Review: Kylie Minogue – Golden (2018)

Lançamento: 06/04/2018
Gênero: Country pop, Dance-pop
Gravadora: BMG Rights Management / Liberator
Produtores: Kylie Minogue, Ash Howes, Richard “Biff” Stannard, Sky Adams, Lindsay Rimes, Jesse Frasure, Jon Green, Alex Smith, Mark Taylor, Ed White, Samuel Dixon e Charlie Russel.

Como um álbum pop, “Golden” consegue desempenhar sua função. Mas Kylie Minogue experimenta a música country de forma exageradamente polida e usando artifícios datados.

Muitas pessoas presenciaram Kylie Minogue tecer descontroladamente sobre diferentes influências musicais ao longo da sua carreira. Desde o lançamento do “Kiss Me Once” (2014), ela lançou um álbum de Natal e se viu escondida em Nashville, Tennessee, experimentando um som country-pop. Apoiado pela produção de alguns nomes do country americano, o álbum se tornou um olhar eufórico sobre a vida, morte, amor e coração partido. Avicii, Gwen Stefani, Kesha, Miley Cyrus, Lady Gaga e Justin Timberlake. Muitos artistas colocaram suas mãos na música country nos últimos anos. Seja por autenticidade, maturidade, inovação ou experimentação. Portanto, parece uma tendência no pop experimentar o country. Gravado em Nashville e em grande parte co-escrito com Steve McEwan, o décimo quarto álbum de estúdio da Kylie Minogue, intitulado “Golden”, faz uma fusão de country e dance-pop sobre instrumentos como banjo, violino, sintetizador e guitarra. Ver uma popstar indo para o country não é uma novidade, mas de qualquer forma este álbum é inevitavelmente super-produzido e muito polido para capturar qualquer tipo de vibração do country tradicional. “Golden” pode ser considerado um dos seus discos mais vulneráveis e experimentais. Kylie Minogue reflete sobre o amor, desgostos, relacionamentos e inseguranças.

Em suma, o álbum não traz nada de novo e a maioria das músicas seguem um padrão similar. Basicamente, todas as faixas possuem versos influenciados pelo country e refrões eletrônicos. Enquanto os dois estilos tentam se equilibrar, o repertório possui uma atmosfera bem estereotipada. Embora algumas faixas sejam cativantes, elas tendem a transmitir uma sensação exagerada e soam todas iguais. É quase como ouvir a mesma música durante os 54 minutos. O primeiro single, “Dancing”, é provavelmente a coisa mais cativante que você poderá encontrar aqui. Inspirado pela música country, é uma ode descontraída sobre dançar e aproveitar a vida. O maior destaque desse single é a mistura eufórica de gêneros, como o country e electropop. Os versos são conduzidos por um violão, mas o refrão é dominado por batidas eletrônicas. O arranjo é leve, o lirismo pensativo e os vocais sensuais como de costume. O refrão é um pouco repetitivo, mas não deixa de ser pegajoso. Iniciando a faixa com o violão, Minogue mostra um lado vulnerável, que normalmente é escondido atrás de algum sintetizador. Porém, à medida que a música progride, sons EDM passam a tornar-se proeminentes e uma batida mais reciclada instala-se durante o refrão. De qualquer maneira, este single já pode ser considerado um dos mais diversos de Kylie Minogue há algum tempo. Os elementos de música country misturaram-se adequadamente ao ritmo pulsante do refrão.

Na superfície, “Dancing” possui uma composição alegre e incrivelmente infecciosa. Enquanto isso, as letras co-escritas pela própria cantora, funcionam como uma terapia para ela. “Todo mundo tem uma história / Deixe que seja sua chama de glória / Brilhando intensamente, nunca irá desvanecer / E quando fecharem as cortinas, nós podemos dizer que fizemos tudo / O fim de um dia perfeito / Não posso ficar quieta / Eu não vou hesitar / Quando eu sair, eu quero sair dançando”, ela canta com bastante convicção e paixão. É uma faixa mais simples e despojada do que suas músicas do passado, entretanto, a composição é igualmente graciosa. “Stop Me from Falling” é uma continuação lúdica e radiante do country-pop que ela introduziu na faixa anterior. Mas um single de Minogue não seria realmente dela sem algumas batidas dançantes. Por isso, além da inspiração country, “Stop Me from Falling” também exibe batidas eletrônicas. Semelhante a “Dancing”, esta canção começa com uma guitarra acústica, mas, posteriormente, apresenta batidas dance durante o refrão. Aqui, ela usa alguns doces falsetes à medida que canta: “Deveria ter visto os sinais de alerta / Agora estamos correndo contra o tempo / Querendo cruzar a linha / Pare de me deixar apaixonada / Por você”. É uma canção bem relaxante e reflexiva, embora não seja melhor que “Dancing”.

