Review: Lil Yachty – Lil Boat 2 (2018)

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: Hip hop, Trap
Gravadora: Quality Control Music / Capitol Records / Motown
Produtores: 30 Roc, Buddah Bless, Charlie Shuffler, Digital Nas, DJ Durel, DY, Earl the Pearl, Jabz, Pi’erre Bourne, Polo Boy Shawty, Southside e Steve Lean.

Lil Yachty melhorou sua técnica, tornando seus raps mais estruturalmente sólidos, mas na maioria das vezes os melhores momentos do “Lil Boat 2” acontecem justamente quando ele relembra seus dias de SoundCloud.

No seu novo álbum, Lil Yachty tentou provar que é capaz de mudar seu estilo e entregar fluxos mais consistentes, enquanto sintetizadores e teclados cobrem o pano de fundo. Depois de surgir na internet com os sons melódicos da sua mixtape “Lil Boat” (2016), faixas como “One Night” e “Minnesota” conquistaram o público. Mais tarde, suas colaborações com outros artistas também fizeram sucesso, especialmente “Broccoli” (DRAM) e “iSpy” (KYLE). Em seus primeiros dias como estrela, Lil Yachty, juntamente com Lil Uzi Vert e 21 Savage, foram pioneiros em uma nova marca do hip hop – um estilo que focava menos na destreza lírica e mais no som da voz e produção instrumental. Quando Lil Yachty anunciou o lançamento do segundo álbum de estúdio, “Lil Boat 2”, os fãs ficaram animados, esperando ver um retorno ao som da sua primeira mixtape. Apesar das altas expectativas, o álbum está muito longe do som cativante ouvido por lá. Infelizmente, tudo neste disco deixa a desejar. Ele está repleto de outros artistas convidados, incluindo Quavo, Offset, Lil Pump e 2 Chainz. Embora ofereça alguns momentos eletrizantes, os convidados são desperdiçados porque os versos de Lil Yachty não são comparados aos dos seus colegas. Isto só serve para destacar ainda mais suas falhas. Dito isto, as faixas solo são esquecíveis e monótonas na melhor das hipóteses, deixando o ouvinte com uma impressão amarga. Aliás, vamos ser honestos, Yachty não é um bom letrista. Muitas vezes, parece que ele cria palavras aleatórias apenas para que possam rimar com a próxima linha.

E as letras são completamente previsíveis, pois só mostra o rapper se gabando de ter mulheres e dinheiro. Embora existam algumas qualidades no álbum, também existem o dobro de coisas negativas. Um desses aspectos é que cada uma das músicas soa exatamente igual. Seria difícil distinguir uma faixa da outra se não fosse pela impressionante variedade de artistas convidados. No início do repertório, seu tom característico é agradavelmente familiar. E, assim como o “Teenage Emotions” (2017), este registro possui uma impecável mixagem e masterização. Porém, isto é tudo o que ele realmente tem para oferecer. Como se não pudesse piorar, a quantidade exaustiva de canções só torna o álbum mais cansativo. Os poucos momentos brilhantes do registro incluem o breve “Self Made”, uma faixa levemente egocêntrica sobre suas realizações, e “love me forever”, balada baseada no piano onde o ouvinte é reintroduzido ao seu estilo nostálgico. O vocal mais limpo durante o refrão mostra um lado sensível, enquanto ele professa seu compromisso num relacionamento. Enquanto “Boom!” oferece um fluxo agradável, suas tentativas de parecer agressivo e dominador são facilmente esquecidas. Pior do que isso é o fato de Yachty pronunciar “yuh” exaustivamente, mostrando que ele realmente não se importa com o lirismo. No quesito batidas, a música “Oops”, com 2 Chainz e K Supreme, consegue se sobressair. Além do minimalismo das batidas e o sintetizador estático, a música é dominada por um baixo sinistro. Em “Talk to Me Nice” e “Mickey” as performances vocais de Lil Yachty soam sem inspiração, ao passo que ele é constantemente superado pelos artistas convidados.

O produtor 30 Roc conseguiu criar um sinistro banger com tambores rolantes em “Mickey”, mas o registro baixo de Yachty ficou aquém do rap de Offset e Lil Baby. As coisas melhoram em “Count Me In”, por causa da batida mais experimental do produtor Pi’erre Bourne, mais conhecido por seu excelente trabalho em “Magnolia” do Playboy Carti. A introdução emprestada de “Magnolia” é complementada por uma linha de baixo e pelas habituais brincadeiras do Lil Yachty. Apesar de todos os componentes se transformarem em uma confusão depois de um minuto e meio, a batida é uma das mais sólidas do álbum. Na otimista “she ready”, com PnB Rock, Lil Yachty muda o jogo um pouco e opta por utilizar agradáveis falsetes. Nas letras, ambos questionam uma amante em potencial se ela está pronta para se comprometer com seu estilo de vida. Nós também começamos a ouvir um lado mais experimental do rapper na faixa “Pop Out”. Produzido por Digital Nas, a música é revestida por elementos eletrônicos e contém a participação de JBands2Turnt. “66”, a última faixa do repertório, possui uma batida trap de condução e celebra as habilidades de Trippie Redd. “66” pode ser considerada um fio de esperança na desolação deste álbum. Pois possui batidas mais fortes e sintetizadores atmosféricos que complementam a entrega infecciosa do Lil Yachty. Ao lado de Trippie Redd, ele conseguiu criar um momento eufórico para os ouvintes. Apesar de não atingir a qualidade do “Teenage Emotions” (2017), “66” mostra que o rapper de vez em quanto consegue acertar. As letras do Lil Yachty são repletas de imaturidade e suas habilidades vocais mão possuem inspiração. A qualidade questionável do “Lil Boat 2” pode ser um fator determinante para o futuro de sua carreira.

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    SCORE - 58%
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Favorite Tracks:

“Count Me In” / “she ready (feat. PnB Rock)” / “66 (feat. Trippie Redd)”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.