Review: Neon Indian – Toyota Man

No meio das audiências de impeachment do presidente Donald Trump, a banda Neon Indian lançou uma nova música que vai além de uma discussão política. Para muitos imigrantes, o sonho americano é simples: tornar-se americano. Você trabalha duro, aprende inglês e, eventualmente, se diverte no país mais rico do mundo. Mas a realidade é que nenhum trabalho árduo pode apagar sua nacionalidade, linguagem e personalidade. Para alguns, de onde você vem determina o que você será – Alan Palomo sabe disso.

Ele recebeu elogios consideráveis ​​com a Neon Indian – evitando principalmente uma postura política em sua música. Mas quando decidiu escrever de uma perspectiva biográfica, percebeu que sua própria existência como mexicano-americano é um ato político. E assim chegamos até “Toyota Man” – sua primeira música desde o álbum “VEGA INTL. Night School” (2015). Também é sua primeira música em espanhol – Palomo conta a história de sua jornada de Monterrey, no México, para Austin, Texas. Ele chegou à porta do apartamento do seu tio, depois de atravessar o rio em Reynosa; sua família aprendeu inglês assistindo ao Larry Sanders Show (uma comédia televisiva americana ambientada no escritório e no estúdio de um talk show fictício tarde da noite); e seu pai encontrou trabalho lavando carros. “Toyota Man” captura a dualidade da experiência de ser imigrante com um toque extremamente hábil. É uma história sombria, mas Palomo impregna leveza e humor em seu interior. Uma música igualmente mexicana e americana com letras em espanhol, mas também em inglês.

Ele expõe duras verdades sobre uma batida de cumbia cativante o suficiente para fazer qualquer um balançar a cabeça. Aqui, ele menciona títulos de músicas de artistas como Selena (“Bidi Bidi Bom Bom”) e Miley Cyrus (“Party in the USA”). E, sob um golpe discreto, um solo de guitarra interpola “The Star-Spangled Banner” com “La Cucaracha” – um hino reaproveitado da Revolução Mexicana. O refrão destila o principal momento das letras: “Chegamos para estudar, queremos trabalhar / Somos todos americanos”. E enquanto o lirismo não esconde sua raiva, “Toyota Man” é imbuída de esperança e orgulho, firme na crença de que, independentemente do que os próprios americanos pensam, “todos somos americanos”. Apesar de tudo, essa música é uma celebração dos Estados Unidos; não como existe, mas como os imigrantes imaginam que seja, um dia.

Nesse sonho, somos todos americanos – sem qualquer qualificação ou distinção. Alan Palomo fala há muito tempo de cantar em sua língua nativa e, se essa faixa for alguma indicação, trabalhos políticos mais pessoais podem estar a caminho. Assim como as letras, o vídeo auto-dirigido conta sua história de vida (seus pais fazem até uma aparição). Palomo inicia em pé na fronteira dos Estados Unidos com o México folheando alguns cartões. O músico passa um pano em um veículo vermelho no que poderia ser uma ode ao filme “Kustom Kar Kommandos” (1965) de Kenneth Anger, quando um piñata em forma de Trump ganha vida em uma festa. Há um show de marionetes, um vaqueiro e todo tipo de loucura antes que o Trump seja atropelado por um carro e derrame Green Cards pela estrada.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.