Liricamente, Minogue destaca momentos muitas vezes problemáticos entre amigos e apaixonados. Ela fornece uma apresentação vocal encantadora e letras com um senso de sinceridade, conforme confessa estar ficando apaixonada por seu amigo. “Foi um risco deitar em seus ombros / Quando eu estava com frio / E agora não consigo superar / E agora não consigo superar / Um beijo, uma situação perigosa / Estou perdida na hesitação / Meu coração está balançado”, ela diz no segundo verso. Mesmo que seja um tema delicado, há uma sensação de alegria e diversão por trás dos vocais da Kylie Minogue. “Stop Me from Falling” possui melodias alegres e realmente parece uma extensão de “Dancing”. É uma faixa agradável, por qualquer meio, e um ótimo segundo single. A faixa-título, “Golden”, mistura novamente o country com a música dance. A melodia cheia de positividade e a repetição otimista da frase “we’re golden” dão à música uma sensação dançante, enquanto os vocais de fundo são sinistros e estranhos. Sobre uma linha de guitarra melancólica e handclpas, Kylie Minogue canta letras como: “Queime como as estrelas, continue precioso / Direto do seu coração / Com uma voz dizendo: Eu nunca vou desistir / Caia e levante outra vez / Somos preciosos, preciosos / É o que somos”. Mesmo que “Golden” dê nome ao álbum, ela fica um pouco aquém das expectativas.

Embora Minogue saiba do risco de se apaixonar novamente, ela se envolve com um pretendente nas letras de “A Lifetime to Repair”. “Se eu me machucar novamente / Eu preciso de uma vida inteira para consertar”, ela canta no refrão. Esta é provavelmente a faixa mais influenciada pelo country, graças à inclusão de um banjo up-tempo. Os violões abrem a canção, ao passo que o som country é mais forte do que nunca. Mais tarde, alguns violinos também são adicionados à mistura. A música falha quando Minogue faz uma contagem regressiva e mergulha num refrão exagerado com percussões barulhentas e um grave estranhamente fora do lugar. Certamente, “A Lifetime to Repair” seria mais forte se Kylie Minogue deixasse os elementos country ao longo de toda música. O refrão é extremamente exorbitante e não combina com a autenticidade dos versos. “Sincereley Yours” pode ser uma faixa repetitiva, mas fornece letras agradáveis e sentimentos mais honestos. Uma balada pop mid-tempo onde Minogue canta sobre colocar todos os seus pensamentos em uma carta de amor. Segundo a cantora, esta faixa é direcionada aos seus fãs como um agradecimento por seu apoio contínuo. Desta vez, não há vestígios de música country e, portanto, Kylie Minogue fornece uma das suas melhores interpretações. Em seguida, ela expressa suas necessidades na galopante “One Last Kiss”.

Nesta faixa, Minogue volta para o country-pop enquanto fala sobre desejar um último beijo. Ouvir uma artista confiante cantar desesperadamente à espera de algo, soa um pouco incomum. Entretanto, mais uma vez, os vocais e a melodia salvam as coisas de um possível desastre. O refrão tingido de elementos oitentistas, o pedal-steel e a vibe country mantém as coisas aceleradas. A sétima faixa, “Live a Little”, aborda questões que envolvem a idade e libertação: “No fim do dia / Não há como me impedir agora / Eu farei o que for preciso / Você nunca vai manter o controle”. É uma faixa pop moderna e um pouco genérica com algumas linhas clichês. A balada “Shelby ’68” sofre pelas letras amadoras, especialmente durante o refrão. É um número mais lento que se desenvolve gradualmente e fornece um pano de fundo reconfortante. “Radio On”, por sua vez, é uma peça angustiante e sincera que não apresenta fortes elementos eletrônicos. Embora a percussão do refrão seja mais animada, a música se mantém numa mesma direção. É uma faixa acústica, apoiada por guitarras, coros vocais e teclados, que mostra os efeitos poderosos que a música pode ter sobre nós. “Agora a batida parece como um batimento cardíaco / E eu estou me apaixonando por aquela melodia perdida / Eu deixo o rádio ligado / Me salvando com essa canção”, ela canta.

Enquanto “Love” reflete apropriadamente sobre o amor e suas incertezas, ela não passa de uma canção simplista e inofensiva. “Raining Glitter”, por outro lado, é uma das melhores faixas do álbum. Uma música dirigida por arpejos de violão, percussão sintética e um baixo funky. Ela possui um grande aceno para a música disco dos anos 70 e oferece algumas nuances de country-pop. “Sim, estamos procurando por aquela mão para segurar / E um beijo roubado que é tão bom que pode mudar o seu mundo / Você pode nos chamar de tolos, mas esses sonhos nunca envelhecerão”, ela canta no segundo verso. A última faixa, intitulada “Music’s Too Sad Without You”, é um dueto com o cantor inglês Jack Savoretti. Uma valsa verdadeiramente encantadora e, provavelmente, a música mais profunda do repertório. É uma balada atmosférica com um lirismo doce, que aborda um relacionamento que chegou ao fim. Em comparação com os álbuns anteriores da Kylie Minogue, “Golden” parece mais exagerado e pesado. Ela incentiva os ouvintes a olharem para o lado positivo da vida, independentemente da situação. No geral, é um registro acessível, no qual Minogue faz uma mistura de country e dance-pop. Mas, enquanto possui algumas faixas estimulantes, falta-lhe diversidade. A estrutura das músicas são sempre as mesmas. Consequentemente, o produto geral não corresponde ao calibre dos melhores trabalhos da cantora.

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Favorite Tracks:

“Dancing” / “Sincerely Yours” / “Raining Glitter”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.