Review: Lil Yachty – Lil Boat 2 (2018)

Lil Yachty melhorou sua técnica, tornando seu rap mais estruturalmente sólido, mas na maioria das vezes os melhores momentos do “Lil Boat 2” acontecem justamente quando ele relembra seus dias de SoundCloud.

Em seu novo álbum, Lil Yachty tentou provar que é capaz de mudar seu estilo e entregar fluxos mais consistentes enquanto sintetizadores e teclados cobrem o pano de fundo. Depois de surgir na internet com a melódica mixtape “Lil Boat” (2016), faixas como “One Night” e “Minnesota” conquistaram o público. Mais tarde, colaborações com outros artistas fizeram sucesso, especialmente “Broccoli” (DRAM) e “iSpy” (KYLE). Em seus primeiros dias de fama, Lil Yachty, juntamente com Lil Uzi Vert e 21 Savage, foram pioneiros em uma nova marca do hip-hop – um estilo que focava menos na destreza lírica e mais na produção instrumental. Quando Lil Yachty anunciou o lançamento do seu segundo álbum, “Lil Boat 2”, os fãs esperavam um retorno ao som de sua primeira mixtape. Apesar das altas expectativas, o álbum está muito longe do som cativante ouvido por lá. Infelizmente, tudo deixa a desejar. “Lil Boat 2” está repleto de outros artistas, incluindo Quavo, Offset, Lil Pump e 2 Chainz. Embora ofereça alguns momentos eletrizantes, os convidados são desperdiçados porque os versos do Lil Yachty não são comparados aos deles. Isto só serve para destacar suas falhas. Dito isto, as faixas solo são esquecíveis e monótonas na melhor das hipóteses, deixando o ouvinte com uma impressão amarga. Aliás, vamos ser honestos, Yachty não é um bom letrista. Muitas vezes, parece que ele cria palavras aleatórias apenas para que possam rimar com a próxima linha. E as letras são completamente previsíveis, pois só mostra ele se gabando de ter mulheres e dinheiro.

Embora existam algumas qualidades no álbum, também existem o dobro de coisas negativas. Um desses aspectos é que cada uma das músicas soa exatamente igual. Seria difícil distinguir uma faixa da outra se não fosse pela impressionante variedade de artistas envolvidos. No início, seu tom característico é agradavelmente familiar. E assim como “Teenage Emotions” (2017), este registro possui uma impecável mixagem e masterização. Porém, isto é tudo o que ele realmente tem para oferecer. Como se não pudesse piorar, a quantidade exaustiva de faixas só torna o álbum mais cansativo. Os poucos momentos brilhantes do incluem a breve “Self Made”, uma faixa levemente egocêntrica sobre suas realizações, e “love me forever”, balada baseada no piano onde o ouvinte é reintroduzido ao seu estilo nostálgico. O vocal mais limpo durante o refrão mostra um lado sensível, enquanto ele professa seu compromisso num relacionamento. Enquanto “Boom!” oferece um fluxo agradável, suas tentativas de parecer agressivo e dominador são facilmente esquecidas. Pior do que isso é o fato de Yachty pronunciar “yuh” exaustivamente, mostrando que ele realmente não se importa com o lirismo. No quesito batidas, “Oops”, com 2 Chainz e K Supreme, consegue se sobressair. Além do minimalismo da batida e o sintetizador estático, a música é dominada por um baixo sinistro. Em “Talk to Me Nice” e “Mickey”, as performances vocais soam sem inspiração, ao passo que ele é constantemente superado pelos artistas convidados.

Em “Mickey”, 30 Roc conseguiu criar um banger sinistro com tambores rolantes, mas o registro baixo do Lil Yachty ficou aquém do rap do Offset e Lil Baby. As coisas melhoram em “Count Me In” por causa da batida mais experimental do Pi’erre Bourne – mais conhecido por seu excelente trabalho em “Magnolia” do Playboy Carti. A introdução emprestada de “Magnolia” é complementada por uma linha de baixo e habituais brincadeiras do Yachty. Apesar de tudo se transformar em uma confusão depois de um 1 e meio, a batida é uma das mais sólidas do álbum. Na otimista “she ready”, com PnB Rock, Yachty muda o jogo e opta por utilizar agradáveis falsetes. Nas letras, ambos questionam uma amante em potencial se ela está pronta para se comprometer com seu estilo de vida. Nós também ouvimos um lado mais experimental do rapper em “Pop Out”. Produzido por Digital Nas, a música é revestida por elementos eletrônicos e contém a participação de JBands2Turnt. A última faixa, “66”, possui uma batida trap de condução e celebra as habilidades de Trippie Redd. “66” pode ser considerada um fio de esperança na desolação deste álbum. Ela contém batidas mais fortes e sintetizadores atmosféricos que complementam a entrega infecciosa do Lil Yachty. Ao lado de Trippie Redd, ele conseguiu criar um momento inesperadamente eufórico. Apesar de não atingir a qualidade do “Teenage Emotions” (2017), “66” mostra que o rapper de vez em quando consegue acertar. Suas letras são repletas de imaturidade e suas habilidades vocais não possuem inspiração. A qualidade questionável do “Lil Boat 2” pode ser um fator determinante para o futuro de sua carreira.

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    SCORE - 58%
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Favorite Tracks:

“Count Me In” / “she ready (feat. PnB Rock)” / “66 (feat. Trippie Redd)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.