Review: MGMT – Little Dark Age (2018)

Lançamento: 09/02/2018
Gênero: Synthpop, Pop Psicodélico, Eletropop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: MGMT, Patrick Wimberly e Dave Fridmann.

Já se passaram dez anos desde que a banda MGMT lançou seu disco de estreia e músicas como “Time to Pretend”, “Electric Feel” e “Kids”. “Oracular Spectacular” (2007) ainda é um álbum muito popular e aclamado, que exibiu uma mistura de pop-psicodélico e dance-rock. Parecendo um renascimento para a banda, o seu novo disco, “Little Dark Age”, transmite muita confiança em seu som. Depois que lançaram seu primeiro LP, Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser divulgaram dois álbuns estranhos e confusos. Embora “Congratulations” (2010) e “MGMT” (2013) não sejam necessariamente ruins, pareciam dois potenciais perdidos. Por este motivo, “Little Dark Age” soa como um retorno à boa forma. São dez faixas comprimidas em 44 minutos, incluindo uma peça instrumental chamada “Days That Got Away”. Apesar de possuir algumas harmonias vocais e guitarras acústicas que remetem ao rock-psicodélico da década de 60, “Little Dark Age” é um álbum fortemente inspirado pelos anos 80. As primeiras faixas, por exemplo, exploram o synthpop e new-wave juntamente com uma sagacidade lírica. A estética deste álbum é despojada, meditativa, profunda e há uma variedade impressionante de melodias obscuras.

A primeira faixa, “She Works Out Too Much”, conta com a participação de Ariel Pink nos teclados e, consequentemente, sua influência é sentida. Depois de abrir com o pegajoso teclado, esta canção define um tom predominantemente inspirado pela década de 80. No refrão, os teclados alcançam um registro mais alto, antes de ser complementado por um solo de saxofone. O primeiro single, “Little Dark Age”, sinalizou um novo começo para o MGMT. É uma música synthpop que oferece sua própria reflexão sobre o desconforto dos nossos tempos. Sob um instrumental dramático conduzido por sintetizadores vintage e linhas de baixo quase góticas, MGMT canta letras como: “Atordoado com prazer / Vendo o que está por vir / A imagem da morte / Finais mortos na minha mente”. Liricamente, “Little Dark Age” fornece frases inteligente e igualmente sombrias. Os versos arrepiantes e os vocais de Andrew VanWyngarden transformam-se numa reverberação fantasmagórica sobre os teclados. No segundo single, “When You Die”, Ariel Pink foi convidado para tocar a guitarra. Enquanto grande parte do álbum é dominada pelo synthpop oitentista, esta canção é mais voltada para a década de 70.

Uma peça orgânica e deliciosamente distorcida com arpejos alegres e letras polêmicas. “Você morreu / E palavras não farão nada / É permanentemente noite / E eu não sentirei nada / Todos estaremos rindo com você quando você morrer”, eles cantam aqui. A quarta faixa, “Me and Michael”, é uma carta de amor incrivelmente inspirada pelos anos 80. Uma canção preenchida pela nostalgia, sintetizadores cintilantes, tambores contundentes e brilhantes guitarras. Embora seja liricamente vaga, sugere que a banda está tentando lidar de forma sincera com seus sentimentos. A curiosamente intitulada “TSLAMP”, sigla para “Time Spent Looking At My Phone”, é uma música que satiriza a crescente dependência pela tecnologia e a forma como isso mudou a comunicação entre as pessoas. Sob uma mistura de batidas e teclado melancólico, esta canção explora um romance não correspondido na era digital. “Tempo gasto sentado sozinho / Tempo gasto olhando meu telefone”, eles cantam enquanto expressam o desejo de escapar do vício tecnológico. Aparentemente, “James” é uma faixa dedicada ao membro da turnê da banda, James Richardson.

Uma canção mais discreta, grave e misteriosa, com piano e letras reconfortantes. “One Thing Left to Try” é outra canção bastante inspirada pelos anos 80, com uma grande bateria, brilhantes sintetizadores e linha de baixo. É possivelmente a música mais direta do álbum, além de possuir uma energia muito contagiante. Influenciada pelo rock-psicodélico, “When You’re Small” é um grande aceno para os anos 70. Com um ritmo mais lento e paciente, as guitarras e os violões mantém sua estética sonora. Quando as cordas entram e permanecem no refrão final, elas injetam uma sensação sombria à música. É a canção que mais nos faz lembrar do som anterior da banda, tanto que não soaria fora do lugar se estivesse presente no “Congratulations” (2010). O álbum encerra com a descontraída “Hand It Over”, uma faixa muito parecida com o resto do repertório. Embora não deixe uma impressão duradoura, contém batidas mais lentas e sintetizadores reluzentes. No “Little Dark Age”, a banda MGMT tentou amadurecer artisticamente. É como um recomeço para eles e uma porta para algo maior no futuro. Certamente, é o seu trabalho mais refinado e equilibrado desde o “Oracular Spectacular” (2007).

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.