Review: LSD – LABRINTH, SIA & DIPLO PRESENT… LSD (2019)

Lançamento: 12/04/2019
Gênero: Pop, Electropop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Labrinth, Diplo, Jr Blender, Gustave Rudman, King Henry, Nathaniel Ledwidge, Boaz van de Beatz e Yoda Francesco

O LSD é uma verdadeira decepção para a música pop. Mais do que qualquer coisa, este álbum é imensamente cansativo, chato e desordenado.

Você imagina que combinar três grandes talentos como o LSD, acabaria criando algo incrivelmente espetacular. No entanto, não funciona bem assim. O britânico Labrinth, a australiana Sia e o americano Diplo fizeram um álbum de estréia tão colorido quanto sugere o nome do grupo. Mas ele nunca decola da maneira que deveria, principalmente porque uma carga de ideias foi lançada sobre algo que simplesmente não possui núcleo. “LABRINTH, SIA & DIPLO PRESENTE … LSD” não é capaz de manter o interesse do público na maioria das músicas, já que tudo parece uma grande bagunça. A primeira faixa, “Welcome to the Wonderful World Of”, apresenta uma introdução psicodélica, harmonias acapela, sintetizadores robóticos, seções psicodélicas e até mesmo uma parte teatral. Tudo isso acontece em cerca de um minuto – é muita coisa. Ganchos melódicos desaparecem em meio as batidas robustas, mas precisamente programadas. Múltiplas partes vocais e instrumentais são combinadas de maneira confusa. Uma das poucas músicas de destaque, “Genius”, mostra o que acontece quando a química do LSD funciona. Mas como um álbum, as dez faixas não conseguem unir esses momentos em uma experiência correspondentemente interessante.

A maioria das canções foram lançadas como singles, o que dá ao LP uma sensação secundária. E enquanto Labrinth e Sia cantam vocalmente bem – o primeiro soa sério e emotivo – e as letras parecem um punhado de frases que foram jogadas em um liquidificador. O senso de comunicação que caracteriza os melhores duetos está ausente. Quando o trio apareceu pela primeira vez com seu single de estréia, nenhum de nós realmente pensou que um álbum completo estaria saindo de sua colaboração. A união de Labrinth, Sia e Diplo é impressionante o suficiente para apenas uma faixa, e não para um registro completo. Entretanto, depois de uma enxurrada de canções promocionais, o trio se apresentou ao mundo como LSD, e lançou seu álbum de estreia. Embora cada um tenha um estilo específico ao escrever e produzir suas músicas, nenhum deles parece interessado em liderar esse projeto. Eles acrescentaram um toque único ao som geral, mas nenhuma excentricidade ou diversidade conseguiu impressionar. Parece haver uma falta de empolgação para criar algo realmente ousado e envolvente, tornando este lançamento aquém de sua marca habitual. Há algumas faixas cativantes, mas as melhores parecem poucas e distantes entre si. O remix superficial de “Genius”, colocado no final da tracklist, simplesmente possui um verso de rap desnecessário do Lil Wayne.

Isso realmente não fortaleceu o ritmo da canção, e o efeito sonoro do rapper só contribui para deixá-la mais brega. O fracasso dessa última música, só contribuiu para aumentar a bagunça sonora que este álbum é. Como se constata, o LSD não é especialmente psicodélico quanto poderia ser, pelo menos pelas definições da velha escola. Nada neste disco consegue impressionar de verdade, seja a psicodelia descontraída de “Audio”, o dance-pop de “Thunderclouds”, o electropop de “Mountains” ou o velho pop cansado de “No New Friends”. Quando artistas solo se transformam em supergrupos, os resultados costumam ser divertidos, ainda que fugazes. Mas muitas vezes, eles têm um calcanhar de Aquiles: muito gente pra pouca coisa. Esse, infelizmente, é o caso do LSD. Muitas músicas têm elementos exagerados e estão constantemente mudando para outro riff ou efeito desnecessário; às vezes menos é mais. E liricamente as coisas são ainda piores. Em vários momentos, o LSD soa indulgente, particularmente na primeira melodia embaralhada de “Welcome to the Wonderful World Of” – uma canção que coloca as melhores e piores qualidades de cada um no centro das atenções. Ademais, enquanto “It’s Time” é completamente inútil, o dancehall de “Angel in Your Eyes” possui vocais muito irritantes. No geral, ninguém quis ficar no controle, por isso toda essa desordem sonora. É uma pena saber que três artistas talentosas perderam o impulso dessa forma.

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.