Review: Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built the Moon?

Lançamento: 24/11/2017
Gênero: Rock Psicodélico
Gravadora: Sour Mash
Produtor: David Holmes.

Depois que deixou o Oasis em 2009, resultado de uma inevitável dissolução, Noel Gallagher tem trabalhado duro. Ele já lançou três álbuns de estúdio sob a alcunha High Flying Birds, incluindo “Who Built the Moon?”. Acompanhado por Mike Rowe, Russell Pritchard, Chris Sharrock, Gem Archer e Jessica Greenfield, Noel Gallagher parece cada vez mais confiante. O crédito, em partes, deve ser dado ao produtor David Holmes. Conhecido por compor faixas para trilhas sonoras de filmes, Holmes instruiu Gallagher a escrever suas músicas no estúdio. “Who Built the Moon?” é um projeto audaz e experimental que durou quase três anos para ficar pronto. O álbum apresenta o ex-The Smiths Johnny Marr na guitarra e o ex-The Jam Paul Weller no órgão. Se você espera algo típico do Oasis nesse álbum, provavelmente ficará surpreso. Ao contrário do novo disco de Liam Gallagher, “As You Were” (2017), este álbum não contém qualquer coisa que já ouvimos no britpop.

As músicas soam como antigas obras do Oasis, porém, com fortes elementos de rock-psicodélico infiltrando-se à medida que cada canção progride. Sem dúvida, Noel Gallagher parece muito mais confiante, ousado e livre, em comparação com suas composições anteriores. Desta vez, há menos força na guitarra elétrica e maior mistura de sons eletrônicos, dance e rock. Além disso, existe uma clara influência oriental ao longo do álbum, graças as amplas amostras instrumentais. Noel, o mais prolífico dos irmãos Gallagher, é o homem que levou apenas uma sessão para criar “Champagne Supernova”, portanto, não é surpreendente que ele consiga criar um álbum tão consistente. O disco abre com o ritmo turbulento de “Fort Knox”, que Gallagher disse ser inspirado por “Fade” do rapper Kanye West. É uma abertura intensa, psicodélica e nebulosa, com incríveis amostras e instrumentos que definem o tom para o álbum.

O dance-rock “Holy Mountain”, lançado como primeiro single, é muito cativante e possui amostras de “Chewin’ Gum Kid” (Rodell). É, de longe, minha música favorita do álbum, tanto que me lembrou um pouco do pop de David Bowie. “Keep on Reaching” possui uma energia similar, mas o seu senso de urgência é mais clássico que a faixa anterior. “It’s a Beautiful World”, outro destaque do repertório, começa com guitarras em espiral, enquanto acumula-se numa seção psicodélica. Ademais, possui uma peça falada em francês que diz humoristicamente: “Relaxe e descanse em paz / É apenas o fim do mundo”. Enquanto “She Taught Me How to Fly” flui suavemente numa mesma vibração e batida britpop, uma repentina mudança de humor aparece sobre a faixa “Be Careful What You Wish For”. Desta vez, temos um som que lembra os Beatles durante sua lendária fase na década de 60.

O mesmo pode ser dito de “If Love Is the Law”, outra cativante canção inspirada nos anos 60. Antes do interlúdio “Interlude (Wednesday, Part 1)”, Noel Gallagher faz um breve retorno ao som do Oasis durante “Black & White Sunshine”. Uma canção mid-tempo cativante, melódica e brilhante. Um som sensual e igualmente sinistro aparece durante “The Man Who Built the Moon”, antes do cantor encerrar o álbum com “End Credits (Wednesday, Part 2)”. Podemos notar que houve uma mudança no processo criativo de Noel Gallagher. “Who Built the Moon?” é bagunçado, porém, de uma maneira incrível. É um disco evidenciado pela prolificidade das composições, músicas bem elaboradas e sons meticulosamente produzidos. Com certeza, os fãs do Oasis continuam esperando uma reconciliação dos irmãos Liam e Noel, esperando uma reunião e possível novo álbum da banda. No entanto, não dá para negar que Noel Gallagher está indo muito bem com a banda High Flying Birds.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.