Review: Lil Xan – Total Xanarchy (2018)

Lil Xan não é de forma alguma a pior coisa do hip-hop, mas ele não é muito bom também. E como um álbum completo, sua música cansa até os que têm um pouco mais de tolerância.

Orapper Lil Xan, também conhecido como Diego Leanos, que ficou famoso graças ao single “Betrayed”, acabou de lançar seu álbum de estreia, “Total Xanarchy”. Ele, juntamente com XXXTentacion, Yung Lean, Lil Uzi Vert e o falecido Lil Peep, faz parte do movimento chamado emo rap. Um gênero que conquistou o público e criou um novo panorama no hip-hop. Esses artistas são caracterizados por tatuagens faciais, sons melancólicos, drogas e letras sexuais. Apesar de seguir o mesmo padrão e cair na mesma categoria dos citados, Lil Xan não tem o mesmo apelo emocional. Na verdade, ele pisa no mesmo território de rappers como Lil Pump, conhecido pelo hit “Gang Gang”. Com seu álbum de estreia, ele nos apresenta dezesseis músicas que mais se encaixam no mumble rap ao invés do emo rap, uma vez que elas não evocam qualquer emoção. Lil Xan criou um álbum que vale a pena escutar apenas uma ou duas músicas separadamente por causa do bom instrumental – como “Color Blind” produzida pelo Diplo. “Total Xanarchy” é sem graça e peca pela falta de originalidade, com suas duvidosas habilidades de rap. Dito isto, o projeto inclui participações especiais de 2 Chainz, Charli XCX, Rae Sremmurd, YG e Yo Gotti. No começo do ano, Xan causou polêmica ao fazer alguns comentários sobre 2Pac. Durante uma entrevista, o rapper foi convidado a avaliar uma série de pessoas, músicas e tendências em uma escala de 1 a 9. Quando perguntado sobre o que achava de 2Pac, ele deu ao artista uma nota “2”, insistindo que sua música era “chata”. Se o Lil Xan acha a música de uma lenda como 2Pac chata, imagina o que ele pensa de sua própria música?

Caso você esteja querendo conhecer o rapper, não pense que vá encontrar algum lirismo inteligente por aqui. Na maioria das vezes, o que ele quer fazer é entreter – e isso acontece durante algumas faixas. Seu estilo parece ser fortemente influenciado pela internet, portanto, ele se concentra fortemente na repetição confiando mais no estilo de sua entonação do que na variedade. Quando se trata de batidas, o álbum possui seus bons momentos. Mas isso se deve, em grande parte, a Bobby Johnson e DJ Fu, ambos com significativa experiência no gênero. Entretanto, a decepcionante batida produzida por Ronny J em “Tick Tock”, é uma das mais detestáveis do registro. O baixo é distorcido ao extremo e o conteúdo lírico foca principalmente em se gabar de si mesmo. A produção ameaçadora desempenha um grande papel no movimento SoundCloud, mas Lil Xan e 2 Chainz são liricamente estúpidos. Abrindo com “Who I Am”, ele nos dá um gostinho do que o restante do álbum possui. O instrumental é cativante, mas tem um tom infantil e três acordes que se repetem durante toda sua duração. As letras são difíceis de entender, porque ele murmura e parece desleixado. Aqui, ele cospe algumas das rimas mais preguiçosas do álbum. “Wake Up” não possui nada de animador, a não ser o refrão completamente idiota que fica facilmente preso na sua cabeça. Assim como a faixa de abertura, “Diamonds” possui acordes repetitivos e um fluxo mais forte, ao passo que “Deceived” não consegue evitar a misoginia e falha na tentativa de cavar alguma profundidade. Falando em sexo, um momento que talvez se destaca é “Moonlight”, um dueto com a Charli XCX.

Fortemente encharcada em auto-tune, a música apresenta uma batida desajeitada, um violão suave, linhas de baixo trêmulas e chimbais em staccato. Uma faixa melódica que, em termos de conceito, apresenta letras sobre passar uma noite divertida sob influência de bebidas alcoólicas. Em “Shine Hard”, Lil Xan é acompanhado pelo Rae Sremmurd, e se beneficia do rap sulista do duo. O problema é que parece mais uma música do Rae Sremmurd, uma vez que eles dominam a maior parte da canção. Entretanto, dada a natureza relativamente curta da maioria das faixas do repertório, é uma música que se arrasta por muito tempo. Lil Xan só consegue se tornar mais pessoal durante “Betrayed”, uma música que se concentra em dois tipos de traição. Os versos são sobre o que a maioria das pessoas pensariam sobre tal situação, enquanto o refrão menciona o que as drogas fazem com sua mente ao transparecer que você está bem. “Betrayed” apresenta uma batida de trap comum, mas com uma espécie de reviravolta melancólica. O primeiro verso mostra que ele pode oferece um fluxo mais tradicional, mesmo que suas letras sejam demasiadamente simplistas. No entanto, tudo desaparece quando o refrão entra, e ele apresenta outra repetição medíocre e atonal. Por fim, o rapper lida com a produção sintetizada do Diplo em “Color Blind”. Lil Xan é bastante polarizador e o “Total Xanarchy” apenas confirma isso. Um álbum totalmente desprovido de substância, com rimas incrivelmente simples e letras baseadas em clichês do hip-hop. Às vezes, ele exibe um fluxo convincente, mas não consegue capitalizá-lo com rimas notáveis. Em suma, “Total Xanarchy” é insípido, repetitivo e sem dúvida um dos piores lançamentos de 2018 até o momento.

  • 47%
    SCORE - 47%
47%

Favorite Tracks:

“Moonlight (feat. Charli XCX)” / “Betrayed” / “Color Blind (feat. Diplo)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.