Review: Panic! at the Disco – Pray for the Wicked (2018)

Lançamento: 22/06/2018
Gênero: Pop rock, Pop, Jazz, Pop barroco, Rock alternativo
Gravadora: Fueled by Ramen / DCD2 Records
Produtores: Jake Sinclair, Scott Chesak, Tobias Wincorn, Dillon Francis, Jonas Jeberg, ST!NT, @iamchillpill, MOTIV e Alex ‘AK’ Kresovich.

“Pray for the Wicked” é tão pecaminosamente bom quanto qualquer coisa que o Panic! at the Disco fez antes. Ele foi escrito imediatamente após o recente trabalho de Brendon Urie em um musical da Broadway.

Brendon Urie viveu altos e baixos, mas construiu uma grande carreira musical, confiando tanto em seu talento e carisma quanto em sua sorte. Depois de lançar quatro álbuns com formações ligeiramente diferentes, o Panic! at the Disco – uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos – tornou-se uma banda de um homem só em 2016. Seu novo álbum, “Pray for the Wicked”, leva a sensibilidade pop e a teatralidade do “Death of a Bachelor” (2016) para um novo nível – com grandes instrumentos metais, buzinas e uma percussão emparelhada com os fortes vocais do Brendon Urie. Enquanto você achava que não seria possível lançar um bom acompanhamento para o “Death of a Bachelor” (2016), o Panic! at the Disco chega com o “Pray for the Wicked’ e muda o jogo mais uma vez. A propósito, o álbum anterior provou ser a era de maior sucesso da banda. Ele estreou em #1 lugar na parada da Billboard e rendeu sua primeira indicação ao Grammy Award. Mas onde este álbum fechou um capítulo na vida do Brendon Urie, “Pray for the Wicked” serve como um recomeço. No repertório, Urie analisa o que ele conquistou até agora e celebra sua nova liberdade artística. Ao relembrar o mandato da banda, este registro acaba explorando o relacionamento do cantor com o mundo da música – para o bem ou para o mal. Os momentos mais genuínos do repertório são compensados ​​por uma boa dose de teatralidade.

Panic! at the Disco sempre teve um toque dramático, desde suas raízes emo em “A Fever You Can’t Sweat Out” (2005), até o synth-pop escuro do “Too Weird to Live, Too Rare to Die!” (2013). Naturalmente, algumas pessoas podem argumentar que o “Pray for the Wicked” não soa como o Panic! at the Disco, e de certa forma, eles não estão completamente errados. Este álbum não soa nada parecido com o citado “A Fever You Can’t Sweat Out” (2005) ou o “Vices & Virtues” (2011), ou mesmo o “Death of a Bachelor” (2016). E não seria Panic! at the Disco, se assim fosse. Em vez disso, “Pray for the Wicked” marca uma nova era para o Panic! at the Disco, influenciado pela Broadway e o pop moderno. Como um todo, é um álbum surpreendentemente coeso. Embora existam algumas faixas de enchimento, há muitos pontos fortes no seu interior – agora que Brendon Urie é o único membro oficial da banda. Se uma coisa é certa, é que a sua voz não enfraqueceu. E dependendo do seu gosto, este álbum tem um pouco de tudo: jazz, rock-alternativo, pop-barroco, pop e pop-rock. É como se fosse um “Death of a Bachelor” (2016), porém, com muitos saxofones e outros instrumentos de metais. É um registro conceitual sobre as provações e tribulações, não apenas da indústria da música, mas do show business como um todo. Ao fazê-lo, Brendon Urie criou o disco mais temático da carreira da banda.

