Review: Lana Del Rey – The Greatest

Lana Del Rey começou a promover o “Norman Fucking Rockwell” há quase um ano, quando o single “Mariners Apartment Complex” foi lançado. Posteriormente, ela compartilhou “Venice Bitch”, “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it” e um cover de “Doin’ Time”, mas o projeto final acabou sofrendo alguns atrasos. Mas Del Rey está de volta aos trilhos, uma vez que o álbum será divulgado em 30 de agosto de 2019. Ontem ela compartilhou mais duas novas músicas, “Fuck it I love you” e “The Greatest”, na forma de um vídeo de 9 minutos dirigido pelo frequente colaborador Rich Lee. A primeira foi produzida por Jack Antonoff, Andrew Watt e Louis Bell, enquanto a última foi escrita e produzida exclusivamente por Lana e Antonoff. Ambas faixas são baladas de rock que refletem a mística perdida do estado da Califórnia. O clipe possui tons de sépia e filtros granulados no estilo doméstico que toca em antigos cartões postais. Lana Del Rey aparece surfando, navegando sozinha em um iate, jogando sinuca, cantando em um bar e dançando nas docas. No início deste mês, ela também compartilhou duas faixas que não pertencem ao álbum, “Season of the Witch” para a soundtrack do filme “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” (2019) e “Looking for America”, canção sobre violência armada gravada após as recentes tragédias em El Paso e Dayton. As duas canções são inconfundivelmente Del Rey, mas não parece que ela está simplesmente se repetindo. A balada “Fuck it I love you” oferece uma certa diversão nas letras enquanto ela as entrega com um alto tom angelical. Sonoramente, a melodia poderia ser descrita como uma irmã mais leve e direta de “West Coast” – com uma instrumentação similar e uso mais sutil de sintetizadores. “The Greatest” é facilmente a melhor das duas e potencialmente a mais forte do “Norman Fucking Rockwell”.

Uma peça de 5 minutos de duração com um grande refrão e letras sobre um desalento pessoal em escalas maiores. “A cultura é incrível e eu tive meu momento / Acho que vou me aposentar depois de tudo”, ela canta. Mas além disso, ela toca na mudança climática – “O Havaí acaba de escapar de uma bomba / Los Angeles está em chamas, está ficando quente” – e chama Kanye West de “loiro e esquecido”. Essa música basicamente resume todas as razões pelas quais Lana Del Rey é uma compositora tão singular e excitante. As letras são um pouco mais escuras do que o cenário ensolarado sugere. Na introdução, ela se entrega a fantasias antigas da Califórnia, cantando: “Tenho saudades de Long Beach e sinto sua falta, amor / Eu sinto falta de dançar com você mais do que tudo / Eu sinto falta do bar onde os Beach Boys iam / Última parada de Dennis antes de Kokomo”. Nesse momento, Del Rey caminha ao redor do porto de Long Beach com shorts jeans e um par de tênis brancos, enquanto as cenas são intercaladas com vislumbres dela se apresentando para uma pequena multidão de hippies idosos em um bar. Ela pode parecer uma garota da Califórnia por excelência, mas também se recorda de Nova York. “Tenho saudades de Nova York e sinto falta da música / Eu e meus amigos sentimos falta do rock and roll / Eu quero que as coisas sejam como eram”, ela canta enquanto o piano ressoa por trás. Um número quase psicodélico com uma bateria lenta, solo de guitarra confuso e vocais fascinantes. Mas além de acarinhar texturas vintage, ela está inquieta elogiando sua juventude. Quando Del Rey navega na escuridão, fica claro que suas ideias são totalmente tingidas de nostalgia. “The Greatest” é uma música de surf rock que rivaliza com “Venice Bitch” como a melhor do álbum até agora. Dito isto, ela também se complementa lindamente com “Fuck it I love you”, enquanto o videoclipe é um dos melhores de sua carreira.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.