Review: Lizzo – Tempo (feat. Missy Elliott)

Lançamento: 19/04/2019
Gênero: R&B, Hip hop
Produtores: Lizzo, Ricky Reed, Sweater Beats, Dan Farber, Nate Mercureau e Tobias Wincorn
Compositores: Melissa Jefferson, Melissa Elliott, Theron Thomas, Raymond Scott, Daniel Farber, Eric Frederic, Antonio Cuna e Tobias Wincorn

Sem remorso e sem medo são duas maneiras que você pode caracterizar a rapper e cantora Lizzo. À medida que nos aproximamos de 19 de abril, a data do lançamento do seu terceiro álbum de estúdio, ela continua divulgando uma série de singles que mostram sua mistura colorida de funk e pop. Seu mais novo lançamento, intitulado “Tempo”, é uma colaboração com Missy Elliott. Uma fatia de R&B influenciada pelo trap que fala sobre suas proezas sexuais. Naturalmente, Missy Elliott é o grande destaque, embora Lizzo não fique para trás. O riff de guitarra da introdução deixa claro o quanto essa música é boa. O refrão começa com um vocal baixo e profundo, ao passo que a experiência vocal é um ponto bastante positivo. A música é basicamente sobre a aceitação do corpo, assim como quase todas as outras faixas da americana. Nas letras, Lizzo nos conta que gosta de batidas pesadas por um motivo. Em um sentido literal, as pesadas batidas fazem o corpo de qualquer pessoa se mover. No primeiro verso, ela se destaca por algumas rimas peculiares, enquanto a batida e o fluxo fortalecedor misturam-se perfeitamente. No segundo verso, temos um romantismo moderno explicado em poucas linhas. Alguns matizes do feminismo também podem ser ouvidas. Nos dias modernos, você não pode possuir uma pessoa. Lizzo deixa bem claro que ela não deve ser tratada como um acessório por ninguém.

A produção é incrível, uma vez que incorpora batidas contundentes, sintetizadores e bongôs, bem como algumas interjeições musicais inesperadas. Felizmente, suas letras são hilariantes e empoderadoras: “Canções lentas, para vadias magras / Não posso mover tudo isso aqui para um desses / Eu sou uma cadela grossa, eu preciso de tempo / Foda-se o ritmo”. Cantar sobre o tamanho do seu espólio pode não ser tão transcendente, mas “Tempo” é uma imagem corporal positiva, provando que além de se sentir confortável em sua própria pele, você também pode ostentá-la. Por muito boa que seja a produção, é a performance da própria Lizzo que vende “Tempo”. Ela está no piloto automático quando arremessa sua ampla arrogância sobre o público. Mas além da performance hipersexual da Lizzo, a música possui a presença de Missy Elliott no terceiro verso. Ela traz o máximo de energia e soa como se nunca tivesse estado em um hiato tão prolongado. As letras de “Tempo” têm um grande tom sexual e podem ser descritas como um hino para o fortalecimento feminino e o amor-próprio. Ouvimos Lizzo abraçando sua figura curvilínea e convidando garotos magros para comer seus bolos e ganhar peso. Ambas rappers batem com uma energia encorajadora sobre a produção despojada e igualmente elétrica. Elas soam perfeitamente bem uma do lado da outra, encontrando-se no caminho pela busca do fortalecimento sexual.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.