Review: Nils Frahm – All Melody

Lançamento: 26/01/2018
Gênero: Eletrônica, Ambiente
Gravadora: Erased Tapes
Produtor: Nils Frahm.

Nils Frahm é um músico, compositor e produtor alemão, conhecido por combinar música clássica e eletrônica com uma abordagem pouco convencional, na qual ele costuma mesclar o piano de cauda, piano elétrico Rhodes, órgão, teclado sintetizado, baterias eletrônicas e sintetizador Moog Taurus. Mestre dos instrumentais melancólicos, Nils Frahm criou diversas músicas sombrias em seu último álbum, “All Melody”. É um conjunto exuberante de composições eletrônicas e ambientais criadas sob medida. Ao misturar o mundo eletrônico com refrões escuros e sons orgânicos, Frahm foi capaz de encontrar o seu nicho. Em “All Melody”, suas pontuações permanecem únicas e belas, enquanto são enfeitadas por uma variedade de amostras eletrônicas e instrumentação orquestral. Ao longo de doze faixas, “All Melody” é uma vefesta para os ouvidos e experiência rica, íntima, sinfônica e expansiva. Além dos pianos e sintetizadores, o álbum é estruturado por diversos outros instrumentos, que inclui a marimba, baixo, trompete, gongos, violoncelo e viola.

Este álbum levou sua própria criatividade para outro nível, uma vez que ele resolveu concentrar-se mais no aspecto eletrônico de cada música. Em 2013, Frahm começou a usar efeitos digitais mais sintéticos, mas a julgar pelos arranjos deste álbum, isso pode ter mudado. “All Melody” é um ótimo exemplo de suas melhores características como músico. É um LP que se move com naturalidade, ao mesmo tempo que toca em gêneros como jazz, synthpop, música clássica e ambiente. A primeira metade do repertório tropeça em alguns conceitos, mas a segunda parte hipnotiza qualquer um. O álbum abre com “The Whole Universe Wants to Be Touched”, uma peça coral bela, pacífica e ameaçadora com baixo, órgãos e harmonias vocais de quatro partes. Em “Sunson”, a marimba e o baixo dominam sua composição, enquanto os sintetizadores retrô ecoam ao fundo. É uma canção com uma atmosfera e vibração misteriosa, e a primeira eletrônica do álbum. Ela se estende por mais de 9 minutos de duração, e progride através da fusão de uma infinidade de instrumentos.

Inesperadamente, há também uma batida percussiva minimalista que aparece apenas na seção intermediária da música. A explorativa “A Place” e a enigmática “Human Range” focam na mesma experimentação vocal da faixa de abertura. “A Place”, em particular, fornece suaves sintetizadores, teclado e pequenos elementos de música latina. A maneira como Frahm torceu os arranjos de cordas e o teclado frenético a tornou ainda melhor de se ouvir. “Human Range”, por sua vez, é distintamente visual, cinematográfica e emocionante.É outra canção cheia de texturas, grandes harmonias, cordas, instrumentos de metal e percussão manual. Em seguida, a maravilhosa “My Friend the Forest” começa com acordes de piano que mais parecem um violão. O piano realmente destaca o ambiente da música através de suas teclas assombrosas. A melodia inebriante e o tema pensativo são estranhamente reconfortantes. Da mesma forma, “Forever Changeless” também destaca-se por causa do piano quase jazzístico.

Mas, diferente de “My Friend the Forest”, ela faz uma mistura sutil de ruídos de fundo que transforma sua performance mais íntima. Embora as linhas de piano não sejam tão emocionantes, a composição geral está no ponto. Posteriormente, a faixa-título, “All Melody”, é abastecida por riffs de marimba e solo de teclado jazzístico durante os seus épicos 9 minutos. Ela possui um dos arranjos mais eletrônicos do registro, que combinam sintetizadores com órgão e teclado. Tão longa quanto “All Melody”, a faixa “#2” é baseada em arpejos de sintetizadores e batidas pulsantes, e cria uma experiência auditiva verdadeiramente única. A batida é muito mais sobrecarregada e, consequentemente, faz ela diferenciar-se da faixa-título. “Momentum”, por sua vez, possui vocais extremamente sombrios e notas mais pesadas. Neste ponto do álbum, podemos perceber que Nils Frahm está trabalhando com ideias mais distintas do que de costume. Há uma energia ainda mais rica em “Fundamental Values”, que faz com os toques de piano e trompete pareçam dolorosos.

Como podemos perceber, várias faixas se desdobram num intervalo de 7 a 9 minutos de duração. “Kaleidoscope”, por exemplo, flui num amplo espaço durante quase 8 minutos e meio. Fazendo jus ao seu título, é uma peça caleidoscópica e sinfônica com sintetizadores exuberantes, sons orgânicos e eletrônicos, trombone, órgão e vozes abafadas. Por fim, “Harm Hymn” fecha o registro com uma nota etérea que traz a doce jornada de Frahm ao fim. Aqui, ele faz uma mistura de órgãos que parece carregar grande parte da energia da música. “All Melody” é um álbum cheio de cor e nuance, onde Nils Frahm conseguiu falar com o público através de seus instrumentos. Sem dúvida, este registro é um dos seus lançamentos mais experimentais até à data. Mas, por ultrapassar a marca de 1 hora de duração, com alguns faixas particularmente longas, há momentos em que o álbum começa a arrastar-se. De qualquer forma, isto é perdoado quando você vê que o músico atingiu o seu objetivo. Em suma, “All Melody” é contemplativo, íntimo, profundo e cresce a cada nova escuta.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.