Enquanto o repertório é alimentado por sintetizadores, elementos de R&B, guitarras de estilo disco e linhas de baixo persistentes, há uma orquestra chocante que adiciona uma grande vivacidade às músicas. Embora não seja um grande salto estilístico como foi o “Pretty. Odd.” (2008), é um álbum de certa forma surpreendente. Resumidamente, Brendon Urie criou uma seleção de faixas que vão desde a dança orquestral até baladas sinceras. As letras são cheias de orgulho e confiança e – no verdadeiro estilo de Brendon Urie – afirmam que nada do que ele ganha será bom o suficiente. A maioria das faixas do “Pray for the Wicked” tem um ritmo rápido e o resultado final é um registro cinematográfico cheio de músicas dignas de seu próprio show na Broadway. Enquanto os metais e as batidas eletrônicas adicionam uma camada de boas-vindas ao Panic! at the Disco, a adição de outras faixas com guitarra elétrica torna a segunda parte do álbum mais dinâmica e distinta. A teatralidade, os fortes vocais e a confiança de marca registrada estão presentes, embora misturados com uma maturidade e vulnerabilidade recém-descobertas. A primeira faixa, “(Fuck A) Silver Lining”, foi lançada como single promocional em 21 de março de 2018. Urie parece jubiloso quando canta: “Foda-se o pensamento positivo / Porque só o ouro é quente o suficiente, quente o suficiente”. Você achou que não haveria palavrões neste álbum?

Porque essa música é basicamente projetada para lembrá-lo de qual banda você está ouvindo. É uma canção que lembra o som pop e eletrônico que o álbum anterior experimentou. “Say Amen (Saturday Night)” segue por uma veia similar à de “Hallelujah”, mas deixa uma introspecção pelo caminho sobre ganchos rápidos e alguns falsetes. “Juro por Deus que eu nunca vou me arrepender / Mamãe posso ouvir outro amém?”, ele canta no explosivo refrão. Assim como “Hallelujah”, esta música fala sobre ir contra a igreja e as diretrizes religiosas. Brendon Urie cresceu como mórmon, mas deixou a Igreja dos Santos dos Últimos Dias há cerca de uma década. “E todas as manhãs quando eu acordo / Eu quero ser quem eu não diria que eu seria / Mas é muito mais do que eu já fui”, ele canta no segundo verso. Urie mostra que não se sente culpado por suas escolhas e estilo de vida. “Say Amen (Saturday Night)” é uma boa representação do seu potencial criativo. Embora seja uma fórmula comum para o Panic! At the Disco, há alguns elementos distintos no seu interior. Enquanto a guitarra distorcida fornece uma natureza rock, há toques de R&B, bateria eletrônica, teclados, linhas de sintetizador, tambores maciços e fortes instrumentos de metais. Como de costume, o trabalho de produção impressiona. Os falsetes são incríveis e mostram todo o seu talento como vocalista.

O início da música apresenta uma batida caracteristicamente peculiar, antes do Brendon Urie entrar em sintonia com o refrão. Essa mesma vibração continua a ser vital e se move para a segunda estrofe escorregadia. A percussão permite que as letras auto-reflexivas tomem o centro do palco. A próxima faixa, “Hey Look Ma, I Made It”, fala sobre sua vida como músico e as preocupações de seus pais. Novamente, no melhor estilo do cantor, ele se gaba de finalmente alcançar um ponto de sucesso. Ele tem fama, dinheiro e está fazendo o que mais gosta. É uma música na maior parte alegre em termos de conteúdo lírico e até mesmo melodia. Ela definitivamente resume a jornada do Brendon Urie para o sucesso musical: manter a cabeça erguida, permanecer positivo e lidar com o negativismo com um sorriso no rosto. “High Hopes” o encontra cantando letras inspiradoras sobre instrumentos de metais, cordas e sintetizadores. “Tinha que ter altas expectativas para viver / Não sabia como, mas eu sempre tive um pressentimento”, ele canta no refrão. “Eu ia ser aquele um em um milhão / Sempre tive altas, altas expectativas”. É uma música otimista e muito exuberante que mostra Urie cantando em seu registro superior. Após a explosão inicial, o tema central da canção se instala logo no primeiro verso. Aqui, ele fala sobre destino, sonhos e conselhos de sua mãe. “Mamãe disse / Cumpra a profecia / Seja algo maior / Vá fazer um legado”.

