Review: Jay Rock – King’s Dead (feat. Kendrick Lamar, Future & James Blake)

Lançamento: 11/01/2018
Gênero: Hip hop alternativo, Trap, Trip hop
Produtores: Mike WiLL Made It, Teddy Walton, Sounwave, 30 Roc e Twon Beatz
Compositores: Kendrick Duckworth, Michael Williams, Travis Walton, Mark Spears, Johnny McKinzie, Nayvadius Wilburn, James Litherland, Samuel Gloade e Antwon Hicks.

Onovo single da soundtrack do filme “Pantera Negra”, intitulado “King’s Dead”, é uma produção do Mike WiLL Made It e Teddy Walton. Jay Rock, amigo de longa data do Kendrick Lamar, lidera esta canção. Desde o início, a batida é contundente e sombria. Lamar deixa cair um gancho feroz que acaba sendo mais cativante do que o esperado. Ademais, a faixa também conta com a participação do Future e do britânico James Blake. “King’s Dead” abre com a voz nasal de Lamar recitando o refrão, antes de Jay Rock entregar um verso afiado e fluxo ágil. Future empresta sua assinatura vocal cheia de auto-tune no segundo refrão e na ponte, conforme oferece suas letras tipicamente sobre sexo e dinheiro. Parece uma canção estranha para um filme de ação que encontra T’Challa (Chadwick Boseman) batalhando pelo trono de Wakanda contra Erik Killmonger (Michael B. Jordan). Para surpresa de algumas pessoas, “King’s Dead” tem uma pequena semelhança com o “DAMN.” (2017), álbum do Kendrick Lamar lançado em abril de 2017. A combinação entre Jay Rock, Future e Lamar resultou em algo interessante. Além disso, é a primeira vez que os ex-companheiros de turnê, Lamar e Future, colaboram juntos em uma música, o que esperamos ver mais vezes ao longo do ano. É um banger energético e escuro, embora nem todos os componentes funcionem tão bem quanto poderiam.

O refrão é cativante, onde Lamar declara: “Sinto saudades de mim com as besteiras / Você não é realmente selvagem, você é um turista”. Sua presença, bem como seu verso impressionante, dá a impressão ilusória de que trata-se de uma faixa sua com Jay Rock, e não o contrário. O verso do Rock ainda é divertido, no entanto. Seu fluxo urgente mascara a possibilidade de repetição e destaca algumas sílabas impressionantes. Future, por sua vez, é útil na melhor das hipóteses. Sua entrega auto-sintonizada e modificada foi feita para manter a música interessante, embora a ponte seja horrível. Nesse momento, ele suspira de forma desagradavelmente aguda. Sua voz áspera constrói um falsete que mais parece feito com gás hélio. Até esse ponto, o conteúdo lírico não se desvia da característica farra do rap contemporâneo. Uma linha em especial – “carros velozes, dinheiro rápido, vida rápida” – sintetiza o conteúdo de “King’s Dead”. Mas há uma mudança de ritmo e um abrandamento da música que introduz uma breve aparição do James Blake, que se pergunta sob uma voz distorcida: “Mudanças / Você vai fazer alguma coisa? / O que você quer?”. Lamar entra em cena novamente e surge com maior destreza técnica e lírica. Depois da reintrodução assistida pelos vocais fantasmagóricos de James Blake, o rapper oferece letras que finalmente parecem conectadas com a história do filme. Depois de uma série de letras superficiais, ele proclama no final do verso: “Todos saúdem o Rei Matador”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.