Review: Lana Del Rey – hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but I have it

Lançamento: 09/01/2019
Gênero: Indie pop
Produtores: Lana Del Rey e Jack Antonoff
Compositores: Lana Del Rey e Jack Antonoff

Se há uma coisa que você pode sempre contar com Lana Del Rey, é a dedicação à sua personagem e seus temas: uma espécie de hedonismo deprimido e auto-reflexão sobre a passagem do tempo. O projeto da Lana sempre foi mitificar uma era – uma época em que ela talvez nem tenha vivido, mas uma que ela encarna em espírito e forma um compromisso honesto. Sua nova música, “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it”, é uma escolha curiosa para um lançamento pré-álbum. Produzida por Jack Antonoff, essa balada de piano apresenta uma performance vocal emotiva sobre uma instrumentação discreta. Uma peça minimalista que capta verdadeiramente os incríveis vocais da Lana Del Rey. Ela nos dá um sentimento de esperança, como está implícito no título, em um mundo caótico e decepcionante. “Eu estava lendo Slim Aarons e eu me peguei pensando que eu penso que / Talvez, se eu ficasse menos estressada, se eu fosse menos testada como todas essas debutantes / Sorrindo por quilômetros em vestidos cor de rosa e saltos altos em iates brancos / Mas eu não sou, meu bem, eu não sou / Não, eu não sou assim, não sou”, Del Rey canta no primeiro verso. Aqui, ela confessa que é uma carga de estresse querer ser uma mulher de alta classe. Curiosamente, há semelhanças claras entre a faixa e uma música intitulada “Sylvia Plath” (em homenagem a poeta feminista americana), que foi provocada em sua página no Instagram em outubro. A especulação de que as duas faixas são a mesma também é reforçada por linhas que fazem uma comparação entre Del Rey e Plath: “Eu estive andando por aí na merda da minha camisola / O tempo inteiro como Sylvia Plath / Escrevendo em suas paredes com sangue”.

Lana Del Rey solidificou-se como uma compositora proeminente, sempre fornecendo vocais melancólicos e evocando algum conceito abstrato. Mais uma vez, a encontramos atrás do piano, algo que permite que seu lirismo brilhe. Em termos de arranjos, “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it” permanece relativamente simples, o que faz sentido dado o escopo das letras. “Eu tive danças de quinze anos / Romances clichês, sim, eu tive”, ela canta. “Confessar tudo junto com os alcoólatras / É o único amor que eu conheço”. Às vezes, uma cantora talentosa e seu instrumento é tudo o que você realmente precisa. Além de Sylvia Plathy, conhecida por seus movimentos feministas através da poesia, Del Rey também evoca memórias de Slim Aarons, um fotógrafo famoso por capturar as classes de elite social e celebridades, geralmente em suas casas de luxo. A canção em si é um olhar auto-reflexivo de sua vida: a jornada para a sobriedade após problemas de abuso de álcool em sua adolescência e de um romance problemático. Vocalmente, Del Rey continua tão arrepiante e enigmática como sempre. E os seus melhores momentos aparecem no final, quando ela ostenta um falsete. Mesmo trabalhando com uma duração tão longa, “hope is a dangerous thing for a woman like me to have – but i have it” possui o combustível perfeito para Del Rey. Ela fez o que ela faz de melhor: uma balada expressiva e mal-humorada. Seguindo a tendência minimalista, a capa do single é simplesmente uma foto da própria cantora, com um sorriso suave. Em acompanhamento à despojada “Mariners Apartment Complex” e “Venice Bitch”, esta faixa dá indícios de que seu próximo álbum será o mais autêntico e vulnerável.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.