Além do tom estabelecido pelos metais estridentes, as cordas de sintetizadores e o estilo pop-barroco, pelo qual a banda ficou conhecida, também aparecem. Entre outras coisas, “High Hopes” é uma faixa edificante que nos lembra como se manter esperançoso nos momentos mais difíceis. Liricamente, não é uma canção difícil de decodificar, uma vez que a simplicidade das letras coloca mais ênfase na mensagem. Basicamente, ela fala sobre manter suas esperanças, mesmo quando tudo parece perdido. É sobre sonhar alto e ir atrás do seu objetivo, não importa o que aconteça. E, da mesma forma que “Say Amen (Saturday Night)” e “(Fuck A) Silver Lining”, esta música fornece poderosos vocais. Ela se mantém fiel ao som do Panic! At the Disco, encaixando instrumentos orquestrais sobre tons bens animados. Os instrumentos de cordas surgem no pré-refrão e criam uma antecipação para a batida do refrão, onde as trombetas adicionam uma energia fascinante. “High Hopes” é uma música inspiradora que dá ao ouvinte uma clara mensagem de otimismo. É divertida, cativante e um hino muito positivo. “Roaring 20s” é a versão mais madura do “A Fever You Can’t Sweat Out” (2005), pois é bastante teatral. Mas além disso, ela também oferece uma vibração espanhola e algumas inseguranças do vocalista. “Dancing’s Not a Crime” começa com vocais em falsete e leva muitos acenos do pop clássico – incluindo uma referência a Michael Jackson nas primeiras linhas.

É uma das músicas mais animadas do repertório, especialmente por causa dos falsetes, refrão e ponte. “One of the Drunks” é o que acontece quando o Panic! at the Disco vai para o outro lado e se concentra no negativismo. Por causa disso, é provavelmente uma das faixas menos interessantes do álbum. A parte falada dessa canção se refere a pegar um saxofone, e é aí que entra “The Overpass”. Sobre uma batida de jazz, Brendon Urie mostra o quanto é ambicioso. Ele é um representante emblemático da comunidade LGBT, e mais recentemente falou sobre ser pansexual. Linhas como – “Eu sei que você quer me encontrar no viaduto / Garotas grosseiras e garotos de batom / Amor conturbado e som de alta velocidade / Eu sei que você quer” – não poderiam soar mais simbólicas. Surgindo logo depois, “King of the Clouds” parece uma pausa necessária. Aqui, palavras caem rapidamente da boca do Brendon Urie e algumas notas insanamente altas formam um fundo impressionante para o refrão. É absolutamente uma das principais faixas deste álbum – e não apenas porque foi lançada como segundo single promocional. “Old Fashioned” é uma homenagem aos jovens, tentando recapturá-los uma última vez, até mesmo em termos de acompanhamento musical – que soa como o final dos anos 90 e início dos anos 2000. Nos dias de hoje, geralmente o Panic! at the Disco termina os álbuns com alguma música lenta; e “Pray for the Wicked” não é uma exceção.

“Dying in LA” traz basicamente Brendon Urie e um piano, além de eventuais cordas ao fundo. Sua voz soluça, desliza para notas altas e canta sobre “o poder de Los Angeles”. É outra chamada para “Death of a Bachelor” (2016), que tem “LA Devotee” entre suas faixas. É facilmente uma das canções mais fortes do repertório, pois o encontra falando sobre as almas perdidas que se mudam para Los Angeles com o sonho de ficar famoso. Isso pode ser visto como uma história quase completamente oposta daquela apresentada em “LA Devotee”, onde Urie escreveu sobre seu amor e carinho por Los Angeles. “Pray for the Wicked” é provavelmente o álbum mais coeso do Panic! at the Disco. A angústia emo foi substituída por um excesso de confiança. De certo modo, este álbum é a sequela mais adequada para o “Death of a Bachelor” (2016). Mas enquanto o último é focado nos relacionamentos do cantor e o lado festivo da vida, o primeiro é sobre sua fama e fé. Um álbum como “Pray for the Wicked” prova que uma banda como o Panic! at the Disco – que chegou ao sucesso na cena emo em meados dos 2000 – encontrou longevidade e ainda mais sucesso na música mainstream. É uma banda que nunca teve medo de se adaptar e reinventar. E enquanto fizeram isso ao longo dos anos, nunca deixaram de lado as principais influências que os levaram ao sucesso. “Pray for the Wicked” marca um excitante novo capítulo para Brendon Urie e sua banda Panic! at the Disco!

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Favorite Tracks:

“Say Amen (Saturday Night)” / “High Hopes” / “King of the Clouds”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.