Review: Lil Dicky – Freaky Friday (feat. Chris Brown)

Lançamento: 15/03/2018
Gênero: Hip-Hop
Produtores: Benny Blanco, Twice as Nice e DJ Mustard
Compositores: David Burd, Christopher Brown, Magnus August Høiberg, Lewis Hughes, Wilbart McCoy III, Joshua Coleman, Dijon McFarlane, Benjamin Levin e Nicholas Audino.

Depois de um hiato musical de três anos, o rapper Lil Dicky retornou em 2018 com um novo single. Misturando humor com um gancho viciante interpretado por Chris Brown, “Freaky Friday” foi lançado em 15 de março de 2018. Imediatamente a música se tornou-se um viral e acumulou quase 12 milhões de visualizações no YouTube em apenas três dias. Isso se deve, em grande parte, à história e aparição de outros artistas no vídeo, incluindo Ed Sheeran, DJ Khaled e Kendall Jenner. Mas, além disso, não dá para negar que “Freaky Friday” possui uma natureza estranhamente cativante. O canto do Chris Brown, a batida tipicamente eletrônica e as letras humorísticas foram os ingredientes ideais. Apesar de todas as críticas merecidas que o Chris Brown recebe, é inegável que ele é talentoso. Para quem não conhece, Lil Dicky é um rapper de comédia da Pensilvânia que já lançou um álbum de estúdio em 2015. No videoclipe, Dicky e Brown trocam de corpo por um dia e descobrem como o outro vive. Tomando emprestado o enredo do filme “Sexta-Feira Muito Louca” (2003), estrelado por Lindsay Lohan, os dois acordam de manhã preso no corpo um do outro.

Quando o espírito do Lil Dicky desperta em Chris Brown, ele faz algumas coisas que alguém faria se estivesse preso no corpo de um famoso. Mas a coisa mais intrigante de todas é quando ele se pergunta se pode ou não dizer a palavra “n**gga”: “Espera, posso realmente dizer a palavra com n?”. Embora o humor da música seja um pouco ofensivo e estúpido, a batida e o refrão são muito pegajosos. Chris Brown, por sua vez, percebe que ser o Lil Dicky não é tão ruim assim. O rapper diz que é ótimo não ter paparazzi tirando fotos e que ninguém vai julgá-lo pelo seu “passado controverso”. “Freaky Friday” é sonoramente básica e possui apenas uma progressão de acordes, semelhante ao hit “I’m the One” do DJ Khaled. A linha de baixo é brilhante, uma cortesia do talentoso DJ Mustard, mas há uma boa parcela de auto-tune sobre os vocais. Lil Dicky não pode ser levado a sério como rapper, mesmo que tenha alguma habilidade. Ele é auto-depreciativo, possui um fluxo apertado, faz referências superficiais e produz algumas rimas absurdas. Dito isso, é difícil não ser cético quando entende o conceito dessa música. Há um certo humor envolvido, mas eles exageram na grosseria.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.