Review: Kate Nash – Yesterday Was Forever

Lançamento: 30/03/2018
Gênero: Indie Pop, Indie Rock
Gravadora: Grrrl Gang
Produtores: Kate Nash, Tom Biller e Jeff Ellis.

Dez anos após o lançamento do seu disco de estreia, Kate Nash retornou com seu quarto álbum de estúdio. Ela chegou à fama durante os velhos tempos do MySpace e chegou a ganhar um BRIT Award, a premiação mais importante do Reino Unido. Assim como Amy Winehouse e Adele, ela já foi considerada uma das melhores artistas britânicas. Entretanto, o seu segundo álbum, “My Best Friend Is You” (2010), não conseguiu igualar o sucesso da sua estreia e, consequentemente, Kate Nash saiu de sua gravadora por meio de um texto. Após retornar às suas raízes independentes, a cantora lançou mais um álbum e conseguiu o papel principal da série “GLOW” da Netflix. Inicialmente, Nash nos encantou com um som indie-pop alegre que passeava por algumas vertentes do rock. Muitas vezes, o resultado disso era algo novo e fresco, mas outras vezes acabava numa confusão. O seu novo LP, intitulado “Yesterday Was Forever”, é uma coleção liricamente ousada formada por quatorze faixas de indie-pop e indie-rock.

Não é surpreendente que a característica mais marcante deste álbum seja suas letras atrevidas e sotaque londrino. Mas enquanto isso consegue cativar o ouvinte, não pode carregar o repertório nas costas. A falta de uma sonoridade mais impactante e alguma música crossover deixa a audição mais difícil. As melodias são agradáveis, mas não possui uma dinâmica aguda o suficiente para lhes dar vantagem. Felizmente, as guitarras elétricas e teclados eletrônicos foram muito bem polidos. Liricamente, Kate Nash aborda a auto-capacitação, desgosto amoroso e os altos e baixos da vida. Faixas levemente mais reflexivas abrangem tribulações amorosas, enquanto incorporam aspectos suplicantes e uma nostalgia dos anos 50. Mas embora pareçam honestas, as letras muitas vezes confundem o discurso e a mensagem que ela quer transmitir. As duas primeiras faixas, “Life in Pink” e “Call Me” foram lançadas como single antes mesmo da divulgação do álbum. Em “Life in Pink”, sua entrega vocal e letras peculiares fazem uma mistura nostálgica e angustiada. Um número de garage-rock com guitarras estridentes e refrão agressivo.

Enquanto isso, “Call Me” é uma peça de indie-pop que incorpora um leve gancho de doo-wop. Faixas como “Take Away” e “Hate You”, por outro lado, nos remetem instantaneamente ao pop-rock do início dos anos 2000. Já o terceiro single, “Drink About You”, é uma canção frenética e acelerada com a típica assinatura da Kate Nash. Essa faixa combina todos os elementos que a maioria dos fãs amam na cantora, incluindo sua vulnerabilidade, letras inerentes e entrega vocal eletrificada. “Bem, não há ninguém que eu pense mais do que você / Tem marcas em mim, o que eu devo fazer? / E quando o pessoal disser pelo o que passando / Só vou pensar em você / Pensar em você”, ela canta no refrão. A maior parte do álbum é centrada em torno de um desmembramento com um ex-namorado, mesmo ainda tendo sentimentos por ele. “Body Heart”, por exemplo, é um dos momentos mais interessantes, pois acolhe uma batida de R&B e fala sobre precisar de alguém de uma maneira única. “Baby, você pode roubar meus lençóis / Eu tenho tudo que preciso, posso viver do calor do seu corpo”, Nash canta aqui.

Em seguida, ela inesperadamente incorpora elementos de rap na cativante “Karaoke Kiss” e “Musical Theatre”. É inicialmente surpreendente, mas sua entrega continua bastante vulnerável e polida. Como o próprio título sugere, “Musical Theatre” apresenta uma produção muito teatral que começa minimalista e depois cresce gradualmente. Enquanto a décima faixa, “Always Shining”, é uma simples e triste balada conduzida pelo violão, “Twisted Up” e “My Little Alien” agitam as coisas e aumentam o volume do álbum. Por fim, Nash encerra o repertório com uma balada de piano chamada “To the Music I Belong”. A cantora nos leva de volta para onde tudo começou e, liricamente, fecha a narrativa mostrando o amor próprio. “A música é única / A música está ao meu lado / A música nunca vai me deixar / Pela música, eu aguento”, ela canta tristemente. Embora seja nostálgico e bastante emotivo, “Yesterday Was Forever” não causa o impacto que poderíamos esperar. Apesar de estar na indústria por uma década, Kate Nash perdeu um pouco a direção das coisas. Este álbum carece de algo realmente grande e profundo, mas possui algumas joias escondidas no seu interior.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.