Review: Kanye West – All Day (feat. Theophilus London, Allan Kingdom & Paul McCartney)

Álbum: SWISH
Lançamento: 02/03/2015
Gênero: Hip-Hop, Rap
Produtores: Kanye West, Velous, French Montana e Puff Daddy.
Compositores: Kanye West, Tyler Bryant, Karim Kharbouch, Mario Winans, Ernest Brown, Cydel Young, Victor Mensah, Allan Kyariga, Mike Dean, Che Pope, Noah Goldstein, Paul McCartney, Allen Ritter, Charles Njapa, Malik Yusef Jones, Patrick Reynolds, Rennard East, Kendrick Lamar e Noel Ellis.

Inicialmente vazada em agosto de 2014, “All Day” foi lançada como segundo single do oitavo álbum de estúdio de Kanye West. A canção apresenta Theophilus London, Allan Kingdom e Paul McCartney, sendo produzida por West, jutamente com Puff Daddy, French Montana e Velous. Na escrita temos incríveis 19 compositores creditados, entre eles o rapper Kendrick Lamar. Kanye West a performou pela primeira vez no BRIT Awards, que aconteceu dia 26 de fevereiro. A apresentação do rapper foi praticamente toda cortada devido ao excesso de palavrões contido em sua letra. “All Day” ainda contém uma interpolação de “Dance with Me” do cantor jamaicano Noel Ellis. Nos Estados Unidos a música estreou em #15 na Billboard Hot 100, vendendo 140 mil downloads em sua primeira semana.

O produtor Velous fez o esqueleto do instrumental de da música sentado no sofá da casa de um amigo, enquanto assistia Saturday Night Live. A música ainda contém sample, do que foi confirmada por um representante do rapper, ser uma regravação de uma música que Paul McCartney escreveu em 1969, inspirada por uma pintura de Pablo Picasso. McCartney, a propósito, aparece na música com sua guitarra acústica, assobiando e cantando no último verso. Essa já é a terceira colaboração entre o ex-beatle e Kanye West. Mas “All Day”, diferentemente das músicas “Only One” e “FourFiveSeconds” (com Rihanna) onde eles colaboraram, não é tímida ou comovente, muito pelo contrário, é um retorno agressivo de West ao hip-hop. Desde a guitarra pulsante na abertura até os ótimos versos finais de McCartney, “All Day” é uma música tremendamente poderosa.

A forte batida da música parece um relógio de pêndulo antigo, mais acentuada do que nunca. Em certo ponto é muito semelhante à “Monster” da obra-prima em forma de álbum chamada “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”. E logo na linha de abertura, “How long you niggas ball? All day, nigga / How much time you spent at the mall? All day, nigga”, já percebemos o quanto a letra é explícita. Apesar disso, eu acho as letras bem escritas e favorecidas pela atitude destemida de West. Ele dispara insultos como faíscas, é repetitivo e grita “get low” no final como um rebelde enlouquecido. Mas apesar de tudo, Kanye tem uma presença tão forte que cativa qualquer amante de hip-hop. Por isso muitos elevam o rapper a outro nível, por conta de sua arte, profundamente modernista, e de sua forte personalidade.

No geral, “All Day” ainda fornece muito elementos de rap sulista, com uma estrutura que remete a uma combinação dos seus discos “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” (2010) e “Yeezus” (2013). A participação de Theophilus London deu um pouco de sabor reggae para o refrão e Allan Kingdom fez um ótimo trabalho cantando a ponte rítmica. Durante sua execução ainda há várias mudanças de tempo e uma batida eletrônica distorcida no seu final em conjunto com McCartney, cantando: “well well well / let me run / let me run to see who came undone”. Árdua e corajosa, “All Day” tem um som e uma proposta completamente diferente de “Only One” e, embora seja difícil comparar tais canções, é sem dúvida a melhor pista lançada até o momento do novo álbum de Kanye West.

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São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.