Review: Preoccupations – New Material (2018)

Lançamento: 23/03/2018
Gênero: Post-Punk, Indie Rock
Gravadora: Flemish Eye / Jagjaguwar
Produtor: Preoccupations.

Peoccupations é uma banda canadense de post-punk formada em 2012 sob o nome Viet Cong. Em 2018, o grupo está de volta com seu segundo álbum como Preoccupations e terceiro no geral. Na primeira audição, a banda soa menos expansiva do que nos álbuns anteriores. E, embora o “New Material” pareça um pouco caótico, é claro que o grupo  criou cada faixa cuidadosamente. Este registro oferece alguns dos trabalhos mais fantásticos e up-tempo da banda até o momento. Eles pegaram seu som já estabelecido e o levou para lugares novos e emocionantes. O primeiro álbum do Preoccupations, gravado sob o apelido Viet Cong, recebeu aclamação da crítica e gerou muita atenção ao nome da banda um tanto insípido. Em resposta, o grupo mudou seu nome antes do segundo LP para Preoccupations. Embora menos controverso do que seu antecessor, “Preoccupations” (2016) estabeleceu um alto padrão para o terceiro álbum da banda. O barulhento e post-punk do Viet Cong transformou-se em ondas sombrias.

E agora no “New Material”, a banda finalmente decidiu fazer músicas totalmente formadas, oferecendo uma paleta de sons mais ampla e um alcance emocional mais profundo. Há algumas coisas que a maioria das canções do Preoccupations têm em comum. Eles geralmente têm títulos de uma única palavra, e essas palavras são geralmente bastante sombrias. “Anxiety”, “Degraded” e “Monotony” foram alguns dos destaques do seu segundo álbum auto-intitulado. Enquanto o “New Material” é em grande parte uma continuação da estética que o Preoccupations estabeleceu há três anos, é uma novidade que não se esgotou. Esse quarteto forma uma banda que sempre se deu bem nas sombras, e o “New Material” é a prova suficiente de que eles ainda podem manipulá-las a seu favor. “New Material” é curto, mas tão niilista quanto um típico álbum do grupo, além de ser mais melódico e acessível. À medida que os anos passaram, Preoccupations visivelmente amadureceu como músicos e pessoas. Enfrentando seus demônios internos como nunca antes no “New Material”, a banda criou um clima intenso junto com ritmos mais compreensíveis.

Enquanto isso pode parecer monótono algumas vezes, faz parte do que o grupo está tentando dizer neste álbum. Primeiramente, eles destilam um som mecanizado e robótico na faixa de abertura, “Espionage”. Composta por batidas programadas, teclados rodopiantes e linhas de baixo, o profundo cântico de Matt Flegel conduz das coisas. As letras estridentes são nebulosas, enquanto as batidas de percussão nos levam por uma experiência sombria. Sonoramente, “Espionage” cria uma audição reminiscente de bandas como The Cure e New Order, além de fornecer ligeiros floreios do Giorgio Moroder. Depois do clima pesado desta faixa de abertura, “Decompose” soa enganosamente arejada com sua linha de baixo trêmula e sintetizadores escuros. Ela abre com uma bela harmonização vocal e, em seguida, apresenta percussão e repetitivos sintetizadores. “Disarray” possui uma melodia sem esforço, teclados brilhantes, guitarras distantes e tambores acelerados que dão uma sensação de desapego. Embora seus efeitos possam dominar a melodia, o peso emocional do Preoccupations adiciona um tom poderoso.

Quando a banda desacelera as coisas, há resultados mistos. “Manipulation”, por exemplo, é arrastada e têm vocais ligeiramente exagerados. O instrumental é minimalista, mas ainda consegue invocar um clima pesado semelhante ao de “Espionage”. Felizmente, os caóticos tambores foram bem colocados ao lado da suave melodia de teclado. “Antidote”, em particular, é a peça central do “New Material” e, apesar dos seus tambores trovejantes e grunhido nos vocais, cria uma atmosfera fascinante. Aqui, ganchos vocais giratórios são intercalados adequadamente com sintetizadores cintilantes. “Solace”, por sua vez, tem uma forte linha de baixo e um trabalho de guitarra adicional. Ambos instrumentos combinam com a energia dos vocais, ao passo que as letras contam uma histórias pessimista. É uma faixa nebulosa e sonhadora que nos faz recordar da banda Joy Division da melhor maneira. Com ressonantes ecos de sintetizadores e brilhantes riffs de guitarra sobre a linha de baixo retumbante, “Solace” transforma-se numa inspiradora peça de new-wave. Outra faixa estelar é “Doubt”, que desenha sua introdução com uma percussão retirada diretamente dos ingleses da Joy Division.

Dessa forma, Preoccupations conseguiu criar uma canção post-punk com progressão minimalista. Essa canção preenche o disco com uma espécie de desespero eletrônico, uma vez que a qualidade sintética dos tambores e sintetizadores causam uma sensação distópica. Por mais que a canção pareça sem esperança, Matt Flegem fornece ganchos vocais com a profundidade que ela precisa. O instrumental de “Compliance”, com sua sonoridade industrial e obscura, acrescenta um pouco de variedade ao repertório. Essa faixa usa apenas dois acordes, mas embora pareça uma escolha estranha, prova que seus tons exuberantes e em camadas são perfeitos para finalizar o disco. Os sintetizadores penetrantes, batidas intensas, nítidos teclados criam um tom cheio de tristeza e ansiedade, enquanto flui por mais de 5 minutos de duração. Apesar do som menos abrasivo, Preoccupations continua tão impressionante e arrojada como sempre foi. Com um senso de coesão entre as letras e instrumentação, eles conseguiram criar um álbum elegante e exuberante que se inspira no melhor do new-wave e post-punk.

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    SCORE - 76%
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Favorite Tracks:

“Espionage” / “Decompose” / “Solace”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.