Review: Judas Priest – Firepower

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: Epic Records
Produtores: Tom Allom e Andy Sneap.

Abanda Judas Priest começou sua carreira no início dos anos 70 e, desde então, o quinteto passou por muitos marcos no metal e influenciou outras bandas com seus riffs e poder de fogo. Eles são uma profunda força no gênero e colheu um legado dominante no heavy-metal. E, apesar do fato de ter lançado álbuns instáveis desde o “Painkiller” (1990), o Judas Priest continua gravando novas músicas. O seu novo disco, “Firepower”, mescla composições clássicas da era oitentista com a instrumentação mais pesada desde o “Painkiller” (1990). Este álbum é um exemplo de uma banda que, apesar de ter começado há quase 50 anos, ainda está completamente faminta. O repertório é agressivo, concisamente executado e muito bem escrito. É bom ver o Judas Priest voltando às suas raízes. A voz de Rob Halford continua desafiando sua idade de 66 anos, com a baixa ameaça do seu registro vocal e os gritos superiores soando mais potentes do que nunca. Acrescente isto aos riffs pesados do recém-chegado Richie Faulkner e a sólida seção rítmica de Ian Hill no baixo e Scott Travis na bateria. Depois de ouvir o “Firepower” várias vezes, percebemos o quanto é um LP consistente. Enquanto nada te agarra imediatamente, não há uma música necessariamente ruim.

Algo que beneficiou o álbum foi o fato de que a banda gravou todas as faixas juntos. Isto acabou criando uma atmosfera mais orgânica e coesa. Os créditos de produção do “Firepower” vão para os veteranos Tom Allom, seu décimo álbum com o Judas Priest, e Andy Sneap, que produziu bandas como Testament, Overkill e Fozzy. A produção está realmente no ponto, pois Allom e Sneap ajudaram a criar uma paisagem sonora espessa e pesada. Sujeito a apenas algumas exceções, as músicas são mid-tempo, com riffs memoráveis, solos consistentes, refrões cativantes e fortes melodias. A primeira grande faixa, “Firepower”, começa com um típico riff do Judas Priest e um grito de Rob Halford. É uma canção que ataca com mais ferocidade do que qualquer coisa desde o “Painkiller” (1990). É rápida, furiosa, possui uma configuração incrível e pesados riffs de guitarra. O restante é mantido sob um ritmo mais rápido com ganchos surpreendentemente melódicos. Depois de um começo inteligente, “Lightning Strike” é outra faixa bem trabalhada com tudo o que os fãs amam. Essa música ilumina o clássico Judas Priest e parece semelhante aos seus tempos na década de 70. Ainda mais massivo, o refrão mostra os altos vocais de Halford pairando sobre acordes abertos.

“Lightning Strike” definitivamente soa mais na veia do clássico Judas Priest. O quinteto desacelera m pouco com “Evil Never Dies”, uma faixa vocal maciça com guitarras afiadas e seção intermediária mais calma. Tais componentes adicionam uma vibração sombria à mistura. Essa canção mantém um tom ameaçador, ao passo que os vocais de Halford falam do mal com desprezo não adulterado. Mas, essa música realmente vai para lugares diferentes. Uma expressão sombria também paira sobre “Never the Heroes”, uma canção mais turva com sintetizadores na introdução. Mas quando as guitarra chutam, elas vão alto e o refrão atinge uma borda adequadamente majestosa. Os riffs de configuração de “Necromancer” cativa com facilidade e são perfeitamente adequados para os vocais. Posteriormente, os mesmos riffs vão a todo vapor para cima da cadência patenteada da banda. Não há um momento em “Necromancer” que não pareça pesado. Isso poderia facilmente ter sido retirado diretamente do “Painkiller” (1990). Os riffs assombrosos de “Children of the Sun” condenam uma sociedade completamente perdida. “Crianças do sol / Morrendo uma a uma”, Halford canta. Quando esta canção desacelera e as guitarras ficam mais limpas, ela começa a lembrar um pouco de “Victim of Changes” do álbum “Sad Wings of Destiny” (1976).

Aliás, neste ponto do repertório, devemos enfatizar o quanto Scott Travis está bem no “Firepower”. “Guardians”, por sua vez, é um interlúdio baseado num piano que interrompe o fluxo do álbum de forma positiva. Esta faixa instrumental introduz “Rising from Ruins”, uma canção constituída sobre um brilhante e pesado riff de guitarra elétrica. Ela entra no território das baladas, mas não possui a mesma alma das primeiras faixas. Tanto liricamente quanto musicalmente, “Flame Thrower” possui um pouco do estilo dos anos 80. Ela ilumina o ouvinte com seu riff e conduz perfeitamente os vocais de Halford. Aqui, temos outro solo matador, embora isso não seja chocante neste ponto do álbum. Depois de uma música tão incomum e boring como “Spectre”, a faixa “Traitors Gate” traz de volta o bom som do Judas Priest. Desta vez, temos guitarras sensacionais, excelentes vocais, um baixo pulsante e vibrantes linhas de bateria. É uma canção cheia de humor que, novamente, acena respeitosamente para os anos 70. “Traitors Gate” é, certamente, a faixa mais forte da segunda metade do álbum, seja pelos instrumentos ou abordagem vocal. “No Surrender” é um pouco doce, mas é difícil resistir aos seus ótimos ganchos. Esse é o Judas Priest combinando um som pesado com algo mais acessível.

Em seguida, temos outra faixa que poderia ter ficado fora do álbum. Não há nada de inerentemente errado com “Lone Wolf”, mas quando você compara com a qualidade das outras faixas, percebe o quanto ela é fraca. Guitarras acústicas criam uma atmosfera agradável durante “Sea of Red”. Inesperadamente, Rob Halford mostra sua voz num contexto mais calmo, enquanto a melodia e guitarras se transformam lentamente em algo mais pesado e feroz. É a faixa mais cinematográfica de todo o álbum e lembra os dias de “Nostradamus” (2008). Uma conclusão apropriada, mas há músicas melhores no decorrer do álbum. O lançamento de um novo álbum do Judas Priest é sempre uma grande notícia, e o “Firepower” recebeu mais buzz do que qualquer um dos últimos álbuns da banda. Apesar de eventuais falhas, ele manteve as qualidades de um disco do Judas Priest. Na minha humilde opinião, nenhum disco da banda após o “Painkiller” (1990) esteve acima da média. Em contrapartida, o “Firepower” é uma forte entrada para sua discografia. Portanto, surpreendentemente, o Judas Priest conseguiu entregar um álbum elétrico e vital que supera tudo o que eles lançaram em quase 30 anos. Em outras palavras, é o melhor disco da banda desde 1990.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.