas músicas do Rae Sremmurd, ele prova ter algo de especial. A produção do “Jxmtro” é mais sombria e menos acessível do que a do “Swaecation”, e Jxmmi se inclina mais para as paisagens noturnas dos clubes de strip-tease. Mas, ao apostar em seu som consagrado, Slim Jxmmi se encontra no centro de um sólido álbum de trap digno de replay. Quando o “SR3MM” foi anunciado, fez muito sentido, considerando o sucesso do Swae Lee na memorável “Unforgettable” do French Montana, já que poderia ser um passo adiante para ele se tornar um artista solo. Estranhamente, “Swaecation” acha nosso membro favorito incapaz de esticar seu carisma ao longo de seus 36 minutos. Sua atmosfera sonora é mais quente que a do “Jxmtro” ou “SR3MM” e colorida por si só.

Embora “Swaecation” possa não ser forte o suficiente para justificar seu tempo de execução, ele faz um trabalho crucial para expandir a paleta emocional do duo. E apesar de ser divertido ver como Swae Lee e Slim Jxmmi trabalham separados um do outro, não é coincidência que uma das melhores músicas do “Swaecation” seja justamente aquela que apresenta o Jxmmi. Aparentemente, eles sempre são mais eficazes quando têm um ao outro para se apoiar. Embora o Rae Sremmurd não tenha letras essenciais, suas canções sempre deixam um impacto duradouro. E isso é essencial em um álbum triplo como este. “SR3MM” é onde o duo está no seu melhor, complementando um ao outro através do rap de Slim Jxmmi e das melodias auto-sintonizadas de Swae Lee. Com apenas nove faixas, há pouco espaço para erros. A maior parte do “SR3MM” apresenta abordagens esqueléticas e despojadas, evidentemente desmoronando nas tendências do Mike Will Made It: riffs de teclado, bateria de inspiração trap, auto-tune, atmosfera escura, loops de sintetizadores e, obviamente, poderosas linhas de baixo. Quanto mais você ouve, mais o “SR3MM” parece uma mistura do que Swae Lee e Slim Jxmmi criaram individualmente. As maiores atrações aqui, no entanto, são as grandes diferenças musicais entre o “SR3MM” e os dois discos solo de cada um. 

Com a fórmula do Rae Sremmurd separada, os garotos puderam mostrar suas habilidades sem precisar abrir espaço um para o outro. Apesar de não ser uma faixa necessariamente ruim, “Up in My Cocina” não é a abertura explosiva que o álbum precisava. É uma canção que sofre com a qualidade das batidas quando é provado que Mike Will Made It pode fazer melhor. Em seguida, o duo anseia por privacidade em “CLOSE”, uma colaboração com o rapper Travi$ Scott. Se os ouvintes estão procurando a diversão de Rae Sremmurd com a qual o público se acostumou em seus esforços anteriores, eles certamente irão encontrá-la nessa música. Com fortes tambores, vocais enérgicos e um ambiente espacial, Rae Sremmurd soube como trabalhar essa faixa adequadamente. Com “CLOSE”, eles conseguiram expandir o seu pop-trap, mesmo que o refrão sofra pela falta de uma melodia memorável. Em “Bedtime Stories”, que brilha como um neon florescente, Swae Lee flutua com seu falsete, enquanto é apoiado pelos suaves vocais do The Weeknd. É uma das melhores faixas do álbum! É gratificante ver o melodrama do Abel rastejando pelo universo do Rae Sremmurd. Enquanto Swae Lee canta solenemente ao longo da música, Jxmmi direciona suas letras para uma pretendente: “Apaixonar-se é meu pior pesadelo”“Perplexing Pegasus” é com certeza uma das melhores e mais emocionantes músicas do álbum – nem precisa de uma longa descrição para ver o quanto ela é agradável.

