Review: Juice WRLD – Death Race for Love (2019)

Lançamento: 08/03/2019
Gênero: Hip hop, Rock
Gravadora: Grade A / Interscope Records
Produtores: Andrew Watt, Atu, Boi-1da, Brent Faiyaz, Bryvn, Cardo, Camden Bench, Don Mills, DY, Frank Dukes, G. Ry, Hit-Boy, Jahaan Sweet, Louis Bell, Morgoth Beatz, Nick Mira, No I.D., Paperboy Fabe, Power, Purps, Rex Kudo, Rvssian, Sidepce, Tommy Brown e Yung Exclusive

Cinquenta por cento das letras são ruins e a outra metade também, mas ficam presas na cabeça com muita facilidade. “Death Race for Love” parece o verdadeiro Juice WRLD, usando suas influências e colocando seus altos e baixos dentro de uma música.

Oálbum de estréia do Juice WRLD, “Goodbye & Good Riddance” (2018), foi um ponto de virada no hip-hop por várias razões. Ele oficialmente solidificou o emo-rap como mainstream; deu aos jovens garotos uma razão para mostrar suas emoções e permitiu que Jared Higgins trabalhasse com alguns dos maiores nomes do rap moderno. Desde o seu primeiro projeto, Juice tem saboreado uma crescente popularidade; afastando-se brevemente da habitual persona de garoto triste. Suas recentes contribuições líricas – especificamente nos álbuns do Kodak Black e Trippie Redd – apresentaram uma vida cheia de excessos; algo que você esperaria de um artista bem mais experiente. Mas mesmo para alguém que tenha experimentado uma imensa quantidade de sucesso com a tenra idade de 20 anos, Juice WRLD ainda decide descer uma rota deprimente em “Death Race for Love”. Ele admite que sua dor tem sido ocultada pelo materialismo em faixas pesadas como “Feeling”. Na verdade, Juice fala bastante sobre seus vícios em seu segundo álbum; que se torna cansativo ocasionalmente, especialmente em um projeto formado por vinte e duas faixas. Mas por que mudar algo que te tornou famoso em primeiro lugar? Ele deve pensar.

Juice não está glorificando seu estilo de vida como tantos outros rappers; apenas exorcizando seus “demônios interiores”. Ele é ilimitado em “Death Race for Love”, implacavelmente saltando entre temas que envolvem amor, perda e codeína. A mixagem e produção é muito mais grandiosa – graças ao produtor de longa data Nick Mira, e as rápidas contribuições do No I.D. e Boi-1da. As letras, no entanto, são um pouco vazias e questionáveis. Além de um rap ou dois em cada música, o jovem carece de inteligência e humor na maior parte do álbum. E não ajudou o fato de ter sido gravado em apenas quatro dias. Em “Maze”, ele diz: “Eu levei meus demônios para o banco da vida e fiz o maior depósito”, enquanto no apropriadamente intitulado “HeMotions”, ele exclama que “vai se afogar naquela vadia como um oceano”. E por último, mas não menos importante, o rapper de Chicago fala sobre como ele ainda é “triste como uma puta” em “Fast”. Juice WRLD diversifica seu som tremendamente mundano, alterando o fluxo e a cadência; tentando dessa forma manter as coisas excitantes. “Syphilis” é uma faixa de 2 minutos, onde ele copia propositalmente o estilo do XXXTENTACION sobre uma batida agitada e industrial. É uma pausa incomum para um projeto cheio de canções apaixonados. Felizmente, Juice acredita que as garotas na verdade não são as mesmas em “Who Shot Cupid?”, provavelmente porque ele tem uma namorada agora.

Em contrapartida, ele segue esse sentimento com linhas como: “Espero que você saiba que se você alguma vez tentar terminar / Você vai pegar um par de f & n” – na extravagante “Flaws and Sins”. Apesar dos pensamentos problemáticos, eu gosto do quão bobo o refrão é. A estética da música se encaixa muito bem com a personalidade do Juice WRLD. Ele surpreendentemente mostra sua capacidade de criar uma canção pensativa de amor em “Desire”. Os sintetizadores atmosféricos e o lento ritmo cumprimentam a jovem cadência do rapper (“Grite seu nome em colinas no vale / Todo mundo vai saber que você me ama / Grite seu nome pela galáxia / Agora o universo sabe que estou na mesma coisa”). “Death Race for Love” perde um pouco do seu vapor no seu último terço. “Rider”, “Won’t Let Go” e “Make Believe” possuem conceitos que ele já explorou; mas recomendo sua incrível capacidade de manter certas escolhas estilísticas imprevisíveis – mesmo se seu jogo de palavras não seja a coisa mais original do mundo. Gostei especialmente do fenomenal sample de Daniel Caesar em “10 Feet”, que foi uma das poucas vezes em que um refrão não foi incorporado. Em “Robbery”, sua voz está altamente expressiva e exagerada até certo ponto, mas possui um refrão particularmente atraente. Um dos seus melhores momentos ocorre no primeiro verso, onde ele combina uma abordagem vocal indolente com letras entorpecidas.

Há também uma ponte que incorpora ansiedade e certa confusão mental. No mundo de “Robbery”, Juice WRLD precisa ter uma arma para enfrentar a dor, jogar pedras em uma janela e ficar chapado para lidar com o fato de que a garota não atende o telefone. Mais uma vez, ele conseguiu misturar os mundos do emo e do hip-hop com eficiência. A faixa em si pode ser um pouco dramática, especialmente para aqueles que não estão familiarizados com seu estilo, mas é seguro dizer que ele descobriu uma fórmula vencedora. Escura e melodramática, “Robbery” é uma metáfora desajeitada sobre um amor destrutivo que roubou sua capacidade de amar novamente. Ela possui uma produção alimentada por algumas linhas de piano e uma batida igualmente cintilante e esparsa. Assim como “Lucid Dreams”, é uma balada de emo-rap que flui com uma produção delicada e letras sentimentais. O segundo álbum do Juice WRLD é muito mais bombástico do que o primeiro. Há alguns aspectos que beneficiam sua arte e há outros que não (como as letras ruins e a redundância). É um pacote misto, mesmo para os fãs obstinados. Sua personalidade exagerada atinge seu ápice em “Robbery” – sua música mais influente até hoje. As maravilhosas teclas de piano tornaram-se uma fórmula vencedora do Nick Mira e representam os desejos mais expressivos do Juice WRLD.

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.