Mas além dos singles, há outro vencedor infalível neste álbum, ele se chama “Buckets”, uma parceria com o Future. Um banger incondicional e minimalista que melhor se adapta à personalidade do Slim Jxmmi. O refrão é estúpido e explícito, mas totalmente viciante. Musicalmente, trata-se de um retorno do Mike Will Made It ao funk, composto por uma guitarra e um piano infeccioso. O mesmo vale para a viciosa “42”, que além de manter os pontos fortes do Rae Sremmurd, fornece uma batida muito animada. Mas o posto de melhor música do álbum vai para “Powerglide”, uma colaboração com o rapper Juicy J. Musicalmente, este single utiliza amostras de “Side 2 Side”, uma antiga canção do grupo Three 6 Mafia, do qual Juicy J fazia parte. A base de “Powerglide” está na melodia efervescente que Swae Lee, em particular, usa para mostrar o seu talento. Sobre uma presença cativante e um fluxo lírico dinâmico, Slim Jxmmi e Swae Lee surpreendem positivamente. Desde o início, “Powerglide” sente-se escura e está configurada numa chave menor. As cordas rítmicas utilizadas como pano de fundo são um destaque a parte e a principal característica da produção! Ademais, os contundentes tambores foram muito bem combinados com o sintetizador e o baixo épico. Swae Lee certamente possui os melhores vocais da dupla, principalmente quando emprega alguns falsetes na mistura. 

Ele lida com o atrativo e maravilhoso refrão, bem como os dois primeiros versos da música. Assim como no hit “Black Beatles”, inicialmente “Powerglide” parece ser uma música solo de Swae Lee. “Pintura verde limão, manteiga de amendoim no interior / Ela quer foder, falar / Tirando a roupa / Eu estou no país das maravilhas quando ela vem abaixo do pole”, ele canta no refrão. Slim Jxmmi apresenta o terceiro verso e oferece um afiado contraste sobre os vocais agitados do seu irmão. Enquanto isso, Juicy J fica responsável pelo quarto e último verso, inundando-o com várias referências à mulheres e sexo. Ademais, o rapper aproveita para prestar um rápido tributo a Lil Peep. “Powerglide” é uma música fantástica que mostra o talento do Rae Sremmurd para criar algo novo e revigorante na música trap. Mesmo sendo longo, é um banger incrivelmente agradável e muito bem concebido. “Rock n Roll Hall of Fame”, por sua vez, traz naturalmente “Black Beatles” à mente. As guitarras inspiradas pelo reggae quebra qualquer monotonia e captura a grandiosidade da dupla. Swae Lee usa sua voz através da batida trovejante, até Jxmmi entrar em torno da marca de 2 minutos. Ele é um contraponto muito necessário para essa canção. Swae e Slim receberam alguns dos instrumentais mais dinâmicos nesta música, com cada batida fazendo o trabalho perfeito de exalar uma miríade de emoções.

A última faixa, “T’d Up”, é um banger de hip-hop e trap com uma paisagem sonora misteriosa, produzido por Metro Boomin e Darrel Jackson. A faixa começa com uma introdução que inclui a assinatura do onipresente Metro Boomin. A produção foi ancorada por uma batida rígida e temperamental, enquanto os sintetizadores estão mais refrigerados. A linha de baixo sente-se totalmente padronizada pelos aspectos da produção de Boomin. Mas, apesar de manter o ritmo e possuir uma melodia reluzente, “T’d Up” é carente de um gancho ou refrão atrativo. É uma faixa repleta de energia e intensidade, mas possui um papel limitado de Slim Jixmmi e não é tão divertida como os singles anteriores. Além disso, “T’d Up” é preenchida pelas tendências do Rae Sremmurd, mas não fornece sua típica entrega feroz e humor evocativo. Geralmente, as batidas esqueléticas, sintetizadores cintilantes e a produção moderna foram as plataformas ideais para os fluxos intricados de Swae e Jxmmi. Porém, “T’d Up” carece de um fluxo musculoso e inteligente, consequentemente não soa tão convincente. Ao ouvir o “SR3MM”, você nunca sente que está escutando faixas descartáveis ou fillers. A duração permite que o Rae Sremmurd ofereça todas as suas peculiaridades com grande vigor. Há realmente uma alegria contagiante neste álbum – seja pelo carisma do duo ou pela estrutura da produção do Mike Will Made It.

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Favorite Tracks:

“CLOSE (feat. Travi$ Scott)” / “Perplexing Pegasus” / “Powerglide (feat. Juicy J).

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.